O DAN entrevistou o Chefe de Vendas e Marketing da Saab para a América Latina, Sr. Fredrik Gustafson, que gentilmente nos recebeu para falar um pouco sobre as perspectivas da empresa na região.



DAN – Como a Saab está olhando para o mercado latino-americano de caças?

Fredrik – Nós vemos um interesse crescente no Gripen no mundo todo, incluindo vários países na América Latina. A solução de custo-benefício e suporte, faz do Gripen um ajuste perfeito para a maioria das economias latino-americanas. O Gripen redefine como construir e operar um caça avançado que ofereça recursos operacionais relevantes para o futuro e novas tecnologias a um custo razoável. Tem um design equilibrado que fornece um sistema à prova de futuro com capacidade de evoluir com base nos requisitos do cliente.

DAN – A Saab realizou em fevereiro passado o lançamento do GlobalEye AEW & C. Como a Saab vê esse mercado na América Latina? Existe algum país da nossa região interessado?

Fredrik – O GlobalEye AEW & C é uma capacidade multi-missão que não apenas fornece vigilância aérea, marítima e terrestre em uma única solução, mas também aumenta significativamente as capacidades dentro de propósitos de Uso Duplo, como vigilância e coordenação de operação aérea durante incêndios florestais ou outras situações de desastres naturais. Apresentamos o GlobalEye em fevereiro e três semanas depois ele completou com sucesso seu primeiro voo em Linköping, na Suécia.

As soluções AEW & C da Saab são algumas das mais usadas no mundo. Na América Latina, o Erieye está sendo operado pelo Brasil e pelo México, e gostaríamos de ver nossa nova solução AEW & C operando também nessa região.

DAN – A Saab já está trabalhando em parceria com a Embraer no programa Gripen E. A aeronave E-99 da Força Aérea Brasileira é equipada com o radar Erieye da Saab. É possível no futuro qualquer solução regional com aeronaves construídas no Brasil?

Fredrik – A Saab escolheu cuidadosamente o Global 6000 como plataforma para o GlobalEye, pois é uma aeronave de missão especial ideal do ponto de vista de design e envelope de vôo. Atualmente, promovemos o Erieye ER em uma aeronave Global 6000. No entanto, estamos dispostos a discutir plataformas alternativas caso a caso. Tudo depende do acordo comercial.

DAN – Após a entrega do primeiro Gripen E ao Brasil, a Saab identifica a chance de obter um novo contrato de vendas do Gripen na América Latina?

Fredrik – A seleção brasileira do Gripen valida-o como o sistema de combate mais capaz e moderno do mercado. Ele solidifica a posição da Saab como líder mundial na produção de aviões de caça. Com o Brasil e a indústria brasileira como parceiros, a oportunidade de sucesso de exportação do Gripen aumentou.

DAN – Se a Saab vender o Gripen na América Latina, ele será fabricado no Brasil ou na Suécia?

Fredrik – Isso é algo que deve ser discutido e decidido com o futuro cliente na América Latina, no caso de um contrato.

DAN – A Saab possui operadoras do sistema RBS70 na América Latina. Quais são as possibilidades de aumentar as vendas desse sistema na região?

Fredrik – O sistema RBS 70 tem um impressionante recorde de conquistas no mercado, principalmente na América Latina. Até hoje, 19 países adquiriram mais de 1.600 sistemas RBS 70, incluindo mais de 17.000 mísseis.

Vender para clientes existentes é o melhor marketing que existe e estamos ansiosos para manter uma relação ainda mais ampla com os atuais e potenciais clientes do RBS 70.

DAN – O sistema Bamse está sendo oferecido na região? Existe algum país interessado nele?

Fredrik – Nós apresentamos Bamse para vários países, mas atualmente não há programas formais em andamento.

DAN – O RBS15 Mk3 é o sistema de superfície mais moderno disponível no mercado e integrado ao Gripen. Esse sistema pode ser instalado em navios e aeronaves atualmente em uso nas Forças Armadas brasileiras? (Corvetas, Fragatas e FAB A-1)

Fredrik – O RBS15 pode ser instalado na maioria dos navios de guerra existentes. Ele vem com uma interface padrão para fácil integração em qualquer sistema de gerenciamento de combate (CMS).

Se necessário, o RBS15 pode ser instalado como uma solução autônoma. O RBS15 é muito fácil de instalar, pois requer pequenas dimensões de hardware, apresenta interfaces padrão e posicionamento flexível de estruturas de suporte de lançamento

Para não causar problemas de estabilidade, a tonelagem bruta do navio que recebe o RBS15 (4 ou mais) deve ser superior a 250 toneladas.

DAN – As Marinhas latino-americanas estão com seus navios de guerra se aproximando da obsolescência (fim da vida útil). Qual é a estratégia da Saab para o mercado que nos próximos anos terá que renovar suas frotas de superfície?

Fredrik – A Saab oferece uma gama completa de tecnologias independentes, desde soluções de sistema de combate naval em escala para operações subaquáticas e de superfície, em construção naval, radares, serviços de projeto de navios, sistemas integrados de comunicações, sistemas de gerenciamento de tráfego marítimo, sistemas EW, engenharia e serviços de integração, tanto a partir de navios quanto de perspectivas de combate. Isso resulta em um portfólio poderoso que atende às necessidades individuais de Marinhas ao redor do mundo.

