Por Nicolás Garcia

O Governo do Chile deu a luz verde para o início de estudos para a aquisição de três novas fragatas que irão substituir navios mais antigos em serviço na frota nacional e a compra de um novo modelo de helicóptero leve para reforçar a formação de pilotos e o trabalho de vigilância costeira e resgate na Marinha do Chile.



Ministro da Defesa Nacional , Alberto Espina, confirmou em outubro de 2018 que seu ministério assinou a resolução que aprova o início do processo de aquisição de três novos navios vão substituir as fragatas anti-submarino Tipo 22 FF-19 Almirante Williams e as fragatas antiaéreas da classe L FFG-11 Capitão Prat e FFG-14 Almirante Latorre que cumprirão sua vida útil em meados da próxima década.

O comandante-em-chefe da Marinha do Chile, almirante Julio Leiva, havia manifestado em janeiro que sua instituição estava analisando diferentes soluções para substituir essas três unidades e entre essas opções está a compra de fragatas usadas e a construção no estaleiro Asmar.

A aquisição de plataformas de superfície de segunda mão é a alternativa que mais tomou força nos meses, já que a construção de novas unidades no país exigem um grande investimento e o Asmar em Talcahuano será ocupado pelo projeto quebra-gelo Antártico I até 2022.

A Marinha do Chile acompanha com grande interesse o processo de retirada das fragatas Tipo 23 que a Marinha Real vai iniciar em breve. A instituição sondou essa possibilidade, uma vez que o Reino Unido possui 13 unidades similares às três do Tipo 23 de propriedade da Marinha do Chile e possui ampla experiência na operação e manutenção desse tipo de navio. Cabe ressaltar que o Asmar está realizando um programa de modernização na fragata FF-05 Almirante Cochrane, que será replicado em suas duas unidades gêmeas.

Novos helicópteros leves

A Aviação Naval poderá materializar a compra de cinco helicópteros leves que substituiriam os antigos Bell UH-57B Jet Ranger. O projeto de Lei do Orçamento de 2019, liberou uma verba de 6,7 milhões de dólares para financiar a primeira etapa do projeto que contempla também a construção de um hangar para o novo helicóptero.

O projeto Gaivota, nome que recibe esta iniciativa, era uma necessidade largamente solicitada pela Aviação Naval já que os helicópteros Jet Ranger se aproximam de seu final de vida útil, após servir por quase cinco décadas, tornado-se necessário um novo modelo de aeronave que melhore a formação de pilotos de asa rotativas. A aeronave selecionada será usada também para serviços de polícia marítima, tráfico marítimo e evacuações médicas.

A aquisição do novo helicóptero despertou o interesse de importantes fabricantes aeronáuticos. Na Exponaval 2018, que ocorreu na base aeronaval de Concón entre 4 e 7 de dezembro, a Airbus Helicopters apresentou o H125. Por sua parte o grupo italiano Leonardo, participará com o AW119Kx Koala e a Bell com o 407GXP.

Modernização da fragata Almirante Cochrane e o programa Antártica I

O estaleiro Asmar Talcahuano iniciou em Março de 2018 o programa de modernização da fragata Type 23 FF-05 , que incorporará novas tecnologias que melhorarão e incrementarão suas capacidades de combate.

O navio é voltado para a guerra anti-submarina e é o primeiro das três unidades Tipo 23 em operação na Esquadra Nacional que incorporou o sistema de gestão de combate CMS 330 da Lockheed Martin Canada, o míssil antiaéreo de guiagem ativa CAMM da MBDA e o radar naval multi-função de vigilância e aquisição de radares TRS-4D da Hensoldt.

A implementação de novos sistemas na FF-05 Almirante Cochrane demandará um retrofit estimado de 18 meses. Os trabalhos contemplam, também a remodelação do convoo para igualar com o desenhoo das unidades gêmeas e a adequação do navio para incorporar o sonar rebocado de busca ativa/passiva de baixa frequência S2087 da Thales Underwater Systems que é empregado pela FF-06 Almirante Condell e FF-07 Almirante Lynch.

O estaleiro Asmar Talcahuano se encontra executando também a construção do navio quebra-gelo Antártica I. A unidade será o primeiro quebra-gelo a ser construído em um estaleiro no hemisfério sul. Esta embarcação é uma iniciativa de grande valor estratégico. Com ele se poderão fazer tarefas logísticas, operações de busca e salvamento e reabastecer as estações científicas que o Chile tem no continente branco.

