O dia 11 de novembro deste ano marcará o 99º aniversário do fim de um conflito armado que deixou como saldo cerca de 9 milhões de mortos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Seu término se deu no ano de 1918 quando da assinatura do armistício entre as partes beligerantes.

Em novembro de 1918 a Alemanha se encontrava extremamente desgastada com os quatro longos anos de guerra. Além disso, seus aliados (Império Austro-Húngaro, Império Turco-Otomano e Bulgária) já haviam se retirado do conflito. Os alemães enfrentavam forte convulsão social interna, que levou à abdicação do Imperador Guilherme II pouco antes da assinatura do armistício.

A Alemanha pretendeu solapar o esforço de guerra britânico por meio do emprego irrestrito de seus submarinos, que passaram a atacar navios de países neutros que supriam o Reino Unido e seus aliados com matérias-primas e outros suprimentos.

Até meados de 1917, o Brasil ainda mantinha uma atitude de neutralidade. O governo, contudo, seria forçado a modificar sua posição devido ao afundamento de quatro navios mercantes nacionais por submarinos alemães, na Europa: Paraná (04 de abril), Tijucas e Lapa (20 de maio), Macau (18 de outubro). Consequentemente, em 26 de outubro de 1917, por meio do Decreto nº. 3.361, foi reconhecido e proclamado o estado de guerra contra o Império Alemão.

Em cumprimento aos compromissos assumidos com a Conferência Interaliada, reunida em Paris entre 20 de novembro e 3 de dezembro de 1917, o Governo brasileiro empenhou-se em três grandes esforços de atuação: enviou uma missão médica composta de médicos-cirurgiões civis e militares, para atuar em hospitais de campanha do teatro de operações europeu; enviou um contingente de oficiais aviadores, da Marinha e do Exército, para se integrar à Força Aérea Britânica; e por fim empregou parte da Esquadra no Teatro de Operações do Atlântico, organizando uma força-tarefa, a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG).

Passaram a compor a DNOG os Cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, os Contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, o Cruzador-Auxiliar Belmonte e o Rebocador Laurindo Pitta. Esta Divisão foi incumbida de patrulhar a área compreendida pelo triângulo marítimo cujos vértices eram a cidade de Dacar, na costa africana, o Arquipélago de São Vicente, no Atlântico, e Gibraltar, na entrada do Mediterrâneo. Para comandála, foi designado o Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin.

A guerra no mar, para o Brasil, teve início no dia 07 de maio de 1918, quando da partida das primeiras unidades da DNOG do porto do Rio de Janeiro, com destino final a Dacar. Na noite do dia 25 de agosto, na travessia de Freetown para Dacar, a Divisão enfrentou um possível ataque feito por submarino inimigo.

Já fundeada no porto de Dacar, a tripulação da Divisão foi vítima da epidemia conhecida na época como a “gripe espanhola”, que tirou a vida de mais de uma centena de marinheiros, e imobilizou a Força por dois meses naquele porto. De volta ao mar, ainda com as tripulações reduzidas e fisicamente debilitadas, retomou a sua missão de patrulhamento, demonstrando a têmpera do marinheiro brasileiro e a determinação do Almirante Max de Frontin no cumprimento do dever.

No dia 10 de novembro, os navios brasileiros fundearam em Gibraltar, e logo no dia seguinte foi assinado o armistício. Somente no dia 9 de junho de 1919 a Divisão aportou no Rio de Janeiro, tendo sido extinta nesse mesmo ano.

Além da efetiva participação, a Marinha do Brasil também implementou um programa de instrução militar às tripulações dos navios mercantes em 1917. Havia também iniciado em 1916 a ocupação militar da até então desabitada Ilha da Trindade, reconhecida por sua grande importância estratégica.

A epopéia vivida pela DNOG e por todos aqueles que, direta ou indiretamente, deram suas vidas e prestaram relevantes serviços ao país, durante esse conturbado período da história, merece ser lembrada, na medida em que ficou marcada pelo empenho, abnegação e amor à Pátria dos brasileiros que participaram das ações.

FONTE: MB