Pretendemos continuar fortalecendo nossas relações regionais, com o objetivo de conhecer e entender as necessidades específicas das diferentes forças navais, para então decidir sobre a melhor estratégia para participar de projetos futuros.

DAN – A BMT Defenser, da Inglaterra, anunciou uma parceria com a Saab para anunciar o Venator 110 no programa Platform Strategic Ship (PES) da Marinha da Colômbia. Qual é o envolvimento técnico da Saab neste navio?

Fredrik – Estamos ansiosos para participar do Programa PES, oferecendo nosso Sistema de Gerenciamento de Combate 9LV e radares diretamente para a Marinha da Colômbia.

DAN – Qual a perspectiva da Saab para o mercado submarino (ROVs, AUV 62AT, por exemplo) na América Latina?

Fredrik – Nós vemos grande interesse por nossas soluções submarinas, tanto no domínio militar quanto civil (Petróleo & Gás). Olhando para os próximos investimentos em defesa no campo de MCM e da ASW, vemos nosso portfólio forte e adaptável. Produtos e sistemas como o ROV Double Eagle, o AUV62-AT e o Sabertooth são bons exemplos de nossas ofertas para os mercados da América Latina. Um novo exemplo de clientes que operam nossas soluções é o departamento de Mergulho e Resgate da Marinha da Colômbia, que recentemente colocou em campo o ROV Falcon produzido pela Saab.

DAN – Algumas Marinhas na América Latina têm submarinos muito antigos, alguns com mais de 30 anos em uso. A Saab pretende oferecer o seu submarino A26 a essas marinhas?

Fredrik – O submarino A26 é um ótimo complemento para qualquer força naval moderna por executar com eficiência tarefas de defesa nacional, coleta de informações, vigilância e reconhecimento, operações ofensivas e especiais, entre outras. A Saab continua à frente desenvolvendo a melhor tecnologia crucial para as operações de resposta a crises, dissuasão, manutenção da paz e imposição da paz.

Um dos principais benefícios no design do submarino A26 é sua modularidade, que fornece um incrível grau de flexibilidade operacional, prova do futuro da embarcação e contribui significativamente para a construção e montagem de baixo custo. O submarino A26 é projetado e desenvolvido a partir de uma perspectiva econômica para fornecer um investimento muito baixo, considerando as décadas durante as quais ele estará operacional. Estamos acompanhando de perto todas as possíveis oportunidades de negócios na América Latina, em nossa meta de continuar expandindo a presença da Saab na região.

DAN – Se alguma Marinha estiver interessada na A26 e a Transferência de Tecnologia for um item obrigatório, como a Saab procederá? Existe um caso semelhante em andamento?

Fredrik – Todos os grandes negócios da Saab incluem cooperação industrial a longo prazo com os países clientes. O objetivo é criar um bom valor para ambas as partes. Muitos países ao redor do mundo têm requisitos formais e regulamentos em vigor relacionados à cooperação industrial, e levamos isso muito a sério, já que está na espinha dorsal da empresa querer oferecer compensações altamente benéficas aos nossos clientes.

Os editores do DAN, Guilherme Wiltgen e Luiz Padilha, com o Sr. Fredrik Gustafson

O principal negócio mais recente é a compra no Brasil de 36 aeronaves Gripen, o que é um ótimo exemplo do compromisso da Empresa com a Transferência de Tecnologia. Mas cada país tem suas próprias condições, forças motrizes e potencial de desenvolvimento. Trabalhamos muito de perto na definição dos elementos de cooperação para que eles resultem sob medida.



 

2 Comments

 

  1. 04/04/2018  16:34 by Marcos Gilbert Responder

    Infelizmente estamos indo pela contramão vendendo todas as empresas a estrangeiros, isso começou na época do Collor, em vez de corrigirem os defeito administrativos e colocarem gente competente para administrar as empresas, fazer crescer e expandir os negócios , foi muito mais fácil vender o patrimônio nacional, para completar o orçamento do governo assim sendo, hoje poderíamos ter mais empresa na área militar no Brasil e melhor posicionadas mundialmente.
    Há muita coisa sobre isso a ser escrito.

    Abraços

  2. 04/04/2018  12:40 by Esteves Responder

    Boa matéria. Ensaiadinha pela Saab mas muito boa.

    A GM vendeu a Detroit para a MTU em 2000. Os alemães incrementaram a produção de motores 4 tempos e oferecem as duas versões: 2 e 4.

    Com um pouco de visão alargada poderíamos ter comprado a empresa e acabar com a dependência de não fabricar motores diesel.
    A Kawasaki assinou acordo com a Saab Kockums para produzir motores stirling no Japão. Os suecos dominam essa tecnologia aplicada em submarinos.

    Caso tivéssemos comprado a Detroit poderíamos aprender com os suecos como produzir e empregar motores stirling utilizando o mesmo parque industrial. Seria um tiro na dependência de motores e de propulsão principalmente naval.

    Estamos aprendendo a montar aviões de caça com os suecos. Poderíamos aprender a montar submarinos como o A26 que pelo que entendi pode ser modular.

    Apesar da MB descartar o sistema AIP e lá vem o lobby francês do Scorpene, torramos mais de 31 bilhões de reais no Prosub e ainda não temos nada. Françeses querem vender subs e navios com máquinas deles. Os suecos parecem ser diferentes.

    A bola quicando, quicando, e a gente não chuta. Deveríamos ter nos aproximado da Saab há mais tempo.

Leave a reply

 

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.