Por João José Oliveira

SÃO PAULO – O vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Filippo, disse que testes com o cargueiro militar KC-390 foram um dos fatores que levaram a companhia a ter margens operacionais inferiores às projetadas para o ano.

A Embraer reportou em 2017 margem em dólares para lucro antes de juros e impostos (Ebit) de 5,6% e margem antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 11%, ante as metas que eram de 8% a 9%, para Ebit, e de 13,5% a 14,5%, para Ebitda.



A empresa disse que R$ 217,2 milhões foram gastos em itens especiais, principalmente relacionados aos ‘impairments’ nos segmentos de Aviação Executiva e de Defesa & Segurança.

Filippo afirmou que a empresa precisou reconhecer US$ 50 milhões em gastos extras por causa de alguns fatores, entre eles testes com o KC-390. “Se não fosse por esses US$ 50 milhões, a margem teria ficado na parte de baixo da meta”, admitiu Filippo em teleconferência de resultados com jornalistas.

No dia 12 de outubro, o protótipo 001 da aeronave de transporte e reabastecimento Embraer KC-390 teve “um evento além do limite planejado no teste de uma das várias configurações experimentadas durante um voo de certificação para avaliar as qualidades em baixa velocidade com simulação de formação de gelo”, segundo a empresa.

Por causa disso, o protótipo 001 ficou fora de testes para manutenção. Segundo Filippo, isso levou a ajustes, com mais horas de utilização do protótipo 002 e mudanças no cronograma de procedimentos.

“É importante destacar que o evento não provocou mudanças no programa”, disse o executivo, afirmando que o primeiro KC-390 será entregue à Força Aérea Brasileira (FAB) para 2018. “Os dois protótipos estão em testes agora”, afirmou.

FONTE: Valor
FOTOS: Ilustrativas



 

5 Comments

 

  1. 10/03/2018  21:20 by Esteves Responder

    Ora pois.

    O Gordo (KC390) era fantástico. Feito sob encomenda da FAB pra entrar em oca de índio na Amazônia. Elogiadíssimo. Foi pra Le Bourget na França e arrancou aplausos. Pousa e decola na selva.

    De repente...impairments ou deficiências ou problemas ou incidentes provocaram danos de mais de 200 milhões de dólares no resultado sendo 50 milhões do primeiro protótipo que voltou pro hangar.

    E conta pro Valor. E conta na internet. E conta pro vizinho. E derruba valor das ações. E lança desconfiança no mercado. E faz os portugueses pensarem bem porque só eles compraram o Gordo.

    Anota o nome. Filippo com dois pes. Vice presidente de finanças. Hoje em dia todo mundo dobra uma letra do nome. Dizem que trás sorte.

    Vou levar o nome desse boca mole pra Mãe de Santo que me batizou. Toda vez que falar tonteria, cai 3 dentes.

  2. 10/03/2018  15:57 by afranio jorge nunes bahia Responder

    Parabéns Sr. Esteves pelo comentário lúcido e competente.
    Embora não entenda nada de economia, sei que o mercado especulativo está sujeito a raios, ventos chuvas trovões, granizos etc. etc.
    É o risco que se corre ao palmilhar pelos meandros das bolsas de valores mundo afora, comprando ações, desta ou daquela empresa. Estranho é uma empresa sair por ai desculpando-se por uma suposta previsão de lucro não concretizada.
    Mais estranho ainda na esdrúxula justificativa, e, que coloca na berlinda um dos seus mais auspiciosos programas: O KC 390.
    Alardeava aos quatro ventos que o programa corria dentro do cronograma pré-estabelecido, de repente, não mais do de repente , por conta de um incidente susceptível a qualquer projeto que envolva tecnologia de alta complexidade, alega extra oficialmente que o fato se deveu aos gastos com o protótipo incidental. Parece mais uma desculpa para que justifique um aporte financeiro da gigante Boeing,e consequentemente sua venda para a mesma.

    Veremos os próximos capítulos, a ilibada e poderosíssima FIESP agradece bem como o mercado de capitais. E assim no reino das
    bananas vamos perdendo capacidade instalada de empresas de tecnologia.

  3. 10/03/2018  14:22 by Fernando Javier Aracena Bello Responder

    Engracado que estando em vias de finalizar o acordo com a Boeing, surgem noticias negativas sobre a Embraer. O supertucano que caiu no Afeganistao (no ano passado e divulgado agora!), a "baixissima" margem de lucro dos EJets, a insinuacao velada de que o KC390 é um projeto caro, e outras que virão logo.
    Tudo faz parte do jogo comercial para abaixar o preco da empresa.
    Fiquemos de olho!!

    • 10/03/2018  15:40 by Esteves Responder

      Pois é. Só falta contar que o banheiro da Embraer entupiu.

  4. 10/03/2018  12:59 by Esteves Responder

    Toda empresa paga imposto e juros. Todo negócio sofre depreciação e tem seu capital amortizado. De 13,5% a 14,5% tem diferença. Um por cento em negócio de milhões de dólares é muito.

    As notas publicadas informaram margem de 16%. Agora caiu.

    Não dá pra acreditar em nada. Tem que esperar a publicação do balanço. Cada um que conta um conto diminui um ponto, diz minha mãe.

    O teste de um protótipo derrubou a margem da empresa? O teste de um protótipo levou 50 milhões de dólares do caixa da empresa?

    Se os dois protótipos tivesse passado por eventos não previstos a empresa teria gasto 100 milhões do caixa?

    A notícia não é nova. Novidade é contar que o evento não previsto levou 50 milhões de dólares do caixa da empresa.

    Novidade é essa história de margem operacional menor. O vice presidente disse que os testes com o KC390 derrubaram a margem da Embraer. Precisa contar isso? Precisa publicar resultado e esclarecer dúvidas dos acionistas.

    Mas precisa contar que o protótipo 001 da aeronave retornou com problemas e que os problemas significaram perder 217 milhões sendo 50 milhões do Gordo?

    Parece que a Embraer tem atração por contar notícia ruim.

    Filho, publica os resultados e fecha a boca. Se alguém perguntar, responde. Mas não venha contar tragedia nem imprevistos. Todo negócio tem seus percalços. Não vejo empresa dando tiro no pé como a Embraer. Tem gente de fora querendo comprar.

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