Protagonista de uma geração, a jovem Lyudmila Pavlichenko lutou contra o preconceito e se transformou na melhor sniper da história, matando quase 500 soldados nazistas em menos de 6 meses

“Você deveria ser enfermeira.” Esta frase foi dita aos risos por um alto oficial do Exército Vermelho à ucraniana Lyudmila Pavlichenko, em 1942. Graças a sua determinação, mesmo numa época que o machismo era escancarado, a jovem lutou pelos seus ideais e conseguiu se alistar na infantaria soviética.

Meses depois, ela se tornaria a melhor mulher sniper da história e seus recordes permanecem imbatíveis ainda hoje.

O machismo poderia ter impedido a heroica carreira militar da garota de 24 anos, que foi a responsável pela morte de aproximadamente 500 nazistas, sendo 309 reconhecidas oficialmente. Ela ainda abateu 36 snipers alemães. Sua fama pela pontaria certeira a transformou rapidamente numa lenda dentro da União Soviética e foi tratada como uma heroína de guerra até sua morte, em 1974.

Em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, Lyudmila estudava História, na Universidade de Kiev, quando decidiu se alistar no Exército Vermelho. No momento que foi se registrar houve uma tentativa dos oficiais soviéticos direcionarem a sua inscrição para o setor de enfermagem, mas ela não aceitou a coação e manteve a posição de se recrutar na infantaria. O ato machista destoava da posição oficial do exército da URSS que manteve ao longo dos combates aproximadamente duas mil atiradoras de elite em seus campos de batalha. Ao final da guerra somente 500 destas mulheres sobreviveram, incluindo Lyudmila Pavlichenko.

Antes de ser ferida com os estilhaços da explosão de um morteiro nazista, em junho de 1942, Lyudmila lutou por quase três meses em Odessa, na Ucrânia. Somente neste período, a sniper matou 187 soldados nazistas. Quando a cidade foi tomada pelos alemães, o seu batalhão precisou recuar estrategicamente até a Península da Crimeia. Nas semanas posteriores ao recuo, ela ainda acertou outros 300 nazistas, incluindo aproximadamente 100 oficiais de Hitler. No final do ano, já recuperada dos ferimentos, ela foi enviada aos Estados Unidos e Canadá para uma visita oficial aos governos destes países. Lyudmila foi a primeira representante soviética a ser recebida por um presidente norte-americano. Na época, ela foi recepcionada por Franklin Roosevelt e Eleanor Roosevelt, que se transformaria num símbolo da luta pela igualdade de gêneros no mundo.

Com uma pontaria certeira, Lyudmila usava um rifle de longo alcance semiautomático. A arma preferida da jovem era a espingarda Tokarev SVT-40, famoso armamento soviético usado durante a 2ª Guerra Mundial. Na função de sniper, a excelente pontaria e uma boa arma são importantes, mas o principal é esperar o inimigo de forma paciente. Relatos de colegas da época afirmam que a ucraniana permanecia até incríveis 18 horas imóveis à espreita de soldados do Eixo. Sua atuação cirúrgica foi considerada fundamental para barrar o avanço nazista na Europa, na metade da guerra.

FONTE: UOL

 

3 Comments

 

  1. 16/07/2017  18:41 by Luciano Andrade

    Será que ela tinha uma cápsula de cianureto, porque já pensou se fosse capturada pelos alemães, o que fariam c/ ela ?

  2. 17/07/2017  15:16 by André

    Por essas e por outras que tanto apoio o alistamento obrigatório das brasileiras nas forças armadas aos 17 anos, ainda que não venham a servir. Além das habilidades da mulher em destaque, ainda poderiam ser espiãs ou ter uma capacidade destacável em eletrônica e outras áreas importantes. Qualquer atividade que de um jeito ou de outro ajudasse o país a ganhar a guerra já seria uma vantagem.

    Além disso as feministas, que se dizem tanto lutar pelos direitos das mulheres na sociedade e igualdade de gênero (mas só direitos, deveres é para o trouxa do homem) deveriam ser as primeiras a apoiar o ingresso delas nas forças armadas. Mas as feministas são as primeiras a odiarem as mulheres, principalmente por induzi-las ao pecado - mas essa já é outra história. Outro importante motivo é o patriotismo, uma vez que elas também vivem no país em guerra e também sofrerá as consequências dessa crise.

    O Brasil ja teve uma soldado no exército, Maria Quitéria, onde as mulheres atuais (com suas exceções) não honram suas calcinhas e sutians. As forças armadas também perdem muito com o machismo por não entender a importância da mulher em combate. Outra mulher de destaque no fronte foi a Santa Joana D'arc contra os britânicos. Mulheres na guerra deveriam ser regra seja dentro de um blindado, submarino, avião, navio etc.

  3. 17/07/2017  20:17 by Cesar A. Ferreira

    Sniper soviética; ela nunca fez parte de força nacionalista ucraniana e certamente não aceitaria este chauvinismo nacionalista.
    A acuidade histórica pede a devida correção.

Leave a reply

 

Your email address will not be published.