O projeto de construção naval do Antártica I começou em 16 de agosto e será o maior e mais complexo que o Asmar já desenvolveu. É baseado no modelo Vard 9 203 da Vard Marine e é classificado como Ice Class (PC5). O navio poderá quebrar uma camada de gelo de 1 metro de espessura coberta com até 20 centímetros de neve a uma velocidade de três nós. Terá um comprimento de 111 metros, 21 metros de largura e 7,2 metros de calado, podendo operar a uma temperatura de -30° C, além de uma autonomia de 14.000 milhas náuticas, autonomia para operar 60 dias e velocidade máxima de 15 nós.

O Asmar executou este ano a fase de seleção de sistemas e componentes. No mês de março, foi dada a concessão do sistema de propulsão de quebra-gelo para a GE Marine Electric Solutions oficialmente. O Asmar assinou contratos com a empresa espanhola Ibercisa para o maquinário de convés e com a empresa italiana Melcal que vai projetar, fabricar e instalar dois guindastes no com capacidade de elevação de 20 toneladas de carga. Também se juntou a esta cadeia de fornecedores, a Damen Marine Components, que produzirá servomotores e lemes para o navio.

Submarinos classe Scorpène

A Força Submarina finalizou em 2018 o primeiro programa global de recuperação integral de submarinos da classe Scorpène. Este programa, realizado nas instalações do Asmar Talcahuano, permitiu recuperar a capacidade de design nominal inicial do O’Higgins SS-23 e do Carrera SS-22 que estão em serviço na Marinha do Chile.

O trabalho realizado pelo estaleiro nacional cobriu a recuperação completa do casco, motores elétricos e diesel, ativação e substituição das baterias, além de revisão e recuperação de todos os componentes ópticos, eletrônicos, eletro mecânicos e hidráulicos que possuem essas plataformas de combate construídas pelo Naval Group.

O primeiro reequipamento foi realizado no O’Higgins e concluído em 2016. Enquanto o Carrera teve  o seu concluído no segundo semestre de 2018. Desta-se que O’Higgins instalou um dissipador de calor para reduzir a assinatura térmica gerada pelos gases de exaustão, dificultando a detecção de sensores térmicos a bordo de aeronaves.

Novos recursos para o Orion e para o Persuader

A Aviação Naval da Marinha do Chile em 2018 continuou o programa de modernização de aeronaves ASW Lockheed P-3ACH Orion e Airbus C295ACH Persuader. A Aviação Naval concedeu em outubro 2016 através do projeto Albatroz IV, um contrato com a IMP Aerospace que previa a expansão para mais de 15.000 horas de voo, o equivalente a 20 anos de uso, a vida operacional dos dois Orion tem em serviço. O P-3ACH Orion N 404, iniciou o programa em janeiro de 2017, e a segunda unidade, a N 407, chegou em maio 2018 às instalações de propriedade da empresa canadense no aeroporto de Halifax, Nova Scotia.

Os Orions do Chile receberam trabalhos de manutenção nos tanques, substituição de componentes das asas, montagem de um novo estabilizador horizontal, modernização de aviônicos e instalação de novos motores. Ambas as unidades incorporam aviônicos integrados a suíte Fligh2™ de comunicação e navegação da Collins Aerospace, empresa vigilância que possui telas avançadas e um sistemas de gestão de voo civil e militar integrado.

A Aviação Naval comprou em outubro de 2007 três C295ACH Persuader, e teve a aeronave N 501 de retorno ao setor operativo em março de 2018 após sofrer uma grande manutenção realizada pela Airbus Defesa e Espaço na Espanha. Esta manutenção que deve ser realizada a cada oito anos de acordo com o programa de manutenção da aeronave, compreende uma série de inspeção de obras e certificação da condição técnica para garantir a disponibilidade operacional e garantir o ciclo de vida do material de voo. A segunda aeronave, o N 502, foi enviada para a Europa no final de setembro para submeter a esta revisão do programa e é esperado que retorne ao país durante o primeiro semestre de 2019.

RIMPAC 2018

O ano que terminou teve um significado especial para a Marinha chilena, uma vez que realizou um conjunto de atividades que pôs fim à comemoração do bicentenário da sua criação que incluiu uma Parada Naval (o DAN esteve presente) que trouxe sete navios de cinco países e 18 unidades da Armada chilena.

