Após assumir o cargo, em 1º de janeiro de 2019, próximo presidente deve iniciar mudança no comando do Exército, Aeronáutica e Marinha

Por Tânia Monteiro

BRASÍLIA – Embora fora das discussões de campanha, umas das atribuições do novo presidente será a sucessão de comando nas Forças Armadas. Enquanto na Marinha a escolha mais provável é o primeiro integrante do alto comando na ordem de antiguidade, no Exército e na Aeronáutica há mais questões que devem ser consideradas. Na FAB, por exemplo, Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT) terão a oportunidade de empossar o primeiro comandante negro.



O perfil considerado ideal entre os militares para assumir o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica, no atual momento do País, é de um oficial-general que tenha forte liderança e apetite político. Também precisa ter pulso para não permitir que a política volte aos quartéis, o que consideram inadmissível, assim como impedir qualquer tipo de interferência do governo nas forças e vice-versa. A observação vale para PT, que já tentou interferir em assuntos internos no passado, e para Bolsonaro, que, segundo os oficiais, se eleito, não ficará à frente de um governo militar.

Marinha – Na Marinha, o atual chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de Esquadra Ilques Barbosa Júnior, é o favorito. Mesmo próximo de ir para a reserva, o que não é impeditivo, é quem reúne o maior apoio entre colegas. A boa relação com o Exército também conta a seu favor para substituir o atual titular, almirante Eduardo Leal Ferreira. Mas a lista tríplice conteria ainda os nomes dos almirantes Paulo Cezar Küster, Comandante de Operações Navais, e Liseo Zampronio, Secretário-Geral da Marinha.

Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Júnior

Aeronáutica – Já na Aeronáutica há divisões nas preferências internas. Quem hoje tem mais chances, segundo militares ouvidos pelo Estado, é o número dois na ordem de antiguidade, o atual chefe do Estado-Maior da Força Aérea, brigadeiro Raul Botelho. Caso escolhido, ele será o primeiro negro a assumir o posto. Conta a seu favor também a influência do seu colega de turma na FAB, coronel Braga Grillo, que está assessorando a campanha e trabalha há anos com o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio.

Brigadeiro Raul Botelho

O brigadeiro mais antigo, porém, é Antonio Carlos Moretti Bermudez, diretor do Departamento de Ensino da Aeronáutica (Depens). Ele também está próximo de ir para a reserva, mas ainda espera assumir o comando da Força. Recentemente, recusou um convite para uma vaga no Superior Tribunal Militar (STM) por acreditar que tem chances de comandar a tropa. A mesma vaga foi oferecida a Botelho, que também a recusou pela chance de chegar ao posto mais alto da carreira militar. Há ainda um terceiro nome na possível lista da FAB: o brigadeiro Antonio Carlos Egito do Amaral, que está no Comando de Preparo.

Além do comando da FAB há ainda outro posto pretendido pelos quatro estrelas da Aeronáutica: o de chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, hoje ocupado pelo almirante Ademir Sobrinho. A FAB pleiteia que seja chancelado rodízio no posto que, seguindo este critério, deverá ser ocupado agora por um tenente-brigadeiro. Neste caso, valeria a mesma lista de concorrência.

Exército – A sucessão mais delicada, porém, é a do Exército. Caso Bolsonaro seja o eleito, os quatro primeiros na linha de antiguidade foram companheiros de turma do capitão reformado na Academia Militar da Agulhas Negras (Aman): generais Edson Leal Pujol, Paulo Humberto, Mauro César Lourena Cid e Carlos Alberto Neiva Barcellos.

General Edson Leal Pujol Foto: Pedro Ribas

Os nomes considerados mais fortes são o do chefe do Estado-Maior do Exército, general Paulo Humberto César de Oliveira – número dois na linha de antiguidade –, e o comandante Militar do Sul, Geraldo Antônio Miotto.

Embora seja só o quinto mais antigo, Miotto é quem aparece como favorito. Seu perfil é considerado semelhante ao do atual comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, além de ser ligado ao general Hamilton Mourão, vice na chapa de Bolsonaro. Na hipótese de vitória do presidenciável do PSL, Mourão e o general Augusto Heleno, cotado para o Ministério da Defesa, terão forte influência nesta escolha.

Caso o eleito seja o candidato do PT, a avaliação é de que Haddad opte pelos primeiros nomes da lista de antiguidade, podendo haver um diferencial em relação ao Exército. Neste caso, há quem lembre que há possibilidade de que o general Marcos Antônio Amaro dos Santos possa ser o escolhido para o comando da Força. Chefe da segurança da presidente cassada Dilma Rousseff, ele foi fiel a ela durante o período em que esteve no Planalto.

FONTE: Estado de São Paulo



 

10 Comments

 

  1. 23/10/2018  0:40 by D Responder

    Nossa, como está desatualizado a pessoa que redigiu essa matéria. Citar o Brigadeiro Bermudez como diretor do Depens, foram duas colocações erradas aí, diante do fato de que o TB Bermudez hoje comanda o COMGEP, assim como não existe mais o DEPENS e sim a DIRENS.

  2. 22/10/2018  12:06 by Paulo Guerreiro Responder

    Espero que o Gen Miotto seja o esvolhido assim como o Brig Botelho mas importante que os nomes esta em resolver a questao do regime de previdencia dos militares porque existe quem defende um regime igual e unificado para os todos servidores federais civil ou militar

  3. 22/10/2018  9:30 by Josean costa Responder

    Esperamos que o capitão lembre de sua audiência no congresso quando pediu para incluir na LDO (2013) pagar a diferença dos 28,86% , já ordenada pelo STF desde 2008, para todos os militares.

  4. 22/10/2018  1:13 by Eduardo Souza Silva Responder

    Espero que o escolhido resolva a questão dos QESA, igualdade e condição com os Taifeiros de acordo com a lei 12.159/09.

  5. 21/10/2018  21:05 by Alexandre Esteves Responder

    O TB Bermúdez é o Comandante do COMGEP, Comando Geral do Pessoal. O DEPENS, após a reestruturação, deixou de ser Departamento e psssou a ser uma Diretoria do COMGEP, e é chefiado por um Oficial General de 3 estrelas, no caso o MB Mesquita.

  6. 21/10/2018  19:43 by Daniel Freitas Responder

    Uma coisa que ninguém abordou ainda e que está correndo os corredores da Marinha é a possível separação do CFN! O vice de Bolsonaro, o General Mourão, está querendo transformar o CFN em uma 4° Força, a pedido dos próprios Fuzileiros Navais...

    • 22/10/2018  12:03 by XO Responder

      Amigo, duvido que isso passe... abraço...

  7. 21/10/2018  12:16 by Mauro Responder

    Vai acabar a moleza !

  8. 21/10/2018  10:56 by Canalla Responder

    Se o Botelho for escolhido, os Parques de Materiais Aeronáuticos de Recife e Afonsos serão reativados.

    • 22/10/2018  16:00 by Rafael Responder

      Isso é muito bom, pois houve rumores que o Parque dos Afonsos seria entregue a iniciativa privada !

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