Em entrevista ao JB, representante da Defesa explica benefícios da parceria com a Suécia

Gripen FAB2

Por Ana Siqueira

clippingAlém de reforçar a frota aeronáutica nacional, a compra dos 36 caças Gripen NG da sueca Saab irá se refletir em capacitação tecnológica para engenheiros brasileiros e, a longo prazo, garantia de retorno financeiro ao país. Isso porque o acordo prevê a ida de 347 profissionais da Embraer e de outras empresas nacionais à Suécia para acompanhar a produção das aeronaves e determina que os royalties recolhidos a partir de futuras exportações também passem a beneficiar o Brasil. A Força Aérea Brasileira (FAB) ainda se favoreceu da desvalorização da coroa sueca desde que o acordo foi fechado, garantindo uma economia de quase US$ 1 bilhão.

Membro da comitiva que acompanhou a presidente Dilma em sua viagem à Escandinávia, o brigadeiro José Augusto Crepaldi, diretor do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, falou com exclusividade ao JB sobre os benefícios do contrato e sinalizou para futuras parcerias com a Suécia na área espacial. “O Gripen é um avião com muito atrativos. É a aeronave mais moderna da atualidade e tem um custo de ciclo de vida muito baixo. Teoricamente são 30 anos sem pensarmos em comprar avião, mas eu apostaria em 50. Essa é uma decisão de 50 anos, que teve muito critério para ser feita”, comemora.

Para o brigadeiro, entretanto, a aquisição dos aviões da Saab é apenas o resultado de curto prazo com a Suécia. O diferencial, na sua avaliação, está na presença dos engenheiros brasileiros durante diversas etapas de produção. “Eles vão participar do desenvolvimento da aeronave, que é o que nos interessa. O Brasil já domina a tecnologia de apertar parafuso e dobrar lata, não é a toa que temos a terceira maior produtora de aeronaves do mundo, a Embraer. Mas os engenheiros e técnicos estarão lá por quatro ou cinco anos exatamente para absorver o que não sabemos. Essa é a única maneira que você tem de absorver tecnologia”, afirma.

O próximo passo é voltar ao Brasil para replicar o que foi aprendido. E isso será feito imediatamente, segundo Crepaldi, por meio da manutenção dos caças em uma planta de Embraer destinada exclusivamente a aeronaves militares em Gavião Peixoto, perto de Araraquara (SP). A longo prazo, ele afirma que o conhecimento adquirido trará retorno financeiro à indústria brasileira. “Além disso, passaremos a ter direito sobre os royalties de todo Gripen NG que for exportado. E nós também temos um acordo de cooperação na área de marketing mundial do avião”, explica o brigadeiro.

Uma das oportunidades futuras está na Finlândia, país que também fez parte do roteiro da presidente Dilma durante esta semana. De acordo com Crepaldi, o país foi autorizado a iniciar o processo de compra de um novo caça e, mesmo que o assunto não tenha sido abordado pelos governantes durante a visita, a indústria brasileira responderá por parte das exportações de peças e serviços caso o país opte pelo modelo Gripen NG.

Com desvalorização da coroa sueca, Brasil economiza US$ 1 bi

saab gripen

O Brasil ainda foi beneficiado pela desvalorização da coroa sueca frente ao dólar, que no ano já soma mais de 12%. Isso porque o contrato, assinado em outubro de 2014, foi feito nessa moeda. Na época, o montante equivalia a US$ 5,4 bilhões; hoje, gira em torno de US$ 4,5 bilhões. A economia de quase US$ 1 bilhão, segundo explica Crepaldi, não tem um destino específico. “A peça orçamentária é única. Isto é, o orçamento que o governo manda é feito para atender a todo o poder Executivo naquele ano. Então se eventualmente em um planejamento de ‘x’ você tem uma economia de ‘y’, isso entra no cálculo orçamentário do governo como um todo”, esclarece.

Na opinião do brigadeiro, a variação cambial sempre é um risco em contratos internacionais, mas realizar orçamentos em moeda local é costumeiro para que não haja disparidades com a composição de custos de cada empresa, geralmente realizada na divisa de seu país de origem. No entanto, para que se pudesse comparar as ofertas das três companhias envolvidas na concorrência em 2008 – uma francesa, uma norte-americana e a sueca Saab – o governo brasileiro converteu todos os valores para dólares.

