Por James Goldrick

O governo britânico está agora totalmente comprometido com a fragata Type 26. Em 2 de julho, o Ministério da Defesa anunciou que tinha assinado um contrato para três navios, provavelmente o mínimo que poderia se safar. Com novo design, a fragata tem a designação “Global Combat Ship”, e está destinado a ser capaz de realizar operações independentes ao redor do mundo, bem como fazer parte de um Task Force.

O projeto é teoricamente especializado para a guerra anti-submarino, mas na prática terá capacidades de uso geral, incluindo armas anti-superfície e anti-aéreas. Não vai, no entanto, ser usado para a defesa aérea de uma força-tarefa, um trabalho feito na Marinha Real pelo destróier Type 45.

Com pouco menos de 150 metros de comprimento e mais de 5.000 toneladas de deslocamento, a fragata Type 26 não é um navio pequeno, mas muito do seu tamanho foi pensado para proporcionar resistência prolongada e capacidade para transportar pessoal e equipamentos adicionais. Ela terá um convés de vôo capaz de operar um Chinook.

Dadas as tendências na guerra marítima, é provável que a Type 26 seja uma plataforma para veículos aéreos não tripulados, de superfície e submarinos. A proliferação de veículos não tripulados e sua necessidade de plataformas para lançamento, é uma das principais razões por que o ditado ‘o aço é barato e o ar é livre’ se aplica aos novos navios de combate. Cada vez mais, a capacidade de unidades tripulados serão determinadas pelos tipos e quantidades de sistemas não tripulados que eles podem ser receber.

Há uma certa quantidade de cinismo sobre este anúncio há muito aguardado. Apesar de uma frota envelhecida, a motivação pode não ter sido tanto a preservação da Marinha Real, mas o medo de demissões em Clyde. Um segundo elemento em jogo era o reconhecimento para dar a credibilidade necessária a Type 26, para concorrer no projeto SEA 5000 australiano.

A classe inteira se destina a um número oito unidades, mas o anúncio do Ministério da Defesa, reservando compromisso com as últimas cinco unidades para o início da década de 2020, confirma os problemas orçamentais que o governo britânico tem, já que aceita a perda de economia de escala, com uma encomenda de 3 em oito, com o risco de não encontrar o dinheiro para as 5 restantes no futuro.

A outra incerteza é o projeto fragata Type 31, supostamente um navio menor e mais barato para fazer número, o que a Royal Navy precisa tão desesperadamente. Este foi o desejo da Marinha como parte da última revisão da defesa feita por elementos do ministério da defesa que eram mais focados em fornecer uma solução temporária para o problema orçamental do que entender as implicações de tal mudança contra a corrente.

ilustração da fragata Type 31

Se a Grã-Bretanha tem a capacidade de design para gerar um navio de combate de superfície adicional num prazo razoável, isso está aberto a dúvidas, como a capacidade de estabelecer e executar uma segunda linha de produção. O que não está em dúvida, é que os custos de arranque da fragata Tipo 31 será superior a quaisquer possíveis poupanças feitas através da restrição de compra da Type 26.

O tempo está se esgotando. Mesmo assumindo que 35 anos de vida útil, algo que nenhum destróier britânico ou fragata tem alcançado antes (o destróier Type 42 Liverpool, alcançou quase 30 anos entre 1982 e 2012), a Royal Navy deve substituir 13 navios entre 2026 e 2035. A redução da vida útil da Type 23 para sensíveis 30 anos (uma década a mais do que as especificações do projeto original), traz o calendário de volta para 2021-2030. A Royal Navy mantém atualmente 19 destróieres e fragatas, embora seus problemas de pessoal são tais, que ela não consegue tripula-los plenamente. É uma medida de quanto a capacidade de defesa britânica foi reduzida de 30 anos para os dias atuais, onde havia uma força com 50 desses navios. A menos que as prioridades sejam reordenadas, a força vai cair para 14 em 2030.

No entanto, a verdade é que o maior problema do Royal Navy é pessoal. A força do ‘serviço naval’ é geralmente dada como 30.000, mas que inclui 7.000 Royal Marines. Estes últimos são uma força de combate extremamente valiosa e muito eficiente, mas eles não podem tripular sem as técnicas necessárias para manter os navios em operação.

Com pouco mais de 23.000 oficiais na Royal Navy, o serviço é muito pobre, e ele está enfrentando problemas de retenção significativos e escassez em categorias-chave, exacerbadas por tal ‘magreza’. Dois grandes porta aviões estão sendo introduzidos em serviço, e a Royal Navy espera opera-los juntamente com quatro submarinos equipados com mísseis balísticos, sete submarinos de ataque movidos a energia nuclear, 19 navios de combate de superfície, 15 navios de contra-minagem, um grupo anfíbio e uma variedade de navios de pesquisa e navios de patrulha.

Como está se tornando claro, isso não pode ser feito. O aumento mínimo em pessoal autorizado pela última revisão da defesa era apenas um band-aid. Ou a Grã-Bretanha encontra mais recursos para a Royal Navy, e seu esforço de defesa como um todo, ou ainda maiores cortes na estrutura da força terão de ser feitas.

Sobre o autor:

James Goldrick  é professor adjunto do ANU’s Strategic and Defence Studies Centre, professor adjunto e membro do  Naval Studies Group of the Australian Centre for the Study of Armed Conflict and Society at UNSW Canberra, e amigo do Sea Power Center da RAN.

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: DAN

FONTE: Aspistrategist