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Por Emídio Neto

exclusivoEm suas atividades de exercício de adestramento dos pilotos em missões de ataque ao solo, as aeronaves AF-1 Skyhawk do Esquadrão VF-1 da Marinha do Brasil decolavam armadas com três bombas tipo BEX (Bomba de Exercício) de 11,25Kg, as quais eram lançadas no estande de tiro da FAB, situado no município de Maxaranguape/RN, distante 70 Km de Natal.

Os artefatos bélicos utilizados no exercício foram trazidos diretamente da base do Esquadrão VF-1, situado no município de São Pedro D´Aldeia/RJ, em um processo logístico que contou com o apoio de um C-130 da FAB.

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Os procedimentos para armar cada Falcão com as BEX é o mesmo de armá-lo com as bombas reais MK-82 de 500lbs, necessitando dos militares envolvidos a mesma perícia, habilidade, conhecimentos e habilitação dos armamentistas envolvidos.

Vieram para o exercício quatro armamentistas, um sub oficial supervisor de armamento e três sargentos armamentistas. Entre uma surtida e outra das aeronaves em suas missões de bombardeio, os armamentistas trabalhavam arduamente para garantir que os aviões estivem armados e preparados para a próxima missão.

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O trabalho dos armamentistas começou logo que as aeronaves chegaram à BANT-Base Aérea de Natal, para as operações do exercício de adestramento. Inicialmente foi feita a instalação de um TER – Triple Ejector Rack (um pilone com três pontos de fixação de bombas) em cada aeronave. O dispositivo é instalado no ventre da aeronave. Com o TER instalado, o procedimento detalhado a seguir, se repetia missão após missão.

Primeiro são feitos os testes elétricos de disparo, para garantir que quando o piloto acione o botão de disparo no manche da aeronave haja a descarga elétrica necessária para a liberação das bombas. Teste feito, os armamentistas agora procedem com a instalação das três bombas, que ficam presas no TER por uma trava.

As bombas precisam ficar bem firmes e para isso são ajustados um a um os parafusos dos apoios de fixação, isto é feito manualmente com uma chave de boca, apertando ou afrouxando as porcas, dando assim a firmeza necessária para que as bombas fiquem fixas e que o dispositivo de liberação das bombas funcionem perfeitamente na hora dos disparos feitos pelo piloto.

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Bombas instaladas e firmemente fixas, o próximo passo é a instalação dos dispositivos explosivos responsáveis por liberar a trava que segura as bombas, chamados de CAD – Cartridge Advice, que nada mais é do que uma espécie de cartucho que ao receber a descarga elétrica explode e libera forte volume de gases que são direcionados e acionam a liberação das travas, soltando assim a bomba.

Por fim são instalados os pinos de segurança das bombas, ou Safetty Pins. Estes dispositivos de segurança serão os últimos a serem desconectados da aeronave antes da decolagem, e serão mostrados ao piloto, que assim terá a certeza que sua aeronave estará pronta para cumprir a missão de bombardeio.

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Após cada missão, a aeronave ao pousar se dirigia para o hangarete e imediatamente a equipe de armamento reiniciava o procedimento de armá-lo para aproxima missão. E assim foram lançadas 55 bombas durante os exercícios, sem nenhuma falha (bomba presa), ou seja, com 100% de eficiência, e isso certamente se deve à bem preparada equipe de armamentistas do Esquadrão VF-1.

O estande de tiro de Maxaranguape vem sendo sistematicamente utilizado pelo Esquadrão VF-1 desde 2001, quando foram feitos os primeiros lançamentos de mísseis pelos AF-1 Skyhawks da Marinha do Brasil. Durante este último exercício, no que se refere à armamento, a FAB deu apoio à Marinha através do BEM –Esquadrão de Material Bélico, em especial o Sargento Guilherme, ao qual agradece o Sub Oficial William, supervisor de armamento do Esquadrão VF-1 da Marinha do Brasil.