No que diz respeito ao financiamento do acordo de compra dos 36 caças, as negociações se deram entre o Ministério da Defesa brasileiro e o banco de fomento SEK, da Suécia. Como resultado, se firmou uma taxa anual de juros de 2,19%, frente aos 2,54% inicialmente acordados.

Compra dos Gripen dá dimensão tecnológica a relações Brasil-Suécia, afirma Crepaldi

Durante a entrevista, o representante do Ministério da Defesa ainda afirmou que o contrato da aeronave Gripen empresta à parceria entre Brasil e Suécia uma “dimensão muito mais tecnológica”. De acordo com ele, o acordo demonstra o interesse das duas nações nas parcerias estratégicas a longo prazo. “O simples fato de Dilma ter ido com uma comitiva tão significativa à fábrica da Saab e de ter conversado com os engenheiros brasileiros que lá estão e suas famílias é uma mensagem da importância que a gente dá para esse programa”, explica.

Para Crepaldi, o interesse é recíproco. Ele pontua que a foto da presidente brasileira entrando na aeronave da Saab foi capa de quatro jornais da Suécia. Em paralelo, os dois governos fizeram uma reunião denominada high level group para definir grupos de trabalho sobre aeronáutica. “Ela foi importante porque estabeleceu áreas principais e assegurou que a gente começasse a expandir a cooperação. Pelo número de pessoas que estiveram presentes, vimos o interesse dos suecos nessa cooperação”, conta.

Sede da Saab em Linköping

Sede da Saab em Linköping

Por parte da Suécia estiveram no encontro, dentre outros representantes, os secretários de Estado da Defesa e da Tecnologia e Inovação, o comandante da Força Aérea Sueca e o vice-presidente da Saab. Os representantes do Brasil foram o comandante da FAB, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato; a presidente do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro, em São Bernardo do Campo (SP), Alessandra Holmo; e o presidente da Embraer, Jackson Schneider – além do próprio brigadeiro Crepaldi, representando o Ministério da Defesa.

FONTE: JB

ARTE: Gino Marcomini (www.oxigino.com)

 

28 Comments

 

  1. 27/10/2015  8:28 by Larri Gonçalves Responder

    Possivelmente não entraremos em guerra com países nórdicos, mas o mundo dos negócios é globalizado e o Gripen é um pouco de cada origem, portanto sempre haverá outros interesses por trás de um investimento com outros parceiros, sei que é caro desenvolver sozinho, bem como produzir sensores, aviônicos, turbinas, em enfim um caça sozinho, e mesmo produzindo sozinho, ainda existe o raio da produção em escala somente para um usuário encarece demais, mas um país que quer fazer parte do Conselho de Segurança e aspira ser uma potência precisa apreender a conviver com custos elevados para P & D na defesa, pois aí reside sua segurança; no mundo ideal esses recursos deveriam ser investidos em educação, saúde, segurança Pública, infraestrutura, enfim um monte de áreas que redundam em benefícios imediatos para o cidadão, mas vivemos num mundo real e um conflito para um país com os recursos que o Brasil dispõem pode ser imediato.

  2. 26/10/2015  16:38 by Paulo Moraes Responder

    Torço muito para o NAe A12 volte logo de seu "coma", ou qualquer outro seja adquirido. Seria mais uma forma de impor e manter o desenvolvimento do Gripen.
    O que os concorrentes apostaram, principalmente a SAAB, foi a necessidade da FA repor a aposentadoria dos Mirrage, dos AMX e dos F05, o que levaria a encomenda para 120 caças. Se for considerada a Marinha, serão mais 24 caças. Se forem duas esquadras... ("Se", "se", "se", é lastimável)

    Só os EEUU, Rússia e China tem condições plenas de manter uma indústria com esta escala de produção. A França mantém às duras penas. O Typhon só tem vida garantida por ser uma consórcio rico europeu.
    Agora, a Suécia com esta proposta de caça "popular". Ainda assim, também porque tem muitas indústrias poderosas envolvidas (Boeing, BAE Sytem, etc).

    O tempo de vida da indústria do Gripen aqui no Brasil vai necessitar de criarmos mais clientes/parceiros aqui na América do Sul. Vejam o caso do AMX, tendo só Brasil como cliente. Isso, sem comentar o Osório, Astros 2000, entre outros. As empresas estão observando tudo isso, e não vão manter investimentos além do tempo de vida útil.

