Ao escolher o general da reserva do Exército Joaquim Silva e Luna como novo ministro da Defesa, o presidente Michel Temer quebrou uma tradição. Pela primeira vez um militar assume o comando da pasta, criada em 1999. O general substituirá Raul Jungmann, deslocado para o recém-criado Ministério da Segurança Pública.

Apesar de o governo ter anunciado que o militar assume o cargo interinamente, o jornal O Estado de S. Paulo apurou que a intenção do presidente é mantê-lo no posto até o fim do seu mandato.



A escolha de Silva e Luna foi defendida pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen. Ele já era uma espécie de “braço direito” de Jungmann, como secretário-geral do Ministério da Defesa.

— Decidiu-se pela continuidade e por quem tem proximidade com o ministro da Segurança Pública para alinhar os esforços, facilitando todas as ligações e contatos para as ações de segurança que vão continuar acontecendo daqui para a frente. Só isso — disse o ministro.

Além do bom trânsito nas Forças Armadas, contou a favor de Silva e Luna a experiência na pasta e o fato de ser um general da reserva. Na segunda, durante evento em Porto Alegre, Etchegoyen declarou que a escolha de Silva e Luna não causa “desconforto” na Marinha e à Aeronáutica:

— Eu acho que a gente deve subir um pouquinho este debate para um nível mais adequado, porque tudo tem uma razão para colocar a responsabilidade ou a culpa nas Forças Armadas. Qual é o problema das Forças Armadas? É ter prestígio? Seria esse o problema? Honestamente, não vejo isso porque os militares são disciplinados.

Na Marinha e na Aeronáutica, no entanto, há ressalvas à situação. A avaliação de alguns oficiais é de que o ideal seria tanto o cargo de ministro da Defesa quanto o de secretário-geral serem ocupados exclusivamente por civis. A escolha traz de volta a discussão que existia no antigo Estado-Maior das Forças Armadas, órgão que precedeu o Ministério da Defesa, em que integrantes do Exército tiveram protagonismo em relação a representantes das outras forças.

O perfil

O general-engenheiro Joaquim Silva e Luna, 69 anos, é considerado de perfil técnico. Ele está no ministério há quatro anos, levado pelo então ministro petista Celso Amorim, e exercia a função de secretário-geral na gestão de Raul Jungmann. Por sua experiência no cargo, uma espécie de número dois da pasta, Silva e Luna tem bom trânsito tanto entre civis que atuam na área como entre integrantes das Forças Armadas.

O general disse para pessoas próximas não se incomodar com possíveis críticas por ser o primeiro militar a ocupar o posto e, nas conversas que manteve, refutou a tese de militarização da pasta.

Filho de agricultores da pequena Barreiros, em Pernambuco, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em 1969, ainda durante o regime militar, e foi declarado aspirante-a-oficial de Engenharia em dezembro de 1972.

Silva e Luna já foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em 2013, por irregularidades em um convênio assinado entre o Exército e entidades sem fins lucrativos para os Jogos Mundiais Militares em 2011. O general afirmou que o recurso da defesa foi aceito pelo Tribunal, e o processo, arquivado.

Segurança

O presidente convocou para quinta-feira (1º), às 11h, no Planalto, uma reunião com governadores para falar sobre combate à violência já com Jungmann como titular da recém-criada pasta. Foram convidados todos os governadores. O Ministério da Segurança Pública abrigará Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e Secretaria de Segurança Pública (inclui a Força Nacional).

FONTE: GauchaZHMinistro da defesa



 

8 Comments

 

  1. 17/06/2018  0:23 by Flanker Responder

    Estranho essa matéria ser replicada aqui só agora. Silva e Luna é ministro da defesa desde 26/02/2018, ou seja, há mais de 3 meses. E a matéria da Zero Hora é daquela época também. E, pode parecer preciosismo, mas Silva e Luna completa 69 anos só em dezembro desse ano.

    • 17/06/2018  8:20 by Luiz Padilha Responder

      Ele era interino. Agora não é mais.

      • 18/06/2018  10:35 by Flanker Responder

        Tudo bem, mas é que como a materia e antiga, e não fala nada do fato dele deixar de ser interino e passar a ser efetivo, eu estranhei. Toca o barco. E não importa se é militar ou não...precisa é ser competente e ter um bom trânsito entre civis e militares. E isso, parece que ele tem.

  2. 15/06/2018  19:53 by Andre Responder

    Que bacana! Um metalúrgico e sindicalista pode governar o país mas um militar não pode administrar um órgão de sua competência. Tem coisas que só acontecem no Brasil mesmo. E que história é essa da fonte dizer que há algum atrito dos militares sobre ter um oficial do Exército no cargo se existe o Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (EMFA) cuja liderança é feita rotativamente por militares? Aliás nunca mais se ouviu notícias sobre esse órgão.

  3. 14/06/2018  21:25 by IBANEZ Responder

    Não concordo com a indicação de um militar para o cargo de Ministro da Defesa. Nada contra o fato de ele ser um militar, mas acho que ao indicar um general do exercito, como foi o caso, acaba inevitavelmente criando um atrito com as outras forças. O mesmo ocorre se fosse um brigadeiro ou um Almirante. Ainda acho que indicar um civil é a melhor opção para não criar nenhum risco de privilegiar uma força em detrimento a outra.

  4. 14/06/2018  17:57 by Cleber Responder

    Eu me recusaria um cargo num governo " pilantra" como esse ! Mas claro ... eu pelo menos tenho ombridade !

  5. 14/06/2018  17:04 by Ricardo Santos Responder

    Graças a Deus! Já estava mais do que na hora de um nativo do assunto ficar à frente de um cargo de importância tão estratégica! Era como pedir para um mecânico cuidar da obra de uma casa ou para um pedreiro consertar o seu carro. Apesar do Sr. Jungmam ter procurado ter uma administração o máximo coerente possível! Nos países com forças armadas que são respeitadas e valorizadas têm um militar na pasta! É só ver por aí! Alguém da área entenderá mais o pensamento sobre as necessidades das forças do que um civil! Me perdoem mas esse é o meu pensamento e não acho que esteja longe da verdade.

  6. 14/06/2018  13:52 by Casuar Responder

    Interessante , já teve ministro ex do supremo , ministro exterrorista , ministro comunista , mas na minha opinião, do surgimento do cargo até hoje , o Jugmam foi de longe o mais sensato e oque mais manteve uma distância saudável de correntes ideológicas, das 2 vezes que ocupou o cargo , gosto do cara !

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