Comandante do Exército afirma que papel das Forças Armadas é garantir a democracia

Por João Domingos

O comandante do Exército, general de Exército Eduardo Villas Bôas, diz que não há caminho a não ser o respeito à Constituição para que se resolva a crise política do País. “Nada fora da Constituição. As instituições é que vão ter de buscar essa saída.” Sentado em um sofá em seu gabinete no quartel-general do Exército, em Brasília, tendo à frente um grande quadro do Duque de Caxias, do coronel pintor Estigarribia, o general recebeu este repórter e falou do papel das Forças Armadas no atual momento, da preocupação com a falta de líderes e da esperança de que a próxima eleição os traga de volta, com base em novos campos de pensamento que possam nos apontar soluções.

O papel do Exército e das Forças Armadas. “O Exército é uma instituição de Estado. Não é ligado a governos. Por consequência, nós, o Exército, estabelecemos como doutrina, e como eixo de atuação, que vamos nos preocupar com a manutenção da estabilidade, não criar nem provocar movimentos que gerem alguma incerteza e alguma instabilidade. Entendemos que o essencial é que as instituições encontrem os caminhos para a solução dos problemas, em nome da sociedade. Diz o artigo 142 da Constituição que Marinha, Exército e Aeronáutica são instituições nacionais permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob coordenação do presidente da República, destinadas à defesa da Pátria, à defesa das instituições e, por iniciativa de uma delas, à garantia da lei e da ordem. Nosso dever é sempre preservar a democracia e garantir o funcionamento das instituições. É assim que a sociedade nos vê, o que nos torna a instituição de maior credibilidade no País. Não focamos o curto prazo. Focamos o longo prazo, a continuidade.”

Preocupação com a crise. “Assim como atravessamos o impeachment da presidente Dilma Rousseff, estamos enfrentando esse momento. É lógico que, como qualquer instituição, sofremos as injunções decorrentes da crise. Nos preocupam as consequências de caráter econômico que podem afetar, em termos de orçamento, os nossos projetos. Essa é a questão que mais nos preocupa.”

O Brasil atual. “Tenho dito que o Brasil é um país sem projeto, um país à deriva, não de agora, mas de algum tempo – quero esclarecer, porque disse em outra entrevista e interpretaram como uma crítica minha ao atual governo. O Brasil perdeu a coesão social, perdeu o sentido de projeto e a ideologia do desenvolvimento. O País está muito preso ainda a dogmas políticos e ideológicos que não têm capacidade de interpretar o mundo atual, um mundo totalmente interligado, com cadeias econômicas transnacionais. Interpretações com base ainda em luta de classes não cabem, porque patrão e empregado não estão mais em campos opostos, mas no mesmo campo. Veja que um marca-passo que a pessoa coloca é monitorado da Alemanha; uma turbina de avião, quando o avião decola, é monitorada do Reino Unido. Essas xenofobias, esses fracionamentos, são contraproducentes, nos aprisionam e nos impedem de evoluir.”

Eleições de 2018. “Tenho esperança de que a próxima eleição dê oportunidade de que novas lideranças, com base em novos campos de pensamento, possam nos apontar soluções. Um grande mal que acho que nós estamos vivendo é a falta de lideranças. Toda nação, quando em crise, vê surgir líderes com estofo para apontar caminhos novos. Nós tivemos, por exemplo, Margareth Thatcher no Reino Unido, Ronald Reagan nos Estados Unidos, quando os Estados Unidos entravam numa crise séria, o Emmanuel Macron, agora, na França, que teve capacidade de interpretar a realidade e apontar um novo caminho. Acredito que é um processo natural que deve acontecer conosco. É a esperança que tenho em 2018.”

FONTE: O Estado de São Paulo

 

14 Comments

 

  1. 16/07/2017  11:19 by Carlos

    Claro senhor general. Nossos (pelo jeito não seus) inimigos lutam FORA da constituição, mudam a constituição ao seu prazer, estupram a constituição. E vocês (não nós) respeitam essa dama de programa cheia de emendas, medidas provisórias etc chamada constituição. Continue defendendo essa prostituta sr general. É mais fácil.