    O difícil vai ser os EEUU e Europa perderem ou diminuir sua tradicional área de influência aqui na América do Sul. O maior concorrente do Gripen NG vai o ser o F16 (se necessário, o Viper). Ele está sendo "preparado" também para isso.

    Outra coisa que espero estar sendo tratado é sobre a elevada quantidade de equipamentos estrangeiros (não suecos) no Gripen. Deveria ser melhor esclarecido os planos de pesquisa e desenvolvimento alternativos a estes equipamentos e sistemas. Estão se falando muito do corpo do caça, (que é importantíssimo, lógico!), mas pouca se fala da alma.

    Esperasse que, em paralelo, esteja sendo analisado o desenvolvimento de vários componentes, ainda que seja impossível conseguirmos 100%. Se desenvolvermos 60% de domínio nos 36 iniciais, poderá ser muito bom. A França não fabrica 100% do Rafale, por exemplo. A China também não dos seus. Então...

    O que não pode acontecer é fabricarmos 40% ao final dos 36 caças, e terminarmos construindo 41% ao final dos 120.

  3. 25/10/2015  23:43 by Gilberto Rezende-Rio Grande/RS Responder

    Voltando a falar só do Gripen a tal da planta de montagem de Gripen em Gavião Peixoto só vai RESULTAR em alguma coisa de ÚTIL se após produzir esta encomenda inicial de 36 unidades o governo, o ministério da Defesa forem CAPAZES de manter a linha de produção ABERTA com ENCOMENDA de novos lotes para a FAB e aviões Sea Gripen para a MB.
    SE não houverem novos lotes para a FAB depois da encomenda INICIAL do F-X2 e não houver o desenvolvimento e encomenda do Sea Gripen para a MB para manter a linha de produção ATIVA pelo menos nas próximas 3 décadas (das tais 5 décadas chutadas pelo Brigadeiro) o custo e o esforço de absorção tecnológica acabará desperdiçado pelo ralo da omissão.

    • 26/10/2015  9:34 by Celso Responder

      Esta sim eh a observacao correta de toda esta entrevista.......vc escreve exatamente do futuro e de suas provaveis consequencias nefastas no todo se nao houver continuidade. Podera ser mais uma oportunidade jogada na lata do lixo por nossos governantes mediocres....tomara q nao. Sds

    • 26/10/2015  15:48 by Gabriel Responder

      EXATO!

  4. 25/10/2015  20:25 by Leonardo Rodrigues Responder

    Desta vez não adquirimos somente direitos e subs, estamos adquirindo capacidade e estrutura para tal. Antes era somente discurso.

  5. 25/10/2015  20:08 by Ze Abelardo Responder

    Quero ver arrumar alguém para comprar o Gripen E por 100 milhões em 2025, com o F35 há 90 milhões, T50 e J31 no mercado.

    • 26/10/2015  5:07 by Topol Responder

      Sei não se vai baixar viu Zé,... Canadá pulou fora, apesar de ser coprodutor o fato de não adquirir nenhuma unidade certamente impactará no preço, USAF diminuindo as encomendas, Boeing emplacando mais Super Hornets tipo Growler na Navy, problemas sem solução infindáveis... a coisa está imprevisível ainda mais a tendencia é o preço manter ou subir ainda mais se mais alguma nação do consórcio pular fora ou as que ficarem diminuírem sseus pedidos.

    • 26/10/2015  9:32 by Celso Responder

      o problema nem sempre eh preco, mas o q vc busca dentro de seu orcamento....tem pra todos os gostos...mas querer comparar T50 ,J31 c F35...ai nao da hemmm...classes distintas e usos idem.........nem sempre o mais caro ou o mais barato dao conta da necessidade.

  6. 25/10/2015  20:05 by Larri Gonçalves Responder

    O importante é investir em P & D nacional o mais pura e independente possível, pois depender de terceiros para a defesa é brincadeira de mau gosto, afinal em caso de conflito com uma nação sócia de uma empresa brasileira o que ocorrerá? Mesmo que demore muitos anos e nosso equipamento, anida assim não seja top de linha, mesmo assim é nosso e nós teremos os meios para manter, atualizar e empregar segundo nossos critérios. A grana é curta, mas mesmo assim é importante desenvolver tecnologia militar nossa, sem depender de terceiros.

