Construída na época do Império Russo, embarcação continua em uso

Foto: Vasiliy Batanov/Sputnik

Por Boris Egorov

A construção do navio foi um processo único. Graças ao aço especial usado pela fabricante Putilov, o casco do navio permanece em condições perfeitas até hoje, mais de um século depois de seu lançamento. Infelizmente, esse método de produção de aço se perdendo em meio aos tumultos da Revolução Russa e da guerra civil no país.



O Volkhov não foi concebido para participar de guerras nem possuía armas. O objetivo principal desse barco tipo catamarã era resgatar, sobretudo, submarinos e prover assistência nas águas abertas.

Foto: Georgiy Zimarev/Sputnik

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Volkhov serviu como base flutuante para submarinos no mar Báltico. Levava até dez torpedos extra e reservas de combustível. Além disso, podia prover acomodação para 60 marinheiros.

Entre as embarcações resgatadas pelo navio estão os submarinos AG-15 (em condições muito difíceis) e submarino da classe Bars Unicórnio. Também resgatou o submarino britânico HMS L55, que afundou em 1019 no golfo da Finlândia durante uma colisão com os destróieres soviéticos Gavril e Azard.

Em 1922, o navio foi rebatizado como Kommuna, nome que sobreviveu à queda da URSS. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como base para conserto de submarinos e permitiu atracação de submarinos soviéticos classe M (classe Malyutka).

Desde 1967, o Kommuna faz parte da frota do Mar megro, baseada em Sevastopol, na Crimeia. Sua equipe aumentou de 23 para 41 pessoas em serviço.

O Kommuna já resgatou mais de 150 embarcações, mas os submarinos não são seu único foco. Em 1977, ele salvou uma aeronave Su-24 que afundara.

O tempo não tem sido favorável com o Kommuna, e hoje ele precisa passar por constantes renovações e modernizações. O navio era equipado com o sistema subaquático ROV Saab Seaeye Panther Plus, que pode estudar objetos a uma profundidade de até 1 km. Até mesmo o velho piano que foi dado ao navio em 1914 foi consertado e está funcionando de novo.

FONTE: Russia Beyond

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8 Comments

 

  1. 08/02/2018  19:02 by Ivan BC Responder

    Muito legal...esse navio passou por grandes histórias: 1 e 2 guerra, revolução comunista, guerra fria, queda da revolução comunista e fim da guerra fria...sem falar outros episódios da história. Incrível!
    Essa rivalidade USA e Rússia já encheu o saco, perdeu a graça kkkkk os dois países deviam desenvolver armas juntos (hoje estou lunático). Anos atrás Bush e Putin (presidente que não larga o osss) tomavam coca cola e comiam McDonalds kkkk Bush tomava Vodka.

  2. 08/02/2018  18:04 by Leonardo Rodrigues Responder

    Pelo jeito por aqui com o casco em perfeitas condições do ex Foch hoje São Paulo conforme dito pelo próprio comandante da marinha em 20 de setembro de 2016, casco este que foi avaliado pela Zentech através do sistema ZAIMS (Solução de Gerenciamento de Integridade de Ativos da Zentech). Como aqui gostamos de rasgar dinheiro vamos mandar um casco ainda podendo durar 20, 30 anos virar lata de sardinha quando poderíamos estar ganhando expertise reformando o porta aviões e ganhando tempo para a construção de um NAE da mesma classe ou modificado atendendo padrões que a classe Clemenceau possa ter não correspondido. Mas como alguém precisa ganhar um "dim dim" entrega-se o que temos e vamos aventurar num porta helicópteros deixando a margem todo o investimento nos aviadores navais que terão que torcer por visitas de PAs de nações amigas para fazerem treinamentos embarcados. Triste fim desta nação.

    • 09/02/2018  9:39 by Dalton Responder

      Leonardo...
      .
      lembro que o "DAN" fez uma matéria anos atrás sobre tudo o que se estava fazendo no "São Paulo"...muito completa, provavelmente o Padilha era uma das pessoas mais bem informadas sobre o "São Paulo" na época...mas...tudo tem um
      limite...mesmo o casco estando em boas condições...era como enxugar gelo e o pior se fosse investido tudo o que se
      precisava, na faixa de mais de um bilhão de reais, não se teria garantias de que funcionaria.
      .
      Em 2008 o USS Enterprise passou por um último período de manutenção...e como todo navio velho, surpreendeu, levou muito mais tempo e custou muito mais do que havia sido previsto e isso que ele foi reparado no mesmo lugar onde ele foi
      construído...Newport News, e ele era visto como uma prioridade portanto recursos não faltaram.
      .
      Talvez se a situação econômica do Brasil realmente tivesse melhorado na década de 2000 e a marinha tivesse recebido um
      dinheiro a mais, tivesse sido possível atender às necessidades do "São Paulo" dentro de um prazo razoável porque da forma
      como foi feito na base do conta gotas, não deu e agora é tarde demais.

      • 09/02/2018  9:56 by Luiz Padilha Responder

        No caso do São Paulo, as condições do miolo/recheio do navio n ão estavam nas mesmas condições do casco. Além das reformas, haviam as modernizações que teriam que ser feitas, sendo que nenhuma delas garantia 100% de eficiência após suas conclusões, o que inviabilizou totalmente a sua reforma. Uma pena que nossa marinha não tenha verbas suficientes para manter seus meios. Porta aviões é um "brinquedo" caro, muito caro.

  3. 08/02/2018  12:03 by Johan Responder

    O tempo em serviço só atesta a qualidade do projeto e processo de fabricação. Se está com o recheio moderno e com a estrutura íntegra não há o que criticar. Gostaria de ver o U17 com armamentos e sistema modernos.

  4. 08/02/2018  10:47 by Dalton Responder

    Um dinossauro e vários mamutes...um dos quais é o "Smetlivy" único sobrevivente da classe "Kashin" de destroyers que
    está para completar 50 anos...o mais antigo destroyer em serviço.
    .
    Ocorre que o "Smetlivy" tem turbinas a gás e isso o torna mais confiável que os maiores e mais novos "Sovremennyy" com
    caldeiras e que tem passado muito tempo atracados ou em missões curtas.
    .
    Na US Navy o navio mais antigo atualmente é o USS Blue Ridge, um "navio comando" comissionado em 1970 e não há ainda
    nem projeto para substitui-lo e ao seu irmão USS Mount Whitney" que deverão ser retirados de serviço em meados da década
    de 2030 com respeitáveis 65 anos !
    .
    O bonito é que esses "velhinhos" vem cumprindo suas missões.

    • 08/02/2018  11:35 by Luiz Padilha Responder

      Exatamente. Pela idade são chamados de lata velha entre outros adjetivos, mas bem cuidados podem cumprir as missões.

    • 08/02/2018  17:46 by Igor Responder

      se não me engano, pelo menos no papel o USS Constitution ainda está comissionado, então ele ganha o título de mais velho da turma =D

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