Por James Drew e Jen DiMaschio

Depois de uma série de lançamentos de mísseis balísticos da Coréia do Norte, o presidente Donald Trump, em agosto, prometeu que sua administração aumentaria o financiamento da defesa de mísseis em “bilhões de dólares”.

Já no meio de uma revisão de defesa de mísseis balísticos que deverá encerrar até o final do ano, o Pentágono foi direcionado para ver o que poderia ser feito no curto prazo. Os primeiros resultados do impulso do presidente agora são visíveis, com o Congresso aprovando a transferência de US $ 367 milhões de outros programas, para uma série de esforços de defesa antimíssil.

As transferências financiam a busca de uma capacidade de “pronto lançamento” para derrotar mísseis móveis enquanto eles ainda estão no chão, seja usando um míssil disparado de um caça, lançado por navio ou um ataque de forças especiais. Eles também fornecem financiamento para iniciar o esforço de criação de 20 novos silos de defesa de mísseis em Fort Greely, no Alasca, bem como para atualizações para um radar de banda X baseado no mar e testes adicionais do míssil SM-3 Block 2A.

A Raytheon lançou a última versão, Block 2A de seu míssil de defesa aérea SM-3, que está sendo desenvolvido cooperativamente pelo EUA e pelo Japão, para destruir mísseis de médio alcance no espaço durante a fase intermediária de seu voo e é para ser usado contra mísseis de alcance mais longo. O míssil já possui o desempenho de velocidade, alcance e altitude necessário para derrotar ICBMs. Por design, o buscador óptico desenvolvido para o Kinetic Warhead do SM-3 Block 2A foi ampliado e é também a peça central do Redesigned Kill Vehicle (RKV). Em 2022, ele começará a substituir veículos nos novos Interceptadores baseados no solo (GBI) no Alasca.

Redesigned Kill Vehicle (RKV)

O RKV está sendo desenvolvido por um consórcio da indústria liderada pela Boeing, incluindo Lockheed Martin e Raytheon. A Raytheon diz que, com alguns ajustes de software inseridos ao RKV, o SM-3 Block 2A poderia ser usado contra alvos ICBM. “No programa RKV, estamos desenvolvendo algoritmos para melhorar a capacidade de desempenho desse sensor. Não é mais do que software e firmware”, explica Rondell Wilson, engenheiro principal da Raytheon para produtos de defesa aérea e antimíssil. “Isso vai diretamente para o SM-3 Block 2A, e agora você tem uma capacidade ICBM-killer”.

O SM-3 Block 2A será o principal armamento do site Aegis em terra sendo ativado na Polônia no próximo ano. A Raytheon diz que instalações terrestres similares poderiam ser instaladas no Havaí ou nas costas leste ou oeste dos EUA como uma segunda camada de defesa redundante contra possíveis ataques com mísseis.

Se bilhões de dólares adicionais forem desbloqueados para a defesa de mísseis, Wilson diz, o SM-3 Block 2A e o Block 1B de menor altitude, proporcionariam maior capacidade e mais rápida. “Nós podemos fornecer o SM-3 Block 2A em terra como uma capacidade sub-camada para GBI, maximizando assim a profundidade da revista desses GBIs de alto valor”, diz ele. “Nós podemos fazer isso imediatamente”.

O SM-3 Block 2A está sendo testado e já entrou em produção limitada. O principal fornecedor da Raytheon é a Mitsubishi Heavy Industries do Japão, que fornece os impulsionadores de segunda e terceira etapa e o cone do nariz.

O míssil completou dois testes de vôo bem sucedidos, e eliminou seu primeiro alvo de mísseis balísticos em fevereiro. Mas o segundo teste de interceptação, em junho, falhou, alegadamente porque um marinheiro no USS John Paul Jones pressionou o botão errado e o míssil se auto destruiu após o lançamento.

“Nós sabemos que não foi o interceptador”, diz Wilson. Para as ameaças na atmosfera, a Raytheon também está propondo interceptadores SM-6 terrestres para o Exército. É a arma de defesa aérea de maior alcance dos Estados Unidos, normalmente para mísseis guiados equipados com Aegis. Dean Gehr, diretor do Raytheon para o Land-Based Standard Missile, diz que o SM-6 foi demonstrado contra aeronaves, mísseis de cruzeiro e até mesmo navios. Também pode interceptar as ogivas dos mísseis quando eles entram na atmosfera e depois de que qualquer chamariz tenha falhado.

“Você tem muita capacidade no SM-3 e SM-6, então por que não trazer essa capacidade a terra?”, Diz Gehr. “Já está em terra como parte da Aegis terrestre, e podemos integrá-lo com os sistemas existentes do Exército, então você terá uma defesa em camadas”. A Raytheon propôs diferentes opções de lançadores para o SM-6, como o sistema de manuseio de carga M1120 HEMTT usado com o sistema de defesa aérea de alta altitude High-Altitude (Thaad) de Lockheed Martin.

O controle de fogo para o Exército poderia ser fornecido pelo Sistema Integrado de Comando de Batalha de Armas e Mísseis da Northrop Grumman. A Raytheon também quer que o Pentágono adote seus sistemas de radar de longo alcance, especificamente a banda X do sistema Thaad TPY-2 e o Radar de Defesa Aérea e Míssil SPY-6 da banda S em desenvolvimento para a Marinha.

