Por Kaiser Konrad

Equipado desde 2005 com os aviões A-29 Super Tucano, o 1º Esquadrão do 3º Grupo de Aviação (1º/3º GAV) da Força Aérea Brasileira (FAB), conhecido como Esquadrão Escorpião, é destaque em diversas operações aéreas. A unidade tem cumprido missões de defesa aérea, neutralização de pistas clandestinas, bem como o patrulhamento das fronteiras, com missões de reconhecimento visual e missões de ataque ao solo. Em mais de 22 anos de existência, seus pilotos já voaram aproximadamente 75.000 horas.



A missão dos militares destacados para a Ala 7 em Boa Vista não é fácil. As fronteiras brasileiras são a principal porta de entrada dos narcotraficantes e contrabandistas e o espaço aéreo é utilizado em rotas para transporte de ilícitos, como drogas e armas. “O Brasil tem um território com cerca de 17.000 quilômetros de fronteira seca. O trabalho integrado entre a FAB e os organismos de inteligência é fundamental para que possamos evitar que drogas ilícitas cheguem ao país por via aérea”, disse à Diálogo o Major-Brigadeiro da FAB Ricardo Cesar Mangrich, chefe do Estado-Maior do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).

Missão real ou simulada?

O trabalho realizado pela FAB busca blindar o espaço aéreo brasileiro contra a entrada de aeronaves ilícitas a serviço do tráfico internacional de drogas. A missão da Ala 7 é proteger as fronteiras do norte do pais.

No hangar do 1º/3º GAV, toca a sirene e imediatamente os pilotos e pessoal de pista correm para as aeronaves A-29 Super Tucano. Após a decolagem, iniciam contato com o controlador de defesa aérea do Centro de Operações Aéreas Militares (COpM) 4, com sede em Manaus, Amazonas, o responsável por guiá-los até a aeronave-alvo para efetuar a operação de defesa. Somente já em voo os pilotos são informados sobre o caráter da missão e se este é um acionamento real ou simulado.

Próximos da fronteira com a Guiana, os pilotos chegam à posição de reconhecimento à distância e em acompanhamento discreto, duas medidas de policiamento do espaço aéreo previstas. Fazem a verificação dos dados da aeronave-alvo, como prefixo e modelo, e se ela carrega algum tipo de armamento ou sensor (no caso de ser uma aeronave militar).

A patrulha posiciona-se a uma distância segura à esquerda, para ser visto pelo piloto do avião suspeito. Ele carrega uma placa com a frequência internacional de emergência 121,5, pela qual vai fazer a chamada de interrogação. Pelo rádio, o piloto da FAB adverte que seu ingresso no território nacional não foi autorizado.

Na interrogação são checadas a procedência, o destino, a carga e o número de passageiros ou qual é a sua missão. Todas essas informações são passadas ao controlador. Com base nelas, o COpM, sob a supervisão do COMAE, verifica quais atitudes serão tomadas com relação à aeronave suspeita para atender às determinações da Defesa Aérea, com o objetivo de persuadir a aeronave, para que a mesma obedeça imediatamente às ordens da aeronave da FAB.

Na missão acompanhada por Diálogo, um C-98B Grand Caravan, do 7º Esquadrão de Transporte Aéreo, simulou uma aeronave em situação suspeita. Foi determinado que a aeronave-alvo realizasse uma mudança de rota, com o consequente pouso obrigatório em Boa Vista, duas medidas de policiamento previstas na legislação brasileira. Na sequência, os interceptadores realizaram um acompanhamento ostensivo até que o pouso obrigatório da aeronave fosse realizado em Boa Vista.

Os A-29 Super Tucano da FAB possuem tecnologia moderna com excelentes capacidades de emprego e manutenção da consciência situacional. As aeronaves que cumprem missões deste tipo permanecem com seu estado de prontidão e operacionalidade em seu mais alto nível.

A Amazônia e suas peculiaridades

Voar na Amazônia tem suas peculiaridades. As distâncias são maiores, o clima é mais agressivo e o apoio logístico é mais complexo. No voo em um ambiente amazônico, o planejamento deve ser bastante minucioso, pois as pistas de apoio são distantes uma das outras. Também se voa por grande tempo sobre a selva, onde as árvores chegam a medir 40 metros e, no caso de alguma emergência que exija um pouso forçado ou ejeção, a chegada do resgate e sua operação é mais demorada e complexa.

“Para um piloto de caça, servir na Amazônia é um desafio e um aprendizado, pois, devido às peculiaridades do ambiente amazônico, como a distância dos grandes centros, ambiente às vezes inóspito e de logística dificultada pelos reduzidos tipos de modais, o piloto aprende rápido a buscar constantemente a prudência em suas decisões, sem deixar de lado o ímpeto guerreiro típico de um piloto de caça”, disse o Tenente-Coronel da FAB Ricardo Bevilaqua Mendes, comandante do Esquadrão Escorpião. “Levamos o braço armado da nação a rincões desconhecidos da grande maioria dos brasileiros; somos o Estado se fazendo presente.”

FONTE: Revista Diálogo Américas



 

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