AlexsanderO Capitão-de-Corveta Alexsander Moreira dos Anjos é natural da cidade do Rio de Janeiro e ingressou na Marinha do Brasil em 1995, através do concurso público de admissão à Escola Naval.

Concluiu o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO) em 2001 e, desde então, totaliza 2.300 Horas de Voo, sendo 160,7 no IH-6B Jet Ranger III, 1.989 nos UH-14 Super Puma e UH-15 Super Cougar e 150,3 no UH-12 Esquilo.

Na Aviação Naval, ocupou as seguintes funções:
– Encarregado da Divisão de Suprimentos do Esquadrão HU-2;
– Encarregado da Divisão de Voo do Esquadrão HU-2;
– Encarregado da Divisão de Operações Aéreas do Esquadrão HU-2;
– Chefe do Departamento de Operações do Esquadrão HU-2;
– Instrutor de Voo e Checador de Certificado de Voo por Instrumentos (CVI) das aeronaves AS-332/532/EC725 e
– Comandante do 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (Atual)

O Comandante Dos Anjos realizou os seguintes cursos na Aviação:
– Ground School das aeronaves: IH-6B Bell Jet Ranger III, AS-332/532 Super Puma, EC725 Super Cougar e AS350 Esquilo Mono Turbina;
– Simulador AS332 (Helisim/França) e CHC (Noruega), Type Rating/Simulador EC725 (Helisim/França);
– Estágio de Pilotagem com Óculos de Visão Noturna (OVN) no Centro de Instrução da Aviação do Exército (CIAvEx)
– Resgate em Combate (CSAR) na Força Aérea Brasileira.

Foi promovido ao posto de Capitão-de-Corveta em Agosto de 2010 e assumiu o Comando do 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral em Julho de 2013.

Defesa Aérea & Naval: Quais as principais missões executadas pelo HU-4 durante o seu Comando?

Capitão-de-Corveta Alexsander Moreira dos Anjos: Participamos da BRASBOL 2013 e 2014, ÁGATA-VIII, SÃO PAULO OESTE-I, II, III, IV e V, RIBEIREX PANTANAL, Recebimento da aeronave UH-12 Esquilo N-7057 na Helibras em Itajubá, ASPIRANTEX-2014, AMAZÔNIA AZUL, CÁCERES 2014, Curso Especial de Guerra Anfíbia (C-ESPC-GANF)/Estágio Especial de Guerra Anfíbia (E-EGANF), NINFA 2014, Inspeção Naval de Balizamento do Rio Paraguai, Navegação Visual Noturna, PLATINA-2014 e o Curso Expedito de Operações no Pantanal (C-Exp-Opant) 2014.

DAN: O HU-4 participa de exercícios militares com as Forças Armadas dos países vizinhos, quais os ganhos operacionais para o Esquadrão?

CC Dos Anjos: Os principais ganhos são: a manutenção da doutrina do emprego da aeronave nas operações Ribeirinhas e a troca de experiências com outros operadores de helicóptero, como é o caso da Armada Paraguaia, que opera uma aeronave similar a nossa.

DAN: O HU-4 opera rotineiramente com os navios da Flotilha do Mato Grosso. Quais as principais características de se operar a partir de um navio de pequeno porte e em áreas de navegação tão restritas?

CC Dos Anjos: Em relação ao pouso a bordo, o único navio que permite uma aeronave orgânica é o Monitor ‘Parnaíba’, Caverna Mestra da Marinha, que na maioria das vezes suspende para comissões operativas com um “Gavião” no seu convoo. Os demais navios, possuem apenas a área de transferência e realizam operações aéreas de acordo com a sua classificação.

Apesar de não haver balanço no navio, as operações aéreas são cercadas de cuidados pelo fato do navio ter que manobrar para obter as condições ideais de vento sempre numa área restrita, o rio Paraguai, que em sua extensão não possui grandes distâncias entre as margens, o que torna a manobra mais restrita, exigindo que a aeronave saia do convoo rapidamente, para que o navio guine buscando uma proa “safa”. Em alguns trechos, é proibido a aeronave a bordo, por causa da possibilidade da vegetação atingir a área do convoo quando o navio realiza curvas no rio.

DAN: Com relação a estas características peculiares de operações aéreas embarcadas, bem distintas das tradicionalmente encontradas pelos aviadores navais em operação no mar, como é feita a adaptação do piloto para essa nova realidade?

CC Dos Anjos: Os Aviadores Navais quando chegam no Esquadrão, já tiveram a oportunidade de pousar nos navios da Esquadra operando no mar. Este fato contribui para uma rápida adaptação. Algumas coisas são novas, como o circuito de espera, chamado de Delta, que aqui é feito a boreste ou a bombordo do navio e sobre as margens.

DAN: Alguns pilotos que embarcam no HU-4, são recém saídos do CAAVO. Do ponto de vista operacional, e também de segurança de voo, seria importante para o Esquadrão a realização, por parte dos oficiais-alunos, de um estágio específico para operações aéreas embarcadas em ambientes fluviais durante a fase de estágios de voos do CAAVO, e por quê?