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: DAN

FONTE: AviationWeek Network

 

7 Comments

 

  1. 17/10/2017  17:32 by Iwan

    Topol em Primeiro lugar DF/ZF nao e missil, e ogniva supersonica de Cruzeiro e Se entrar em Servico sera em 2020; segundo para ser lancada precisa ICBM e para isso serve SM-3. Sobre Satan II acredito que muitas aguas vao passar para entrar em servico. Desde Sputnik escrever sobre isso e entrar em servico .... os russos estimaram em 2016 que as primeiras serao entregues em 2018 mas ... eles falam muito e fazem pouco, so lembro do Pak Fa, Armata, Kurganiec, Bumierang, porta avioes novos, modernizacao do Kuzniecow, ect. Falta de grana e tecnologia de producao. Alem disso ninguem viu esta „maravilha” voando. Contrario do DF/ZF que ja passou por 10 testes.

  2. 16/10/2017  12:21 by _RR_

    Topol,

    Observe esses dois esquemas:

    http://i.huffpost.com/gen/3741118/thumbs/o-DARPA-BOOSTGLIDE-570.jpg?6

    http://www.nextbigfuture.com/wp-content/uploads/2015/03/chinawu14hypersonic-1.jpg?x71037

    Ambos são claros ao demonstrar que o HGV atua somente da fase intermediária para a fase terminal do voo. Ele é liberado após o apogeu da trajetória ( momento de maior acúmulo de energia ), realiza o pull-up, acumula mais energia, e vem na descendente em velocidade hipersônica. Até liberar o HGV, o engenho procederá como um ICBM comum.

    Não faria sentido desprender-se antes do apogeu de sua trajetória, posto não haver o máximo aproveitamento nessa situação.

  3. 15/10/2017  16:11 by Topol

    https://www.nextbigfuture.com/2016/04/hypersonic-bosst-glide-weapon-analysis.html

    RR

    Realmente, analisando este artigo podemos ver que os HGVs traçam uma trajetória endoatmosférica e não exoatmosférica, pegam a velocidade de reentrada fazem a manobra para cima e depois no limite da atmosfera voam em linha reta à velocidade hipersônica até que manobram e despencam perpendicularmente sobre o alvo... porém essa reentrada é bastante antecipada em relação a reentrada prevista na trajetória balística convencional, na realidade ela ocorre bem antes do míssil atingir o apogeu da sua parábola ele já desprende as HGV e isso consequentemente faz com que a distancia para interceptação na fase de impulsão se torne muito grande para os mísseis SM-3, a menos que estejam posicionados bem perto do setor de lançamento do ICBM...

    Esta animação aqui demonstra muito bem o funcionamento de um ataque com ICBM dotado com veículos de reentrada HGVs em comparação com outro balístico convencional

    https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSXIOoP8rlUgjON10pah7EUqgUfs-iieVJ0A9ofEpM-nFnBIIwKq

  4. 15/10/2017  13:10 by _RR_

    Topol,

    Até onde sei, os HGV somente irão atuar a partir da fase terminal de voo, realizando uma manobra de pull-up e pegando velocidade na reentrada.

    Os mísseis RIM-161 block 2A visam interceptação a meio curso... Nessa situação, é possível determinar uma área prevista para impacto e deixar o seeker fazer o resto. Aliás, é assim que os mísseis do sistema GMD atuarão.

  5. 14/10/2017  21:33 by Topol

    Com a entrada em operação dos mísseis RS-28 Sarmat (Russia) e do DF/ZF (China) ambos dotados de "hipersonic glide vehicles" todas a linha de mísseis standard dos EUA ficará impotente, haja visto que esses módulos hipersonicos se comportarão como misseis de cruzeiro fora da atmosfera, e em velocidade assombrosa, não há como traçar um ponto previsto de impacto como um missil balistico qualquer... a única maneira de barrar um ataque dessas armas são os GBI que a USAF opera em duas bases (California e Alaska)... não atoa e sabendo muito bem disso Donald Trump ordenou a construção de mais 20 silos para acomodar os gigantes mísseis do sistema GBI, assim como a pesquisa e construção de EKVs mais confiáveis, mais inteligentes e que possam interceptar ogivas multiplas

  6. 13/10/2017  21:38 by Adriano Corrêa

    Esperamos que fique somente na teoria sempre! Pois na prática duvido muito da eficácia a qual é vendida.

  7. 13/10/2017  12:59 by _RR_

    Segundo a wiki, o míssil teria o alcance de 2500km... Para interceptar um ICBM a meio curso, deve ir aos 1000km de altitude ( apogeu da trajetória desses artefatos ). E de toda a sorte, se tem alguma capacidade anti-ICBM, é certo que ultrapassa os 700 km de teto.

    Em relação aos chineses ou norte coreanos, se imaginarmos os destróieres americanos armados com esse míssil, isso significa capacidade de lidar com mísseis MRBMs e ICBMs que teoricamente ainda estariam sobrevoando território chinês ou da Coréia do Norte, caso esses vasos estejam em qualquer espaço de água entre a China e Taiwan e Japão!

    No que tange a submarinos dotados de mísseis SLBM, destróieres ao largo da costa americana e do Canadá, poderiam interceptar mísseis na direção do território americano ou canadense teoricamente em qualquer situação.

    O mesmo se aplica em relação a japoneses, que teriam a possibilidade de defesa também em qualquer situação.

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