Foguete verde

As agências espaciais do Brasil (AEB) e da Alemanha (DLR) deram um passo importante no desenvolvimento de um foguete alimentado por etanol, que as duas entidades chamam de “propulsão verde”.

Foram finalizados com êxito na Alemanha os testes de queima do estágio superior do foguete.

“Duas cabeças de injeção com diferentes conceitos foram desenvolvidas em paralelo, a fim de encontrar a tecnologia ótima para a propulsão do futuro foguete germano-brasileiro,” explicou Lysan Pfützenreuter, gerente do projeto na DLR.

“Nesta primeira série, alcançamos todos os nossos principais objetivos do teste. Foi realizado com êxito um total de 42 ignições durante um período de 20 dias. Durante estes testes, pudemos analisar de perto, entre outras coisas, o comportamento da ignição e a estabilidade do sistema durante a ignição e o arranque da câmara de empuxo. A partir daí, obtivemos conhecimentos importantes para o desenvolvimento de motores adicionais,” acrescentou a engenheira aeroespacial.

Cabeças de injeção

As duas cabeças de injeção diferem na forma como o combustível é aspergido na câmara de combustão e misturado com o oxigênio.

Um dos sistemas foi desenvolvido no Brasil, por engenheiros do Instituto de Aeronáutica e Espaço, e o outro foi desenvolvido na Alemanha pela empresa Airbus Safran Launchers, dentro do projeto SALSA, que visa construir um foguete de propulsão a álcool em substituição aos combustíveis sólidos.

Com os dados dos testes, a equipe agora definirá o melhor projeto de cabeça de injeção para equipar o motor L75, que equipará o foguete brasileiro destinado ao lançamento de pequenos satélites.

Lançador de nanossatélites

A Agência Espacial Brasileira espera abrir mercado para o foguete de pequeno porte com o forte apelo do “combustível verde”, além de conseguir atuar no emergente mercado dos nanossatélites.

Além disso, o “novo” combustível poderá reduzir significativamente o custo dos lançamentos espaciais, uma vez que o custo de fabricação, transporte e armazenagem do etanol é significativamente inferior ao da hidrazina, o composto químico mais utilizado nos foguetes de combustível líquido de pequeno e médio portes.

Em 2014, o Brasil lançou com êxito seu primeiro foguete a etanol, mas o VS-30 V13 é projetado apenas para voos suborbitais.

FONTE:Portal Inovação Tecnológica

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9 Comments

 

  1. 17/03/2017  13:19 by Everton

    Ótima notícia!! finalmente teremos nosso lançador. Uma coisa que eu orgulho do Brasil é esse fascínio pelo combustível etanol, já desenvolvemos veículos, aviões e agora foguetes tudo a etanol. Muito bom! Ainda mais agora que o INPE desenvolveu um combustível espacial limpo.

  2. 17/03/2017  14:14 by Marcelo

    Interessante, seria uma volta as origens, ja que a V-2 alema, usava etanol como combustivel !

  3. 17/03/2017  15:38 by Fred

    Mais um passo importante no desenvolvimento de motores de foguete, o Brasil lançou seu primeiro foguete, pós 2ª Guerra, em 1949. E até 2014, entre idas e vindas, só foram desenvolvidos motores nacionais movidos a combustível sólido.

    Foi somente três anos atrás, após um período onde o governo investiu mais em ciência e tecnologia...que o Brasil lançou seu primeiro foguete movido à combustível líquido (etanol), até então, durante 65 anos! Só tínhamos lançado foguetes com combustível sólido, que não são os mais adequados para lançamentos espaciais e sim para finalidades militares...

  4. 17/03/2017  18:17 by Fred

    Tava tando uma pesquisada no assunto e topei com um comentário,
    que eu mesmo tinha feito aqui no DAN ("Brasil lança com sucesso primeiro foguete nacional com combustível líquido"),
    onde postei um link para uma entrevista em áudio,
    com o Coronel Avandelino do CLA, sobre o lançamento em Março/2014,
    do primeiro foguete movido a combustível líquido brasileiro.

    O link ainda funciona e a entrevista é interessante:

    http://www.fab.mil.br/cabine/audios/3afcfe452f.mp3

  5. 17/03/2017  18:19 by Celso

    Fiquei na duvida....sera mesmo q a V 2 tinha como combustivel o etanos....ou sera q era a hidrazina.....sera q nao era o mesmo conbustivel utilizado pelo M 163 q era uma mistura de peroxidos.....enfim...socorro Padilha...rsrsrsrs

  6. 17/03/2017  19:05 by Luiz Padilha

    A V2 usava álcool combustível (mistura de 75% de álcool etílico com 25% de água) e oxigênio líquido, conhecido abreviadamente por "LOX" da expressão em inglês "Liquid oxygen".

  7. 17/03/2017  20:21 by Fred

    O primeiro foguete com combustível líquido foi lançado no EUA em 1926...Más continua válida a máxima: "Antes tarde do que nunca!" :)

  8. 18/03/2017  9:03 by Celso

    Obrigado pelo exclarecimento Padilha.........alcool etilico acredito q nao eh a mesma coisa q etanol. Eh necessario para melhor combustao e reacao a adicao do oxigenio liquido como cita LOX. Sem isso o empuxo fica prejudicado (forca vertical).

  9. 19/03/2017  12:44 by Jose Luiz Esposito

    É tudo muito belo ,mas de prático nada . Quando teremos um Veículo brasileiro para colocarmos satélites diversos no Espaço ?Países que nunca tiveram programa Espaciais começaram muito depois de nós e já nos passaram ou em vias de nos passar,porém, porém ,nós estamos com um Projeto de Combustível Verde ,coisa já conhecida a muito tempo ,mas que não nos valerá em nada para um nosso Veículo Lançador de Satélites . Espero que não estejam alinhavando nenhum Acordo Espacial com os EUA ,principalmente sobre Alcantara , para não chamar Acordo de Submissão Espacial com os EUA, sabemos que a Rússia por diversas vezes se mostrou disposta em trabalhar conosco ,mas a China e tenho certeza a India ,e que deveríamos chamar a Argentina ,já temos um Acordo com Portugal ,aqui ainda temos vizinhos muito interessantes ,etc . O meu MEDO a DISPOSIÇÃO ENTREGUISTA de nossos POLÍTICOS e MILITARES !!

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