    • 26/10/2015  15:46 by Gabriel Responder

      Não existe a minima possibilidade de entrarmos em guerra com a Suécia , por isso eu defendo que nossa parceria principal deve ser com Suécia e demais países nórdicos

  7. 25/10/2015  19:51 by César Pereira Responder

    Bem espero que a tecnologia comprada junto aos suecos,seja melhor utilizada , e não ocorra oque aconteceu com a tecnologia alemã de submarinos IKL adquirida anos atrás, naquela ocasião disseram que poderíamos até ser exportadores de submarinos e isso e aquilo, mas a realidade se mostrou diferente ! Espero que dessa vez seja diferente !

    • 25/10/2015  20:06 by Ze Abelardo Responder

      Me mostre um caso de um país que "comprou" tecnologia de fabricação de submarinos, os projetou por conta própria e os exportou depois.

      • 25/10/2015  21:41 by César Pereira Responder

        Meu caro Zé Abelardo o fato de outros países terem desperdiçado o dinheiro do contribuinte, não justifica que devemos fazer o mesmo ! É como diz aquele ditado:
        _ Se alguém pular no buraco você pularia junto ?
        Eu uso o verbo comprar para demonstrar, e ficar claro que nenhum pais esta dando nada ao BRASIL, nós estamos é comprando mesmo !

  8. 25/10/2015  16:30 by Gabriel Responder

    Investir em tecnologia aeroespacial é gerar empregos de qualidade e garantir a soberania .

    • 25/10/2015  20:04 by Ze Abelardo Responder

      Investimento privado em tecnologia aeroespacial é gerar empregos de qualidade.

      • 26/10/2015  15:44 by Gabriel Responder

        Sim, mas em países agrários como o nosso o Estado tem que participar ...um satélite militar ou avião de combate por exemplo surge a partir da demanda do Estado pelo mesmo

  9. 25/10/2015  15:08 by filipe Responder

    Proteger um País tão vasto com um MONO-MOTOR ou MONO-TURBINA é muito arriscado, ainda por mais de 40 anos, num dogfigth nem vai dar muito trabalho, é só acertar em 36 Turbinas e a Força Adversaria aniquila toda uma Frota, nesse caso 3 Esquadras, é muito arriscado mesmo. Deveria ser um mix de Gripen e Super Hornet,nesse caso um compensaria o outro.

    • 25/10/2015  18:30 by _RR_ Responder

      Filipe,

      No que diz respeito a combate aéreo, é virtualmente irrelevante ser mono ou bimotor...

      Num dogfight, uns três acertos de projéteis de 30mm HEI já é suficiente para derrubar qualquer aeronave de caça. As vezes, um único impacto em uma área vital já é o suficiente... E se estivermos falando dos novos mísseis de quinta geração, então importa menos ainda...

      Apenas em aeronaves que se destinam a combate a baixa altura, ter dupla motorização poderia ser significativo. E mesmo assim, isso é relativo... Dependendo da atitude da aeronave no momento do acerto, é impossível recuperar-se a tempo... E seja como for, a tendência dos combates atuais e futuros é que aeronaves como Gripen ataquem alvos no solo a média altura, estando fora do envelope de armas de cano e MANPADS ( mísseis de ombro ). Daí que a média altura, elas serão alvos de mísseis pesados, cuja a deflagração da cabeça de guerra será suficiente para pulverizar qualquer aeronave; mesmo que a certa distância... Só pra se ter uma ideia, a detonação da ogiva de um míssil do sistema SA-2 a cerca de 70m já era suficiente para derrubar um caça como um F-4 Phantom...

      A rigor, entendo que dupla motorização é algo que se adota quando se quer compensar o peso através de potencia extra; o que é próprio de aeronaves maiores, como o Flanker ou F-15, ou se busca algum desenho específico dentro de limitações físicas específicas, como no caso do Rafale ou Typhoon ( que, se fossem dotados de um único motor, seriam provavelmente tão rechonchudos quanto o F-35 )... Enfim, eu realmente não creio que haja qualquer necessidade maior de uma motorização dupla para aeronaves de caça de até umas dez toneladas, salvo situações bastante específicas... A confiabilidade dos motores hoje alcançou um nível extremamente elevado pelos dias de hoje. Tanto que a espinha dorsal da maior parte das forças aéreas tenderá a ser formado por monomotores...

