O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, admitiu, hoje (4), a possibilidade de as Forças Armadas terem que interromper projetos prioritários devido à falta de recursos para a Aeronáutica, o Exército e a Marinha.



“Mantida a perspectiva de redução da ordem de 23% do nosso orçamento, os projetos estratégicos correm, sim, o risco de ser descontinuados”, disse o ministro, ao participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Entre os projetos em desenvolvimento considerados prioritários, estão a construção de quatro submarinos convencionais e de um com propulsão nuclear pela Marinha, a aquisição, pelo Exército, de viaturas blindadas e dotadas de sistemas de armas e proteção; e a compra de 36 aviões de combate da fabricante suíça Gripen pela Aeronáutica.

De acordo com Luna, as Forças Armadas precisam de, no mínimo, R$ 18,3 bilhões para custear despesas discricionárias, ou seja, aquelas que não são obrigatórias e só são empenhadas quando o Tesouro tem dinheiro em caixa para a despesa específica. Em 2018, a margem de discricionariedade do orçamento da Defesa é de R$ 13,3 bilhões. “É insuficiente para o cumprimento de nossas missões, tanto para o adestramento das Forças, como para manutenção dos projetos”.

Preocupado com os limites impostos pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, a chamada PEC do Teto de Gastos, aprovada em dezembro de 2016, que congela por até 20 anos o aumento das despesas dos três Poderes, o ministro revelou ter enviado ao Palácio do Planalto um memorando detalhando as reais necessidades de recursos para que as três Forças possam cumprir sua missão constitucional e dar continuidade aos projetos estratégicos em desenvolvimento.

“Considerando a conjuntura, o teto de gastos, o espaço de menos de 10% que temos para crescimento das despesas discricionárias, nos quais os projetos estão incluídos, há, sim ,o risco de descontinuidade”, atirmou o ministro. “É preciso consolidar uma melhor proposta orçamentária. Nada se faz sem isso”, enfatizou.

No mês passado, o Ministério da Defesa já tinha alertado que a interrupção de projetos em função da falta de recursos poderia ocasionar, além de atrasos na conclusão dos produtos, o aumento dos custos inicialmente orçados; a incidência de multas e a eventual perda de oportunidade de negócio e de divisas.

Durante a audiência na Câmara, o ministro da Defesa detalhou que, somadas, as três Forças reúnem um efetivo de 347 mil homens e mulheres para proteger cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 17 mil quilômetros de fronteiras e um litoral com quase 8 mil quilômetros. De acordo com o general, a dimensão continental do território brasileiro é um dos grandes desafios para a defesa nacional, inclusive no âmbito da segurança pública.

Luna destacou também que mais da metade do atual efetivo militar é formada por pessoal temporário. “[É um] dado que interessa quando estamos tratando de orçamento, já que isso já faz parte da reestruturação que as Forças estão fazendo de modo a diminuir a chamada `cauda logística´. É gente que passa no máximo oito anos em uma das Forças, principalmente em áreas técnicas, como a saúde, e então deixa a vida militar”.

Pelos números apresentados, há, hoje, 193 mil temporários e 154 mil militares de carreira. Contudo, os inativos, pensionistas e anistiados já somam 386.985 pessoas.

FONTE: Agência Brasil
FOTO: Ilustrativa



 

10 Comments

 

  1. 10/07/2018  21:25 by Adriano Corrêa Responder

    Isso aí é certeza, essa PEC 241 foi feita para literalmente... literalmente... literalmente destruir o Brasil. Nada mas nada mesmo neste país conseguirá ser concluido com este plano de governo.
    Esse Gripen NG foi assassinado no momento que foi escolhido. Plano neoliberal em um país sem bases mínima como o nosso destrói tudo e todos.

  2. 08/07/2018  12:08 by jose luiz esposito Responder

    Como sempre coloco aqui , somente quando quebrarmos as Pernas das Castas Corporativistas brasileiras , que tomaram o Poder em 1889 incluindo os militares , as coisas mudarão , cada dia mais as Castas brasileiras avançam nas nossas Riquezas , e Orçamentos , fazendo que cada dia mais e mais Impostos sejam necessários para manterem-se como Nababos da Republiqueta , porém o povo brasileiro não quer admitir isto e continuará como Pária da nação !