  2. 16/07/2017  12:14 by Adriano Luchiari

    Se eu interpretei bem o texto, a maior preocupação do general é com a continuidade dos seus (EB) projetos e como a crise político-econômica pode afetar a manutenção de seu status quo no longo prazo. Seu dever é preservar a democracia e o funcionamento das instituições, não importa se elas funcionem contra os interesses legítimos da nação e da maioria dos brasileiros decentes e pagadores de impostos.

  3. 16/07/2017  12:27 by Celso

    Prezado Carlos, so um complemento a sua opiniao.....mudam, estupram e outros adjetivos nao publicaveis. Pior mesmo erh o qfazem ditos togados do STF e seus pares do STJ,STE q da mesma forma a interpretam como lixo e a bel prazer deturpando a ordem constitucional e da justica em geral. Se isso nao se constitui em verdadeiros golpes a carta magna entao nao sei mais o que eh a dita democracia e a repetetida manipulacao das tais urnas eletronicas. Escarnio total neste pais......Brasil, pais de tolos

  4. 16/07/2017  15:02 by BrunoFN

    Com o Pais na lama caos social classe politica totalmente comprometida e corrupta .. guerra civil a nossa porta .. e tantas outros problemas q a mt ja se passou do tolerável .. e como ja foi falado nossa constituição a mt ja foi ''destruida '' cheia de brechas e ''emendas'' a bel prazer .. de uma classe sem nenhum tipo etica q ri da nossa cara .. e tudo mais ...ficamos sujeito a isso .. esse ''lavo minha mão'' ... ''n e problema nosso'' ... '''vote direito''' .. ''exercito n e polícia'' ... etc etc .. ate entendo q um intervenção hj e a pá de cal no q restou da nossa economia .. ou ''ordem'' democrática .afinal nossa democracia e ''jovem'' ,essa e uma fase ''rebelde''.. ''povão tem q aprender na marra'' e entre erros e acertos / o tal do politicamente correto nos destroi dia a pos dia ..... entre moral e imoral e dado nosso contesto atual q o pais vive .... queria saber diferenciar o ''dever' pra '''covardia'' .. as x um discurso mais duro poderia servir pra tirar da zona de conforto .. certos políticos .. mas isso e o Brasil ...

  5. 16/07/2017  16:14 by FXE

    Concordo com Sr carlos passam por cima da constituição,e eles os militares ficam calados quando convém, e depois vem com esse discurso de defensores da democracia faça-me o favor me poupe desse discurso demagogo

  6. 16/07/2017  20:18 by Leonardo Corrêa De Araújo Passos

    Senhores é necessário humilhar? Não basta vencer a crise política é preciso tirar a capacidade de sonho, de direitos dos "vagabundos", pois isso é garantia da tão certeza e estabilidade "dos turistas"? A filha da minha empregada doméstica jamais pode competir de igual a igual com a minha caçula, principalmente quando estiver em jogo seus direitos?
    A angústia da instabilidade e incertezas provocado por uma certa "competitividade" gera um sofrimento muito grande, medo e até ódio social, que assistimos.
    Esse ódio provoca o mal-estar em nós.

  7. 16/07/2017  20:36 by Adriano Luchiari

    Democracia permite liberdade de expressão, Srs. Moderadores. O meu comentário retido não atenta contras as regras estabelecidas por vocês para as postagens desse forum. Cordiais saudações.

    MODERAÇÃO: Adriano, realmente o seu comentário não atenta às regras do DAN e, por esse motivo, ele está aprovado e publicado. Tenha mais paciência e aguarde um dos moderadores, afinal, a boa democracia também reserva o direito desses descansarem no domingo ou estarem com as suas famílias. Grato pela compreensão.

  8. 16/07/2017  23:31 by Topol

    Minha esperança é que o senhor justamente cumprisse seu dever de defender o país contra essa desgraça que nos assola... para mim é urgente que o EB assuma o poder e que se rasgue essa constituição vergonhosa e mantenha o controle até uma transição pacifica após uma nova constituição que corrija os erros gritantes desta venha a ser institucionalizada... mas não, prefere ficar na zona de conforto... não me surpreenderia se, bem o tempo nos dirá.