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9 Comments

 

  1. 06/01/2014  0:54 by FLIEGEN

    Alguém sabe se com a modernização dos Falcões eles irão usar armamento de verdade,digo bombas e mísseis ar-sup, e se sim quais?

  2. 06/01/2014  1:16 by Eduardo Ramos

    Bem ! eu gostaria eu de ver os Falcões do VF-1 lançando bombas reais como está aeronave o fez na 1ª Guerra do Golfo em que era parte integrante da força aerea do kuwait tem o link do video de epoca em que os A4 eram empregados em combate real .

    http://www.youtube.com/watch?v=uMtnbUYENu8

  3. 06/01/2014  10:53 by _RR_

    FLIEGEN

    Estaria sim previsto o uso de armamento inteligente. O novo radar ELTA EL/M-2032 permite o uso desse tipo de armamento...

    Mísseis Derby, Python IV, AIM-9, MAA-1B e mesmo o A-Darter poderiam ser integrados no pacote ar-ar. Para ar-sup, creio que poderiam ser integrados os mísseis Penguin, as novas bombas SMBK, enfim...

    Em teoria, poderiam utilizar os mesmos armamentos dos F-5M e A-1M...

  4. 06/01/2014  11:01 by Fred

    "Os procedimentos para armar cada Falcão com as BEX é o mesmo de armá-lo com as bombas reais MK-82 de 500lbs..."
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    Muito interessante a matéria e o vídeo que o Eduardo Ramos 'linkou', ilustra bem, aos 1m:13s...A utilização do TER com bombas de 500 lbs, à que se refere o trecho destacado acima.

  5. 06/01/2014  11:22 by Fred

    Agora os AF-1 terão que ter, obrigatoriamente, a capacidade de lançar mísseis anti-navio-ar-sup, porque se for só para lançar bombas burras, a sua modernização perde o sentido, se torna um desperdício de tempo e dinheiro...Até mesmo como uma aeronave de treino, formadora de doutrina, a capacidade de lançar mísseis ar-sup é essencial.

    Aliás! Os argentinos já possuíam esta capacidade á 31 anos atrás! Com seus Super Étendard equipados com mísseis Exocet. E a MB, ainda hoje, operando seus caças tendo como armas de ataque ar-sup, bombas burras e canhão...

  6. 06/01/2014  12:01 by Fred

    Uma pergunta a quem souber:

    Bombas inteligentes equipadas com um sistema de guiamento INS/GPS, tem alguma efetividade, se lançadas a distancias de 40 km ou mais.... contra alvos em movimento como um navio se deslocando no mar ?

    A mesma dúvida para bombas guiadas por um designador laser, contra alvos navais em movimento....

  7. 06/01/2014  14:04 by Boiler

    Além de sinais de gps, os armamentos de precisão também podem tirar proveito de emissões feitas pelo inimigo. Praticamente todas as unidades ou sistemas militares modernos emitem algum tipo de sinal no decurso de sua missão, e esses sinais podem ser interceptados e analisados para identificar localização e identidade. Recentemente, essas técnicas tornaram possível localizar um emissor adversário na superfície terrestre dentro de um raio suficientemente preciso para que uma arma auxiliada por GPS seja enviada àquelas coordenadas para destruí-lo. Essa capacidade de geolocalização corrobora uma doutrina que defende a substituição dos radares ativos das aeronaves de ataque por sensores "passivos" mais modernos, que não emitem sinais reveladores de sua presença. Sistemas receptores passivos de detecção de radares de aeronaves táticas medem as variações Doppler produzidas por um radar inimigo. Um algoritmo especial para determinação de distâncias compara a alteração Doppler com o GPS e o INS da aeronave para calcular rumo e localização.

  8. 07/01/2014  4:28 by Fred

    Obrigado Boiler,
    Embora não seja uma resposta conclusiva, são muito interessantes as informações e conceitos que você passou, valeu!

  9. 09/01/2014  17:55 by Cláudio Alfonso

    As bombas inteligentes brasileiras possuem comunicação wi-fi com o caça podendo ter informações como localização do alvo atualizadas mas necessitariam o monitoramento do mesmo.

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