      E depois, dois motores pra usar, significa dois motores pra beber e pra gastar...

      • 26/10/2015  9:30 by Celso Responder

        RR......sempre atingindo em cheio c seus comentarios.....muito bem explicado na medida do possivel......mas nunca esquecer q o fator humano ainda eh o principal..... Sds

    • 25/10/2015  20:03 by Ze Abelardo Responder

      Antigamente, quando era baixa a confiabilidade dos motores, havia aquela conversa da segurança relacionada aos caças com dois, especialmente navais. É a primeira vez que ouço isso com relação a qualquer espécie de combate aéreo. Considerando que os dois motores da maioria dos caças estão juntos, não entendi o raciocínio.

  10. 25/10/2015  13:44 by carlos Responder

    VIDEO do abate site --JORNAL MIDIAMAX 25/10/2015--

    • 25/10/2015  14:21 by Luiz Padilha Responder

      Carlos, o DAN vai aguardar a versão da FAB. Nem o vídeo mostra algo tão contundente quanto o relato da pessoa que filma. Ou seja, prefiro esperar. De qualquer forma obrigado pela dica.

  11. 25/10/2015  13:31 by Alexandre Responder

    Gente, vcs tem que entender o contexto, logico que um caca novo vai operar no minimo por 30 anos, sendo bastante razoavel pensar em 40 anos de uso, e so observar a idade dos cacas F15, F16 e F18 dos EUA, a maioria deve estar com cerca de 30 anos e nao serao substituidos nos proximos 10 anos, haja vista que o seu provavel substituto e o F35 que ainda sequer esta 100% homologado, ou seja, ainda esta em fase de teste de aceitacao, com isso veremos a espinha dorsal das forcas americas com 40 anos de uso tranquilamente.
    A questao sobre a possivel compra de um caca stealth pela FAB nos proximos anos nao sera dita neste momento, vai depender de varios fatores como o desenvolvimento da economia, a racionalizacao dos gastos nas nossas FAAs e ate mesmo o fim das famosas pensoes ed eternum dos militares que esta prevista acontecer por volta de 2030 se nao me engano.
    Como pode um brigadeiro falar sobre um horizonte que acontecera daqui a 30 anos??? ele vai estar vivo ate la??? talvez, vai estar no comando?? com certeza nao. Qual sera a geopolitica nos proximos anos??? E se paises como a Venezuela comprar cacas stealth Russos PAK FA??? E se tivermos uma ditadura bolivariana na Venezuela nos proximos anos como parece que esta acontecendo???
    E se a Inglaterra resolver militarizar o atlantico sul estacionando cacas F35 nas Malvinas e em outras bases do atlantico??
    Que tipo de governo teremos nos proximos anos, de esquerda, de direita, entreguista, nacionalista???
    Todas essas perguntas nos garantem que nao e possivel fazer qualquer previsao sobre o que vai equipar nossas forcas nas proximas decadas, hoje somos pacificos e nao vemos muitas ameacas, mas amanha a realidade pode ser outra.

    • 25/10/2015  19:21 by _RR_ Responder

      Alexandre,

      Concordo absolutamente que é impossível ver todo o quadro de uma situação... Mas o que diz o brigadeiro tem certa lógica...

      Se observarmos bem o que vem ocorrendo atualmente, é possível prever, com certo grau de segurança, que daqui a uns quarenta anos não haverá considerável diferença com relação aos vetores operados pelas forças aéreas em relação ao que está sendo posto hoje em serviço... Na verdade, a esmagadora maioria das forças aéreas estão se reequipando com caças derivados da quarta geração, e apenas uma parcela destas está se equipando com aeronaves de quinta geração ( e dará pra contar nos dedos aquelas que terão esses caças em quantidade significativa ), e a tendência é que continue assim.