  3. 06/07/2018  12:16 by Lucas Pereira Responder

    Isso não tem nada a ver com os americanos, parem de ser chupeteiros comunistas.
    O problema é que durante anos nos tivemos deficit fiscal e hoje não temos como pagar, ou seja, há a necessidade de enxugar gastos. A real necessidade é mostrar que as forças armadas não são gastos inúteis, por exemplo, o nosso setor legislativo, executivo e judiciário poderiam muito bem cortar na carne e mostrar que há parceria entre os poderes no âmbito de contingenciar os gastos e favorecer o Brasil.

  4. 06/07/2018  12:08 by Andre Responder

    "Falta de recursos"! O país que mais paga imposto no mundo e constrói estádios caros e obsoletos não tem recursos. Falta de patriotismo mudou de nome, agora é falta de recursos. Interessante como nunca falta recursos para custeio do Estado com suas regalias e auxílios para os parlamentares e reajustes. Perceberam? Curioso isso! Para isso nunca falta recursos. Conversa para boi dormir.
    Quem tem que traçar uma estratégia para patrulhar o território são as Forças Armadas não o governo. É como a automação de grandes navios: quanto mais tecnologia menos mão de obra. Cadê o Sisgaaz? É cada uma que temos que ler.

    • 06/07/2018  18:45 by Beto Santos Responder

      André pare de reclamar e dar desculpas, este continho que gastamos tanto na copa e nas olimpíadas não cola, me explica como aqui no Brasil foi este gasto este valor enorme, que você já falou em outros post e com razão, e segundo a mídia tivemos prejuízo e em outros países que também receberam a copa e olimpíadas tiveram lucro, é simples de explicar e se chama ingerência e corrupção e na minha opinião as forças armadas tem muita ingerência que ultimamente diminuiu muito, mérito dos novos comandantes, mas precisamos fazer a coisa funcionar e deixar de reclamar e colocar a culpa nos outros, "erramos sim mas não vamos cometer o erro duas vezes" é este pensamento que temos que ter e procurar colocar isso na cabeça de todos no Brasil.

      • 06/07/2018  22:58 by Andre Responder

        Você pede para que eu não reclame e não dê desculpas e você sai reclamando até do lucro dos outros? Então já temos uma somatória de problemas não é Beto?: gestão, corrupção, oficialato, nada dá certo aqui só la fora. Bom se os custos desses eventos somados em detrimento do que deveria ser investido em tecnologia militar são irrelevantes, já que "não colam", então dinheiro é o menor dos problemas certo? Descartado esse item temos os outros motivos que citei acima. Portanto com dinheiro ou sem dinheiro nossa soberania nacional tem tudo para não ser mais nossa. E quem está culpando os outros? Você que vem com essa história de lucro dos outros países. O problema Beto é que sua ideia desses valores astronômicos dos jogos não colarem é que eles contrariam o título desse post: dinheiro para as Forças Armadas não tem mas para eventos esportivos...

  5. 06/07/2018  11:51 by IBANEZ Responder

    O problema de orçamento das Forças Armadas Brasileiras não é só de disponibilidade de recursos mas também de gestão. Já vi reportagens estimando que 70% do orçamento é gasto com despesas pessoais (o que inclui pensões altíssimas e eternas de filhas de militares) enquanto em países como a Itália com gastos cerca de 30% maiores e efetivo de uns 100.000 a mais que o brasileiro a porção é de cerca de 40%!

  6. 06/07/2018  11:02 by felipe Responder

    esse ministro da de defesa e capacho dos estados unidos nao so ele mas todo o governo atual.como assim ele diz que as forcas armada nao tem dinheiro? é porque ele recebeu a ordem dos esytados unidos para nao investi mais nas forcas armada brasileira pois nao é do interesse dos estados unidos que a sua colonia chamado brasil se armem.lametavel

    • 06/07/2018  12:14 by Andre Responder

      Estados Unidos? O que os Estados Unidos tem a ver com isso? O governo gasta mais do que arrecada e para encobrir os erros internos você culpa os outros? Assim fica fácil argumentar: é só não administrar bem o governo e quando der errado já sei quem responsabilizar. Aí não né?

  7. 06/07/2018  10:29 by Edson Responder

    Na parte aeronáutica pode ficar tranquilo, não tem mais projeto nenhum. Agora na marinha, além de fazer umas soldas nuns cascos também não há nada a fazer, e no chão tá tudo certo com os tanques que os americanos mandaram pra cá. Além do que não há mais nada pra cuidar. Temos que aproveitar esta onda em que se está vendendo tudo e terceirizar a defesa, afinal nem a propriedade é mais nossa. Então eles que são americanos que se intendam porque já mudei meu nome para Joe Mcknelson Murdock III

Leave a reply

 

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.