Fragata Arrowhead 140 da Babcock

Por Luiz Padilha

A Babcock criou um time dos sonhos, o Team 31, para criar e desenvolver uma fragata capaz de ser adaptável para o programa Type 31 da Royal Navy e para Marinhas globais. Beneficiando-se do melhor da Grã-Bretanha, aproveitando custo e cronograma de uma estratégia de construção distribuída testada e comprovada e capitalizando um projeto maduro e comprovado, surgiu a Arrowhead 140, uma fragata com grande capacidade para atender às demandas adaptáveis das nações combatentes globalmente.



Estande da Babcock na Euronaval 2018

Euronaval 2018

Durante a Euronaval 2018, visitamos o estande da Babcock, para entender melhor sobre o projeto Arrowhead 140, que participa da concorrência para fornecer 5 fragatas Type 31e para a Royal Navy – RN.

Fomos recebidos pelo Sr Juan Portillo, Gerente Sênior de Vendas para Navios de Guerra que nos apresentou o Sr Kåre Christiansen, CEO da Odense Maritime Technology – OMT, para falar sobre o navio.

Desenvolvido a partir da fragata OMT Iver Huitfeldt, o Arrowhead 140 baseia-se na experiência operacional anterior da OTAN, proporcionando um eficiente projeto com um layout adequado. Seu design inteligente permite incrementar a capacidade operacional cumprindo os requisitos globais de segurança marítima e capacitando a RN, a representar seus interesses de defesa em todo o mundo.

Fragata OMT Iver Huitfeldt

O Sr Kåre Christiansen enfatizou a importância do design do projeto Arrowhead 140, pois permite uma grande variedade de configurações de sistema de missão, atendendo diferentes necessidades operacionais. Perguntado se o preço do navio, devido ao seu deslocamento ser de 5.700 toneladas, não acabaria sendo maior do que o seu concorrente, Christiansen disse que o tamanho e o peso não fazem com que o navio fique mais caro, ao contrário, neste caso por ser maior, tem um conceito de construção mais simples do que navios menores com os mesmos sistemas eletrônicos e de armas instalados a bordo.

Ainda sobre o deslocamento / tamanho, ele disse que o tamanho do navio possibilita uma manutenção mais barata durante seu ciclo de vida, pois a manutenção de navios maiores em comparação com navios menores, fica mais barato porque tem maior accesibilidade aos sistemas e facilita as tarefas de manutenção, sem contar que a fragata Arrowhead 140 fornece muito mais conforto para a tripulação pelo mesmo custo de muitos navios menores, e que em sua opinião, isso é uma vantagem para um navio que irá operar globalmente. Perguntado sobre a capacidade de manter a velocidade de 29 nós que a RN deseja para a futura fragata Type 31e, Christiansen  informou que devido a hidrodinâmica do projeto, mesmo tendo um deslocamento maior do que o concorrente, ele consegue sustentar a velocidade requerida pela RN.

O Arrowhead 140 foi projetado para fornecer maior capacidade e menor custo (aquisição e manutenção), através da construção modular e sistemas comprovados e disponíveis comercialmente e equipamento ativos orgânicos ou não, o que da ao navio total capacidade de conduzir operações ofensivas e defensivas, com um sistema de missão que gerencia um conjunto de sensores e comunicações associadas, fornecendo consciência situacional essencial para a operação do navio.

A Arrowhead 140 irá empregar a tecnologia iFrigateTM da Babcock, para reduzir os custos de suporte durante seu ciclo de vida. O projeto desta fragata possibilitará a RN utilizar o navio em uma ampla gama de funções, desde operações de segurança de baixa ameaça até implantações de força-tarefa, garantindo que continuará sendo uma opção confiável e capaz.

A flexibilidade é um elemento central da filosofia de design do Arrowhead 140

Devido ao seu tamanho, a capacidade de guerra anti-submarino pode ser facilmente incorporada durante sua construção ou durante sua vida operacional, utilizando a grande área disponível a ré onde cargas úteis re-configuráveis, fornecem esta flexibilidade, além da capacidade de implantar e operar aeronaves não tripuladas.

O Babcock Team 31

A Babcock criou a equipe Team 31 com empresas de ponta na área de construção de navios militares, onde cada um tem uma função específica no projeto Arrowhead 140, totalmente integrados e sediados em Bristol.

