Por Richard Weiss, Benjamin D. Katz e Corinne Gretler

(Bloomberg) – A Swiss Air saudou a chegada de seu último avião com grande fanfarra, apelidando o modelo Airbus A220 de “avião do sussurro” e prometendo aos bairros do entorno do Aeroporto de Zurique 50% menos barulho que as aeronaves mais antigas.



Mas o rótulo acabou assombrando a unidade da Deutsche Lufthansa porque, segundo descrição dos moradores, os dois motores do avião de fuselagem estreita emitem um som parecido com um estranho uivado quando a aeronave chega à terra, irritando quem mora no trajeto do voo.

“É ainda mais barulhento do que outras aeronaves”, disse Klaus Stoehlker, porta-voz da Fundação Contra o Barulho dos Aviões, com sede em Zurique. “Eles o descrevem como algo temporário que ocorrerá apenas enquanto fazem avaliações, mas passaram nove meses e o barulho não foi embora.”

O Aeroporto de Zurique recebeu reclamações em sua linha telefônica para barulhos relatando sons incomuns quando o A220 passa pelo céu, disse uma porta-voz, acrescentando que a instalação está trabalhando com a Swiss para buscar uma solução rápida. O avião, que foi desenvolvido pela Bombardier e atualmente faz parte da linha da Airbus, não viola as regras e o som, que dura alguns segundos, não gerou a aplicação das tarifas maiores aplicadas aos jatos que emitem ruídos mais fortes.

Acasalamento da Baleia Orca

A Airbus e a Swiss afirmaram que estão cientes da situação e em contato próximo com a fabricante de motores Pratt & Whitney, que está analisando o barulho comparado por alguns ao canto de acasalamento de uma baleia orca para determinar sua causa. O som “ocorre ocasionalmente” durante os movimentos do acelerador quando o A220 está em baixa potência, disse uma porta-voz da Pratt, acrescentando que a pegada total do ruído do jato ainda representa uma melhora de 75% em relação aos aviões mais antigos.

O problema, que afeta os modelos A220 aparentemente de forma aleatória, pode manchar a imagem do avião de alternativa ideal para aeroportos com limitação de ruído. Aeroportos concentradores como o de Frankfurt operam com toques de recolher rigorosos no período noturno, enquanto o Aeroporto da Cidade de Londres, também atendido pela Swiss com o avião, restringe os voos nos fins de semana.

O nome Whisperjet foi aplicado a uma série de aviões ao longo das décadas, como o BAE-146 e o Boeing 727 da Eastern Airlines, cujos motores montados na traseira deixavam a frente da cabine silenciosa, mas a traseira especialmente barulhenta.

FONTE: UOL

COLABOROU: Angelo Almeida



 

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