  9. 17/07/2017  8:58 by XO

    Deixa eu entender... muitos aqui dizem que os militares tem devaneios, administram mal o orçamento etc etc etc... e pedem pra gente intervir no país ??? Para antecipar o que já vai ocorrer em 2018, ou seja, eleição ??? Sinceramente, o brasileiro precisa aprender o valor do voto... os paulistanos já deram o exemplo, elegeram um outsider em primeiro turno...

  10. 17/07/2017  11:01 by Renato de Mello Machado

    Já deu isso aqui,há se eu tivesse o Green card.

  11. 17/07/2017  11:39 by Carlos

    Prezado Xo. Temos um problema serissimo com democracia. Não há educação. Quem elege não sabe o que é votar e o que isso significa. Ficha limpa funciona por conveniência. Precisamos sim de uma intervenção e restabelecimento da verdadeira lei e ordem. Após isso eleições com candidatos de REPUTAÇÃO ILIBADA. Eu acredito no Brasil. Mas um Brasil de gente séria como nunca houve na história. Por que não? Abraço

  12. 18/07/2017  14:31 by maxtedy

    Para mim e tantos outros, resta claro que a negativa do consentimento para envolvimento, via intervenção militar, como é o desejo de boa parte da sociedade organizada, na crise política que destrói o nosso país, é puro reflexo de uma lição aprendida à duras penas, após o contra-golpe militar praticado durante a intentona comunista de 1964.
    As Forças Armadas não atuaram como deveriam, queimaram etapas, não fecharam o ciclo completo de ações que assegurariam ao Brasil a segurança mínima necessária ao seu completo desenvolvimento e progresso sustentável. Foram descuidados, permitiram que vários ovos de uma "serpente rainha" eclodissem e que os filhotes se espalhassem em terreno imenso e muito fértil. Risco total!
    Hoje, arrependidos com os erros praticados num passado recente e ainda magoados com o fato de muitos terem lhes virados as costas, pós governos militares e reticentes quanto ao seu legal papel republicano, os militares, fingem não se incomodarem com as recentes e lídimas súplicas sociais por uma tomada de posição mais efetiva no atual contexto político do país. Como já dizia meus bisavós: gato escaldado, tem medo de água fria. Não censuro o os oficiais generais pelas suas atuais posturas, pois eles sabem melhor do que ninguém o peso do ônus que sobrou para as Forças Armadas e o quanto demorou para que aqueles que cuspiram no prato que comeram, enxergassem o erro que estavam e muitos ainda estão cometendo. Segue o jogo!

  13. 19/07/2017  9:14 by Johan

    Senhores, compartilho do seus anseios pela pátria livre dos males que nos afetam, mas não é tão simples assim. Se, por um acaso, os militares efetuassem o "golpe" o país iria sofrer com sérias consequências com repercussões internacionais (devido a onda do politicamente correto). Há um vídeo no You Tube que um militar explica bem isso e, aparentemente, há sim um acompanhamento por parte dos militares do que vem acontecendo e sendo um momento adequado, haverá alguma intervenção, embora não acredite que isto venha a ocorrer porque as condições para isso dificilmente os políticos vão deixar que ocorram. Caso a intervenção ocorrer não creio que voltem em definitivo ao poder, mas sim apenas como um governo de transição (o que é correto) assim também com a possibilidade de um novo plebiscito.

  14. 20/07/2017  14:02 by Hallyson

    eu fico impressionado com tanta besteira que leio por parte de vocês. Intervenção militar? se era tão boa, pra que a necessidade de um AI5? Pq tantas censuras? Vocês falam tanto sobre "politicamente correto" porém quando criticam o regime de vocês logo é taxado de comunista e outros adjetivos. O Brasil só tinha dinheiro enquanto os EUA colocavam aqui, após começarem a gastar com suas guerras nos afundamos em inflação galopante e divida externa. Pelo amor de Deus,melhorem.

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