  • Babcock – Prime Contractor, projeto de navios, construção, montagem, integração de plataformas e comissionamento em Rosyth;
  • Thales – Integrador de Sistemas de Combate, sistema de gerenciamento de combate, projeto de equipamento, construção e integração;
  • OMT – Projeto de plataforma para o projeto linha de base comprovado e em serviço;
  • BMT – Projeto de navios e suporte técnico;
  • Harland and Wolff – Capacidade de construção de blocos com expertise em construção naval e instalações versáteis e
  • Ferguson Marine – Capacidade de construção de blocos com experiência em construção de navios comerciais e instalações versáteis.

Arrowhead 140 da Babcock concorre contra a Leander da Bae Systems

THALES

A incorporação do sistema TACTICOS da Thales, com arquitetura totalmente aberta, é um importante diferencial no sistema de combate da Arrowhead 140. Atualmente em serviço há 25 anos e exportado para 24 Marinhas em todo o mundo, esse sistema estabelecido e o pacote de suporte de equipamentos em serviço é flexível atendendo as necessidades da RN durante a vida útil da plataforma. A abertura certificada e a escalabilidade da arquitetura subjacente estão no centro do TACTICOS.

Graças à sua modularidade, o Sistema de Gerenciamento de Combate pode ser facilmente expandido para incluir perfis de missões adicionais, como o Anti-Guerra Aérea (AAW) ou o Anti-Submarino Warfare (ASW). Isto é conseguido através da instalação dos subsistemas necessários e do software, que tem um novo lançamento a cada seis meses fornecendo evolução contínua e aumento da funcionalidade.

CIC com CMS TACTICOS da Thales em um navio da Marinha da Grécia

O design do projeto permite que sistemas e equipamentos sejam adaptados a missão que a RN desejar implantar o navio dando a flexibilidade necessária para o cumprimento da missão.

Armamento

O navio terá como armamento um canhão de 5″ (127mm), um lançador VLS Mk41 com 32 células que pode lançar mísseis VL (SAM / SSGW / Land Strike / ASW), além de armas de baixo calibre para ameaças assimétricas.

O navio operará como uma empresa com menos de 100 funcionários, neste caso, tripulação. Com acomodações dedicadas para mais de 160 pessoas e acomodações temporárias adicionais, o navio pode transportar um número significativo soldados de Forças Especiais, tropas de manobra no litoral ou pessoal adicional de comando e controle.

Em seu amplo convoo, a RN poderá operar com um helicóptero orgânico como o AW-101 Merlin, instalar sensores como um sonar de profundidade variável e receber containers com sistemas para aeronaves remotamente pilotadas.

A Royal Navy busca com essa concorrência, um navio pronto para cumprir tarefas como, vigilância marítima, interdição, ações anti-pirataria, ajuda humanitária, suporte a grupos tarefas e guerra anti submarino.

O Babcock Team 31 com o know-how que possui, analisou que o mercado de exportação de fragatas de emprego geral está crescendo. Os países estão buscando melhorar sua capacidade com fragatas multifunção e assim lidar com múltiplas ameaças em seus domínios marítimos, e a fragata Arrowhead 140 é uma forte concorrente neste segmento.



 

2 Comments

 

  1. 07/11/2018  10:50 by marcos.poorman Responder

    Um sonho. O CM mais a comitiva andando lá pelas bandas do Reino Unido com o presidente num estaleiro...
    - "Porra, olha que belezinha";
    - O presidente vira para o CM: "Bacana demais, umas três já quebra um galho?";
    - "Sim, Sr.Presidente";
    - Volta-se o presidente para o vendedor: "Quanto custa?" e recebendo prontamente a resposta toma a decisão.
    - Finda o sonho com as clássicas perguntas do vendedor: "Embrulha para presente?" e "É no débito ou no crédito."

  2. 07/11/2018  7:14 by Socrates Pereira Responder

    Eu adoro esse navio, se eu fosse presidente do Brasil iria atrás dessa empresa e faria uma parceria. Até onde eu vi são bem modernas, armadas e boa tonelagem (gerando boa estabilidade e capacidade para futuras modernizações) e com ótimos preços em relação ao produto. Enfim, Arrowhead 140 é um excelente navio em relação ao preço e que aparentemente atenderia muito bem as necessidades do Brasil. No caso do Reino Unido, não sei o que a BAE fará para tentar competir com esse navio, pois o navio da BAE (leander) tem um tonelagem bem menor, ainda não existe de fato, sem falar a capacidade de armas, até parece um navio de porte diferente, por fim, acho que não faria bem ao Reino Unido entregar mais um contrato a BAE. Enfim, tanto no caso inglês quanto no nosso o arrowhead é um ótima opção, especialmente na relação produto x preço.

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