      Sinceramente, penso que até 2050, o que veremos na esmagadora maioria das forças aéreas será um mix de versões atualizadas de aeronaves projetadas no final dos anos 80 até inicio dos anos 2000, com apenas uma diminuta parcela de aeronaves mais novas... Se pensarmos que ainda hoje opera-se F-16, F-15, Flanker, que são conceitos dos anos 70, e que tem forças aéreas ( inclusive potências ) se reequipando em quantidade com novas versões dessas aeronaves, então não é nenhum absurdo pensar que ainda serão a espinha dorsal da maioria das FAs daqui a 30 anos, e com uma boa perna ainda pela frente...

      E mais; o ponto focal de minha analise: as forças aéreas estão fazendo os seus reequipamentos em quantidades que prevê números MENORES em relação a seus inventários atuais... Pode se dizer que não há hoje força aérea que esteja efetivamente se expandindo em números. Mesmo a poderosa USAF estará diminuindo... E assim o é, em parte, pelo custo cada vez mais elevado das aeronaves de caça; algo que vem se mostrando imutável... Também está relacionado a outros fatores, tais como a tendência da expansão de guerras assimétricas para os próximos anos, que exigirá mais aeronaves como UAVs de ataque, e não caças tripulados avançados...

      Em outras palavras, uma aeronave como o Gripen, na quantidade pretendida pela FAB, deverá bastar pelo menos pelos próximos 30 anos, desde que atualizada e devidamente armada... Até pode ter havido um pouco de exagero da parte do brigadeiro, mas acredito piamente que no máximo uns cinco esquadrões completos dessa máquina serão suficientes para as necessidades atuais e dentro do futuro previsível.

      Há também um outro ponto específico: a evolução da aeronave de caça tripulada como conhecemos está claramente chegando ao seu limite evolutivo. A tendência é que as próximas aeronaves destinadas ao combate transcendam o limite do ser humano. E assim provavelmente o será por conta do acumulo de informações necessárias para levar a termo o combate, que estará além da capacidade de absorção humana. Há também a performance física das aeronaves, que tenderão a estar além do que suporta o humano. Em suma, daqui a quarenta anos, provavelmente não precisaremos de caças. Provavelmente precisaremos de UAVs de grande performance eletrônica e física, que atuarão além do limite do corpo humano...

      Saudações.

    • 26/10/2015  9:27 by Celso Responder

      Alexandre, so para vc ter m quadro um pouco mais claro....um pais tal qual sua populacao nao se faz da noite para o dia.......se vc nao deixar muito claro quis sao as sua metas para o futuro e investir firmemente nisso para atingor objetivo, estara desperdicando integralmente seus recursos e deixando o resulto disso para as geracoes futuras.....este eh um erro grasso de nossos governantes e populacao em geral q visam o curto e medio prazo, geralmente curtissimo prazo c resultados desastrosos...nao eh a toa q o Brasil eh sempre o pais do futuro, futuro q nao chega nunca. Um exemplo de uma politic correta e bem direcionada independentemente de quem esta a frente do governo eh a China. A mais de 50 anos estabeleceram metas e as vem cunprindo c seriedade e somente c correcoes pontuais. Eh isso q muitos nao entenderam nesta entrevista......mas esta implicito neste contexto.....infelizmente, nao somos nos q usufruiremos de seus resultados, mas c certeza nossos filhos e netos....vamos torcer para q nao haja desvios catastroficos.....rsrsrrsrs Sds

  12. 25/10/2015  12:47 by Gabriel Medeiros Responder

    O que ele quis dizer é que a FAB vai operar o gripado e/f por 50 anos, mesmo que o Brasil se meta no fs 2020 a FAB terá dificuldades financeiras de ter algo melhor, talvez um lote de 5 g lá pra 2040 e o segundo para 2050 e o terceiro em 2060 , por isto faz sentido a fala de 50 anos de operação.

  13. 25/10/2015  12:24 by Diego Responder

    Crepaldi afirma que os Gripens E/F vão voar na FAB por 50 anos... tudo bem, vão ser 3 lotes de 36 (suponho) com um espaço de 20 anos entre a entrada do primeiro caça do primeiro lote e a entrega do ultimo caça do 3º e ultimo lote.... a unica explicação plausível é essa!
    Na suecia nossa presidente entrou em um gripen em construção... seria aquele o primeiro prototipo... se for esta um pouco atrasado em sua finalização, sendo que a promessa seria de um voo no inicio de 2016 ( daqui 2 meses).... enfim, um abraço a todos!

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