CC Dos Anjos: Não vejo essa necessidade, como disse, mesmo saindo do CAAVO, o oficial que embarca no Esquadrão tem uma rápida adaptação. As principais dificuldades são encontradas no Pantanal na época da cheia, pois é difícil achar um local para um pouso de precaução, em caso de uma emergência, a grande quantidade de pássaros, inclusive algumas espécies como o Tuiuiú que possuem uma considerável envergadura e voam a 2000 FT de altura, a falta de pontos notáveis no terreno para a navegação e identificação, dificultando o socorro das populações ribeirinhas, e as rápidas alterações meteorológicas, que ocorrem em determinadas épocas do ano.

HU-4-16

DAN: O senhor foi piloto do Esquadrão HU-2 durante 10 anos, voando os helicópteros UH-14 Super Puma e UH-15 Super Cougar. Como foi a sua transição para o UH-12 Esquilo e a sua qualificação para pouso a bordo?

CC Dos Anjos: Quando cheguei no Esquadrão, vinha do glass cockpit do EC725, a experiência ajudou na transição para o Esquilo, consequentemente, a adaptação foi bem rápida e essa experiência vem bem a calhar, pois promove a formação de uma cultura aeronáutica dos pilotos mais jovens. Essa troca de experiência contribui para a identidade das tripulações, e você acaba influenciando no “modus operandi” da unidade. O resultado também influencia na qualidade das tripulações, e isso é bem legal, pois acaba padronizando todos indiretamente!

DAN: O senhor é um Aviador Naval cursado na Pilotagem com Óculos de Visão Noturna (OVN) no Exército Brasileiro. Como avalia o futuro emprego deste equipamento pelo HU-4 e quais seriam os ganhos operacionais?

CC Dos Anjos: O emprego do OVN nas operações Helitransportadas já é uma realidade no Exército e na Força Aérea, inclusive, ambos operam com este equipamento aqui no Pantanal. A operação com OVN significa um ganho absurdo no aprestamento e na operacionalidade das equipagens, possibilitando as operações continuadas, onde se pode fazer a diferença para salvar uma vida, além de permitir voos noturnos, quando utilizadas em conjunto com o FLIR, para patrulhamento da nossa fronteira oeste.

DAN: Como são conduzidas as missões com o Comando do 6º Distrito Naval, Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário e a Flotilha do Mato Grosso?

CC Dos Anjos: Em prol do 6º Distrito Naval, mantemos diariamente uma aeronave e tripulação de serviço para compor a Aeronave de Serviço Distrital (ASD), pronta para imediatamente realizar um Evacuação Aeromédica, SAR ou transporte de pessoal/material.

Com o Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário, cumprimos as tarefas de voos de reconhecimento de objetivos, Cobertura aérea, Apoio logístico móvel, Evacuação Aeromédica e transporte de pessoal e material.

Com a Flotilha do Mato Grosso, cumprimos tarefas de voos de esclarecimento, Evacuação Aeromédica, Apoio logístico, Ataque a alvos de superfície e SAR.

DAN: O programa UHP prevê a substituição das atuais aeronaves leves de emprego geral nos próximos anos. Hoje, é nítido que as atuais aeronaves precisam ser substituídas por modelos mais novos, biturbina, com capacidade de realizar voo IFR e compatíveis com o uso do OVN. Como o senhor vê o futuro do HU-4 com esta possível substituição e o que essa tecnologia embarcada pode trazer de benefícios para atuação do Esquadrão e da Marinha do Brasil na região?

CC Dos Anjos: Vejo com bons olhos a renovação da frota, as aeronaves Esquilo do meu esquadrão estão na casa dos 35 anos. Atualmente, o mercado oferece modelos de helicópteros que se encaixam nas nossas necessidades e, com certeza, trariam um ganho significativo nas operações aéreas na região, ampliando nossas possibilidades. É importante frisar que, quando falamos de OVN, IFR, biturbina e outros equipamentos, intrinsecamente estamos falando em fazer mais, ser mais eficientes e com mais segurança.

DAN: Para finalizar a nossa entrevista, durante o período do seu Comando, qual foi o momento, ou a missão, que mais o marcou e por quê?

CC Dos Anjos: A Marinha do Brasil tem estado presente no Norte e Sul Matogrosensse, seja por intermédio dos seus navios, aeronaves ou OM’s de terra, como as Delegacias e Agências, realizando uma gama de tarefas em prol do povo brasileiro.

Sem dúvida, as missões de salvamento e evacuação aeromédica são as mais marcantes. Esse ano foram 15 vidas salvas pelo Comando do 6º Distrito Naval com a Aeronave de Serviço Distrital. Entre as mais significativas para o meu comando, gostaria de citar duas: A primeira foi o salvamento de um militar do Exército de 24 anos, que sofreu um acidente de trabalho, onde sua veia femural foi atingida por uma ferramenta. O “Gavião 57” foi acionado e rapidamente decolou em direção ao Forte Coimbra, que se situa a 55 milhas de Ladário, para a realização desta EVAM. A segunda, foi o salvamento de um jovem de 25 anos, na região da Nhecolândia, que dista cerca de 100 milhas, onde o mesmo foi pisoteado por seu cavalo e veio a ter múltiplas fraturas e traumatismo craniano. A ASD decolou imediatamente e salvou mais esta vida! Neste caso especificamente, a família mantém contato comigo e, constantemente, agradece ao Esquadrão, dizendo que nós somos responsáveis por salvar a vida do filho dela. Sem falar nas crianças picadas por cobras, que são salvas por causa da eficiência dos nossos valentes “Gaviões” da Marinha do Brasil. Isso não tem preço!

CC Dos Anjos

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