PHM ‘Atlântico’ pronto para o FOST – Flag Officer Sea Training

Porta Helicópteros Multipropósito Atlântico (A 140)

Por Luiz Padilha

O Porta Helicópteros Multipropósito Atlântico (A 140) após um longo período quando sua tripulação passou por inúmeros treinamentos e cursos, se prepara agora para seu treinamento final antes de suspender de Plymouth – UK para o Brasil.

Quando suspender para realizar o FOST – Flag Officer Sea Training, o CMG Giovani Corrêa, comandante do PHM Atlântico poderá por a prova toda a preparação de sua tripulação, na inspeção que será realizada por uma equipe da Royal Navy, a qual levará o navio ao limite, simulando situações onde a tripulação será avaliada. O navio realizará vários exercícios nos seguintes setores: Navegação, Controle de Avarias, Manobra do navio, condução do sistema de máquinas e emprego da lancha e EDVP – Embarcação de Desembarque de Viatura e Pessoal (LCVP MK5B). Além da tripulação, todos os equipamentos revisados pela Babcock serão avaliados afim de comprovar que o navio está pronto para sua viagem ao Brasil.

Na passagem do DAN pelo navio antes de seu comissionamento, o CMG Giovani explicou que a tripulação brasileira foi chegando aos poucos no navio e paulatinamente foi se preparando para a operação do navio, objetivando conduzir o novo meio e  empregar todas as sua capacidades o mais rapidamente possível.

Capitão de Fragata André, CheOPE do PHM Atlântico

O Capitão de Fragata André Felipe R.F. de Carvalho é o Chefe de Operações do Navio (CheOPE). Após sua chegada ao Reino Unido, recebeu  diversas atribuições. Sua primeira tarefa foi planejar e supervisionar todo o treinamento dos militares brasileiros que compõem a primeira tripulação do Atlântico. Coordenou o processo denominado familiarização, onde os militares brasileiros eram treinados pelos militares da tripulação inglesa nos diversos equipamentos e sistemas do navio, além de transmitir seus conhecimentos e experiências aos futuros novos tripulantes. Também ocorreram vários cursos em Centros de Treinamento da Marinha Inglesa, onde cerca de 100 militares brasileiros cursaram nas diversas instituições de ensino da Marinha Inglesa (HMS “Collingwood”, HMS “Sultan”, RNAS “Culdrose” e HMS “Excelence”). Além disso, também coordenou a qualificação dos militares que atuam no Passadiço, no Centro de Operações de Combate (COC), nas tarefas inerentes à Navegação do navio e à previsão meteorológica para Operações Aéreas.

       

Os militares que trabalham no Centro de Operações de Combate (COC) tiveram a oportunidade de realizar vários treinamentos junto à Marinha Inglesa. Quatro militares brasileiros fizeram cursos de capacitação na manutenção do Sistema de Combate do Navio, o DNA-2 LPX.  O curso foi realizado no importante centro de treinamento HMS Collingwood, em Fareham, próxima à cidade de Porthsmouth. Além disso, a equipe do Departamento de Operações também teve a oportunidade de treinar e praticar em simuladores do sistema de combate DNA-2, que equipa o PHM Atlântico. Os militares que irão operar o COC serão o CheOPE, quatro oficiais e sete praças. Cabe aqui ressaltar que os conhecimentos práticos na operação do SICONTA dos navios escoltas brasileiros, permitiram que a operação do DNA-2 fosse rapidamente assimilada. O sistema de combate do navio após a sanitização passará a se chamar CMS (Combat Management System) LPH e não mais DNA-2.

       

Uma equipe do GAT (Grupo de Apoio Técnico) e dois militares da tripulação do Atlântico realizaram treinamento do radar Type 997 Artisan 3D que equipa o navio e foi instalado na última modernização realizada pela Royal Navy, em 2014. O treinamento visou preparar a equipe brasileira para a manutenção do sistema no Brasil.

O Departamento de Operações é composto por dois grupos: o GRUCET (Grupo de Comunicações e Eletrônica) e o GRUOPA (Grupo de Operações Aéreas). O GRUCET possui duas Divisões: Divisão de Comunicações (Oscar-1), encarregada da Estação Rádio do navio, com todos seus equipamentos existentes e a Divisão de  Eletrônica (Oscar-2) que gerencia a operação dos Radares 1007, 1008, Artisan 3D 997 e os Transponder e Interrogador IFF, além do Sistema de Combate DNA-2 LPX.

       

Os consoles do COC são multifunção, ou seja, podem ser configurados para atender às demandas de qualquer ambiente de guerra. Um exemplo desta funcionalidade seria a possibilidade de configuração de consoles tanto para a função de Aproximação e Partida de Aeronaves, quanto para o emprego tático dessas aeronaves em uma Guerra Antissubmarino, por exemplo.

O GRUOPA possui a função de gerenciar toda a programação de operações aéreas, gerando a chamada “Blue Sheet”, onde constam todas as decolagens e pousos que no navio serão realizados.

Consoles de controle remoto dos canhões de 30mm ATK MK44 Bushmaster

Dentro do COC, além dos consoles do sistema de combate, estão instalados os consoles remotos dos canhões de 30mm ATK MK44 Bushmaster, dotados de uma alça optrônica, com câmera de TV, câmera infravermelha e transceptor laser. Os canhões também possuem consoles locais, posicionados em estações próximas aos mesmos.

