Ordem do Dia da Vitória – 8 de maio de 2018

Em 1o de setembro de 1939, tropas nazistas da Alemanha invadiram a Polônia, dando início a Segunda Guerra Mundial, que durou seis anos e ceifou cerca de 60 milhões de vidas humanas.

Ao final, todas as partes envolvidas tiveram que se reerguer das ruinas do conflito e resgatar o pouco de humanidade que restava dos escombros. Na guerra, em maior ou menor proporção, todos perdem.

Na Segunda Guerra Mundial, depois de tantas perdas, os Aliados venceram. A defesa da liberdade, da paz e da democracia foi o preço dos sacrifícios. O Brasil pagou sua cota com moedas de sangue e de honra. Estava entre os Aliados, sendo o único país da América do Sul a enviar combatentes ao teatro de operações europeu. A nossa Marinha viabilizou o transporte das nossas tropas para a Itália, defendeu o litoral do Brasil e contribuiu de maneira decisiva para a proteção do tráfego marítimo no Atlântico Sul. A Força Naval brasileira atuou na Campanha do Atlântico, protegendo navios, de ataques submarinos. Durante todo o conflito, as Marinhas de Guerra e Mercante sofreram cerca de 1.450 baixas. Em homenagem a esses heróis que doaram suas vidas para que milhares de outras vidas fossem salvas, em 29 de junho deste ano, o novo navio a ser incorporado à Armada brasileira receberá o nome de “Atlântico”.

O nosso Exército foi ao teatro de guerra europeu, compondo a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com mais de 25 mil voluntários, recrutados “no morro do engenho, nas selvas, nos cafezais, na boa terra do coco, nas praias sedosas, nas montanhas alterosas, no pampa, no seringal, nas margens crespas dos rios, nos verdes mares bravios” – todos voluntários. Esses bravos soldados contribuíram de maneira decisiva com o esforço dos Aliados, com as expressivas vitórias de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, entre outros, rompendo a Linha Gótica, no Norte da Itália; abrindo assim o prosseguimento para a vitória final, que hoje celebramos.

Durante as operações militares os nossos combatentes tiveram que se aclimatar aos ventos gelados dos Apeninos, ao novo armamento, aos novos uniformes, às novas táticas de combate e à nova doutrina. Lutaram e venceram. Na vitória, trataram com bondade e respeito milhares de bravos prisioneiros de guerra alemãs, preservando-lhes a autoestima e a vida. Dividiram “a ração do seu bornal, a água do seu cantil” e sua escassa roupa com a gente italiana necessitada, naquelas áreas geladas, arrasadas pela guerra. E deixaram, além de amigos, uma chama votiva acesa no cemitério de Pistoia, que guarda a memória de 454 bravos soldados brasileiros, que lá deixaram suas vidas – sem voltarem a ver “suas casas pequeninas, lá no alto da colina, onde canta o sabiá”.

A nossa Força Aérea atuou na proteção do extenso litoral brasileiro, e foi à guerra na Itália com o 1º Grupo de Caça, constituído por quase 500 voluntários, entre pilotos e pessoal de apoio. Nossos caçadores combateram com denoto e valentia para estrangular as linhas de suprimento inimigas e para prestar apoio aéreo aos Aliados. O 1º Grupo de Caça realizou ao todo 2.546 missões ofensivas, por 48 aviadores brasileiros, 8 dos quais faleceram em combate. Mesmo com baixas e efetivo reduzido, mantiveram o espírito aguerrido, cumprindo todas as missões que lhes foram atribuídas, mantendo ativo o 1º Grupo de Caça.

O fim da guerra, no teatro europeu, ocorreu em 8 de maio de 1945. Nesse dia, os Aliados conseguiram finalmente represar a onda de violência que assolava o velho continente, e construir as condições para o retorno da paz ao mundo poucos meses depois.

Hoje, 8 de maio, é, portanto, uma data de culto e de glória para o Brasil. Momento de reflexão e recolhimento para melhor reforçarmos nossos valores. Momento de prestamos reverente continência aos nossos heróis – marinheiros, soldados e aviadores – e àqueles que sofreram a dor de suas perdas.

Homenageamos, também, aqueles que difundiram seus feitos e se guiaram pelos seus exemplos de coragem, abnegação e patriotismo ao longo desses 73 anos.

Por fim, cumprimentamos todos agraciados que, por seus méritos, tornaram-se credores da comenda Medalha da Vitória. A cada um o Ministério da Defesa cumprimenta, louva e agradece.
Muito obrigado a todos que nos honram com suas presenças. Muito obrigado.

JOAQUIM SILVA E LUNA
Ministro de Estado da Defesa, Interino



 

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