Fábrica de compósitos Saab Kockums

Por Luiz Padilha

O estaleiro Saab Kockums possui larga experiência na construção de navios em materiais compostos. Em 2015 quando o DAN visitou sua fábrica de compósitos, não foi possível trazer imagens do processo de fabricação das peças que compõem um navio feito em compósito. Desta vez, foi possível trazer aos nossos leitores um pouco deste interessante processo, que transforma navios tornando-os mais leves, mais rápidos e mais econômicos.

Os resultados são observados através dos navios construídos e de partes que o Saab Kockums produz para outros clientes. Dentre os navios já produzidos, temos os quatro MCMV (Mine Countermeasures Vessel) classe Styrsö, os sete MCMV classe Landsort (com 5 modernizados para a classe Koster) e as cinco modernas corvetas da classe Visby.

     

O estaleiro Saab Kockums está produzindo a superestrutura do OPV de 1.000 toneladas para o estaleiro Singapore Technologies Marine (STM), que está encarregado de construir oito navios para a Marinha de Singapura, dentro do programa do Littoral Mission Vessel-LMV.

       

Nós acompanhamos o processo de união das placas de lâminas de fibra de carbono, lâminas de fibra de vidro reforçado entrelaçadas, por infusão à vácuo de resina especial até estar 100% coberta pelo produto. Após 1 hora da cura do material, a placa esta pronta para ir para a seção de corte, onde em um processo totalmente automatizado, as peças que irão compor o navio, vão sendo cortadas por um equipamento totalmente automático utilizando jato de areia.

       

 

       

O know how da Saab Kockums neste tipo de construção, proporcionou ao estaleiro contratos com outros países. A Marinha da Índia, projetou um novo tipo de corveta anti-submarina, construindo localmente a INS Kamorta que deu nome a classe. De um total de quatro corvetas, as duas últimas INS Kiltan (P 30) e INS Kavaratti (P 31), serão diferentes das duas anteriores pois não serão 100% em aço, tendo suas superestruturas feitas com material compósito.

Corveta INS Kamorta (P 28) - Superestrutura em aço

É esperado para este mês (Dezembro 2016), a incorporação à Marinha indiana, da INS Kiltan quando será possível verificar a diferença de desempenho entre um mesmo modelo construído totalmente em aço e o outro um híbrido com o casco em aço e superestrutura feita de compósito.

Corveta INS Kavaratti (P 31) - Superestrutura em compósito

As estruturas em compósitos também são muito fortes para o seu peso relativo, e menos peso significa uma velocidade máxima mais elevada e melhor manobrabilidade. O compósito pesa cerca de 50% menos do que o aço e tem resistência equivalente, além de proporcionar a construção do navio mais rápida.

A imagem acima mostra como é feita a união do casco em aço com a superestrutura em compósito. Muitos testes foram e continuam sendo feitos no laboratório que o estaleiro possui. Seus engenheiros estão constantemente desenvolvendo e testando novas variantes em compósito, buscando se manter sempre na vanguarda desta tecnologia.

O engenheiro Hans Forsman e uma de muitas lâminas de teste para novos compostos

       

As tecnologias, soluções e experiências adquiridas com as corvetas da classe Visby pelo Saab Kockums, foram usadas para desenvolver uma nova família de navios, com o tamanho variando entre 70 e 110 metros, denominada FLEX Patrol.

Os navios FLEXpatrol serão do tipo multi-missão, capazes de atuar em um amplo espectro de missões, como combate de superfície, guerra anti-submarina (ASW), defesa aérea e patrulha.

Os navios FLEXpatrol do Saab Kockums possuem flexibilidade também em sua composição, podendo ser todo em compósito como nas corvetas classe Visby, com baixo deslocamento (tonelagem), ou projetos híbridos com um casco de aço e uma superestrutura de compósito como os exemplos de Cingapura e Índia, que importaram o conceito de superstrutura de compósitos desenvolvido pelo Saab Kockums.

Corveta FLEXpatrol do Saab Kockums

Talvez seja uma opção interessante para a Marinha do Brasil estreitar relações com o estaleiro Saab Kockums, e assim ter uma ideia mais precisa do comportamento das duas corvetas indianas, INS Kiltan (P 30) e INS Kavaratti (P 31), comparando-as com o navio que deu origem a classe, o INS Kamorta (P 28).

Conhecer os resultados desta tecnologia pode ser útil para a Marinha do Brasil, e um intercâmbio de seus engenheiros com seus pares do Saab Kockums, certamente traria um maior conhecimento sobre a utilização de superestruturas fabricadas em compósito. Futuros projetos nacionais, como os Navios de Patrulha de 500 e de 1.800 toneladas, poderão, caso seja adotada esta configuração, ter um desempenho superior em velocidade e economia, tanto de combustível quanto de manutenção, haja visto que os navios sofreriam muito menos em termos de corrosão.

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6 Comments

 

  1. 19/12/2016  15:30 by Spectre

    Estamos que nem madame **desmancha prateleiras ** ..só olha ,,comprar que é bom **necas** ,,,como diz um amigo ,vamos acabar um negocio , depois começamos outro ,,,tem umas Corvetas que são parecidas com novela das grandes ,,,,,quem sabe com o natal a,,,,época propícia ha milagres....rssss

  2. 19/12/2016  16:04 by Lucas Schmitt

    Como esses suécos conseguem ser tão competentes? Kkkkkkk

  3. 19/12/2016  17:57 by André

    Pior Spectre, vamos acabar igual os cubanos que em pleno século XXI usam carros da metade do século XX, mas no nosso caso será com os navios, isso se não tirar os que estão em serviço sem recompor a unidade que deu baixa. Pode parecer ironia, mas da forma como a situação se prolonga, infelizmente, não é tão longe da realidade.

  4. 19/12/2016  18:29 by _RR_

    Verdadeiramente impressionante...!

    Mais uma excelente matéria. Parabéns ao senhor Padilha e ao DAN!

    Muito interessante a Flexpatrol. Salvo engano, está dentro dos requisitos do PROSUPER.

    E eis uma das razões pelas quais acredito que o PROSUPER deveria ser desmembrado. Haveria maior flexibilidade para aquisição de meios, permitindo captar o melhor de cada industria naval.

    Há inclusive empresas instaladas no Brasil que poderiam providenciar alguma coisa até o nível de um patrulheiro naval de 2000 tons. A VARD ( uma empresa norueguesa, mas que tem instalações no Brasil e atua produzindo embarcações para o mercado de gás e petróleo ), por exemplo, tem no currículo a OPV selecionada para a Guarda Costeira dos EUA.

  5. 20/12/2016  10:21 by Mauro Miras

    Os comandantes da Marinha do Brasil, deveriam deixar a arrogância de lado e, avaliar esta corveta da Saab Kockums, o FLEXpatrol apresentado na matéria, acredito que este navio é mais barato que a corveta Tamandaré.

  6. 30/04/2017  0:16 by Ricardo Moriah

    Olha só esse navio do VARD https://vardmarine.com/vessel-gallery/#filter=.seven

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