          

O Capitão de Corveta Elinton Barcelos Coutinho é o Encarregado Geral de Armamento (EGA), no navio. Todo armamento do navio é responsabilidade de seu departamento e cabe a ele manter todos de prontidão para pronto uso em caso de necessidade. Durante a fase de recebimento, todos os sistemas foram testados e se encontram aptos a serem utilizados se for necessário.

       

O Complexo de Operações é uma grande área do navio, composta por: Centro de Operações de Combate, Estação Rádio, Centro de Operações Anfíbias, Sala de Planejamento e Sala de Operações Aéreas. É nesta área que são conduzidos todos os planejamentos do Navio, da Força-Tarefa Embarcada e da Força-Tarefa Anfíbia. Todos esses compartimentos, dispostos próximos uns aos outros, proporcionam uma grande integração entre os Estados-Maiores embarcados, favorecendo a criação de uma melhor consciência situacional.

       

O Passadiço do navio guarda uma certa similaridade com o das fragatas inglesas Type 22 da Marinha. Um equipamento que nele se encontra é o WECDIS (Warship Electronic Chart Display and Information System). Este sistema, além de apresentar as cartas eletrônicas vetoriais, está integrado com o Radar do navio e seu AIS. Tal integração permite a apresentação de todos esses sistemas em uma única tela.

À esquerda painel do WECDIS – Warship Electronic Chart Display and Information System

          

Operações Aéreas 

Capitão de Fragata Átrio de Oliveira Cruz, CheAVI do PHM Atlântico

O Capitão de Fragata Átrio de Oliveira Cruz é o Chefe do Departamento de Aviação (CheAVI), do PHM Atlântico. Em contato com seu homônimo inglês do HMS Ocean, Commander Tom Joyce, piloto de Westland Sea King, recebeu todas as informações importantes antes dele desembarcar do navio. Com uma equipe de 32 militares (previsão de serem 76 após a chegada no Rio de Janeiro), os militares do Departamento de Aviação, durante o Aviation Trainning, tiveram a oportunidade de acompanhar como a tripulação inglesa realiza as operações aéreas no navio, inclusive com os ingleses operando as aeronaves com óculos de visão noturna (NVG – Night Vision Googles), pois o PHM Atlântico está preparado para este tipo de operação. Todo o conhecimento assimilado será usado quando ocorrer a VSA dinâmica na chegada do navio ao Brasil, onde as aeronaves dos esquadrões da Aviação Naval Brasileira, realizarão seus voos de QRPB (Qualificação e Requalificação de Pouso a Bordo), a bordo do PHM Atlântico.

       

A Torre do PHM Atlântico oferece excelente visibilidade ao CheAVI, que de sua posição é o responsável por toda a operação na zona de aeródromo. Hangar, convoo e dentro de 5 milhas, tudo que acontecer com as aeronaves, estará sob seu controle.

       

Ao mesmo tempo em que coordena as operações com as aeronaves da Torre, o Capitão de Fragata Wesley Gonçalves da Cruz – Sub Chefe do Departamento de Aviação, estará na estação do Convoo, local com visão privilegiada no convoo de onde junto com o CheAVI coordenarão as aeronaves nos spots e sua movimentação nos elevadores para descer ou subir as aeronaves do hangar.

Raquete com as marcações do convoo e do hangar

Tudo que acontece no convoo é controlado na Estação do Convoo, que atua também como se fosse um setor de despacho de aeronaves, onde todos os pilotos passam para embarcar em suas aeronaves.

Na Estação do Hangar que fica em uma posição superior com total visão de seu interior, se controla toda a movimentação das aeronaves e a realização de sua manutenção. Nesta estação existe um painel de controle de avarias específico para o hangar, onde o militar que guarnece é responsável pelo acionamento da equipe de CAV para o combate ao incêndio. O hangar do Atlântico pode receber até 16 aeronaves, considerando as aeronaves da MB, 12 grandes como SH-16 e UH-15 e 4 menores como o UH-12.

       

O convoo do Atlântico possui capacidade de operar com até 7 aeronaves, sendo 6 em spots longitudinais e um a vante, à direita, que pode receber uma aeronave até no máximo o peso de um Super Lynx.

Glide Path Indicator – GPI MK3

No convoo pode-se observar que o navio é equipado com 2 GPIs – Glide Path Indicator, uma GPI MK2 igual as usadas pela MB e uma GPI MK3 que é estabilizada nos 2 eixos e pode ser ajustada pelo console para a popa do navio, a 180° (para baixa visibilidade).

          

Além dos 2 elevadores de vante e de ré, o navio possui seis estações de reabastecimento no convoo para as operações aéreas, e um dado interessante é que o navio pode operar com aeronaves Tilt-Rotor MV-22 Osprey, pois existem 2 posições próprias para recebê-los, o que poderá ocorrer possivelmente durante uma Operação Unitas como ocorreu em 2015, em que três MV-22 Osprey estiveram operando com pousos no CADIM. Confira aqui os MV-22 Osprey no Brasil.

          

O navio possui na ilha uma ampla sala para briefing e debriefing dos pilotos e militares dos esquadrões, além de um vestiário para os pilotos escalados para voar onde podem guardar seus equipamentos de voo até a hora de voar. Na sala de operações aéreas os militares registram todos os planos de voo, com suas rotas alternativas e equipamentos disponíveis.

       

Ao final do período do FOST, o navio retornará a HMNB Devonport para verificações e apronto para sua viagem ao Brasil.

Torre de Controle

 

 

 

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