A Marinha do Chile demonstrou internacionalmente sua capacidade de conduzir e liderar as operações marítimas no maior e mais importante exercício naval mundial, o Rim of the Pacific – Rimpac 2018, que teve lugar na costa do Havaí entre 27 de junho e 2 de agosto. O almirante Paul Niemann tornou-se o primeiro oficial de uma Marinha que não possui o inglês como língua nativa, a estar no comando da Componente Marítima das Forças Combinadas (CFMCC), que trouxe desta vez 46 unidades, 5 submarinos, 200 aeronaves e mais de 25.000 homens de 25 países.

Nesta edição da RIMPAC, foi dada ênfase nas missões anfíbias, anti-submarino e exercícios de defesa aérea e as operações contra a pirataria, a remoção de minas, destruição de material explosivo e mergulho e salvamento, bem como operações de apoio contra as catástrofes naturais e exercícios de segurança marítima.

A Marinha implantou nesta Rimpac 2018, a fragata FF-07 Almirante Lynch com um helicóptero AS332F1 Cougar do Esquadrão de Ataque HA-1 da aviação naval. Além desta unidade enviou uma equipe de 52 especialistas que realizaram trabalho de coordenação e que operaram na CFMCC durante o desenvolvimento do exercício e um pelotão de 36 fuzileiros navais do Batalhão IM Nº 21 Miller da Brigada Anfíbia Expedicionária (BAE Staff), comandado pelo sub-tenente IM Ernesto Iribarne, que se juntou ao 3º regimento US Marine e desenvolvido incursões de longo alcance, de assalto anfíbio e captura de instalações terrestres.

A Marinha do Chile também apresentou suas capacidades no programa de cooperação DESI (Diesel Electric Submarine Initiative), da Marinha dos EUA. O submarino Simpson SS-21 participou neste exercício onde testou as habilidades e técnicas navais nas unidades antisubmarinas nos Estados Unidos. O Simpson SS-21, éum submarino classe 209 / 1400L, e chegou no dia 2 de julho a Base Naval Point Loma em San Diego, Califórnia, depois de iniciar sua jornada a partir do porto de Talcahuano em 22 de maio. A tripulação chilena realizou um treinamento contra incêndios, de controle de danos e inundações nas instalações do Submarine Learning Center (SLC) de San Diego, para enfrentar mais tarde no mar com o seu homólogo norte-americano.

FONTE: Infodefensa

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: DAN



 

2 Comments

 

  1. 04/01/2019  10:34 by Dalton Responder

    O Chile tem um vizinho, Peru , que tem praticamente o dobro da população chilena...não que ache que Chile e Peru entrarão em
    guerra, mas, o grau de percepção de ameaça do Chile é maior que o brasileiro e correspondentemente, o Chile procura atualizar suas forças armadas...diferente do Brasil que tem uma dificuldade maior de enxergar potenciais inimigos.
    .
    O Chile não está aumentando o número de seus principais combatentes de superfície, 8 unidades...estará substituindo 3 navios "velhos" por 3 mais novos/eficientes, mas, por melhor que um navio seja, não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e
    quanto ao "retrofit" de fragatas...o Chile está fazendo porque são navios ainda relativamente novos...coisa parecida foi feita aqui no Brasil com o "MODFRAG" que modernizou as 6 classe Niterói" quando ainda valia a pena moderniza-las...entre fins da década de
    1990 e meados da década de 2000.
    .
    O Brasil está dando prioridade a submarinos, mas, há em curso a proposta de se construir 4 fragatas leves/corvetas, então, não
    se está de braços cruzados quanto a combatentes de superfície e a preocupação do "Atlântico" não ter "escolta" é meio desproporcional ...nem mesmo navios anfíbios/logísticos da US Navy se movem pelo mundo com um escolta sempre dependurado debaixo do braço.
    .
    Quanto a "SAAR" ...é um bom projeto que atende necessidades israelenses, mas, nem tudo que é bom para Israel é bom para o
    Brasil e vice versa, na minha opinião.

  2. 03/01/2019  18:46 by Vovozao Responder

    03/01/2019 - quinta-feira, bnoite, Vejamos as diferenças, Chile cada dia mais desenvolve seus meios navais próprios, navio quebra-gelo, retrofit suas fragatas, enquanto isso vemos nosso AMRJ, cada dia mais decadente. Ainda aproveitando veremos grandes concorrência quando houver fragatas de ocasião a venda, só na América do Sul, Perú; Chile, Colômbia; todos de olho em oportunidades. Como com o novo governo estamos em alta com Israel, de repente vamos comprar algumas SAAR'S????

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