Como é voar e pilotar um caça AL 39 Albatros

Chino

A avaliação de hoje não é de uma companhia aérea, mas com certeza vai fazer muitos leitores sonharem e outros tantos começarem a juntar uma grana para realizar um sonho de infância: voar e até pilotar um caça! Sim, isso é possível e bem mais fácil do que parece e quem nos revela os detalhes é o leitor Bruno Resende, que realizou seu sonho em Los Angeles e conta com detalhes como foi pilotar um jato AL 39 Albatros! Imperdível!

Por Bruno Resende

Há alguns meses um amigo me enviou um link do Melhores Destinos, com a história fantástica de alguém que um dia voou em um simulador com o Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden. Quando li a reportagem, liguei imediatamente para ele: “Cara, isso é de verdade? Dá mesmo para fazer isso?” e ele respondeu: “Também não sabia… talvez você devesse contar que dá para voar em um caça também.” Bem… aqui estou.

Para todos aqueles que, assim como eu, sonharam muito quando criança em se tornar um piloto de caça e que por inúmeros motivos não seguiram esta trilha, segue meu relato do dia mais feliz (até agora) da minha vida: O dia em que voei (e pilotei) um AL-39 Albatros.

A história do voo do Albatros começa na verdade na minha adolescência, assistindo no Discovery Channel um documentário sobre o passeio de um repórter em um MIG-29, onde ele decolou de uma base área no meio da Rússia e voou tão alto que se podia enxergar a curvatura da Terra… tudo isso pela bagatela de US$ 30.000,00. E passei a sonhar com meu aniversário de 30 anos, quando poderia me dar este presente de aniversário.

Os 30 anos chegaram e junto com eles veio a percepção de que era muito dinheiro para se gastar em um voo de 50 minutos, mas isso não significava que era impossível… meu sonho tinha apenas que ser adaptado.

Pesquisando na internet encontrei uma empresa especializada em voos radicais nos EUA, onde era possível comprar uma voltinha em vários modelos de caças e entre eles estava o AL-39 Albatros. Um confiável caça de treinamento da antiga Tchecoslováquia com o qual os pilotos treinavam para pilotarem o MIG-29. O preço continuava sendo salgado, mas US$ 3.000 para a experiência de uma vida valeria a pena. Reservas feitas e passagens marcadas para Los Angeles!!!

Os preparativos

Conseguir reservar um voo em um caça a jato na verdade é bem simples, mas fazer os exames necessários, nem tanto. Além de um eletrocardiograma de estresse, você deve passar por um médico no Brasil (de livre escolha) para que ele ateste que tem condições físicas de aguentar os esforços e pressões inerentes a um voo de caça.

Por incrível que pareça, alguns médicos podem ser bem relutantes em te entregar um atestado permitindo que você voe a 900 Km/h fazendo rasantes, loopings e outras piruetas no meio do deserto. Seguro médico e de vida então… pode esquecer de contratar.

O briefing

Meu voo aconteceria na cidade de Chino, a 40 minutos da cidade de Los Angeles, e o tempo estava ótimo para voar: nenhuma nuvem no céu. Fui recebido para o briefing diretamente por quem seria meu instrutor e piloto naquele dia, um instrutor aposentado da Força Aérea Húngara, chamado Istvan Kalmar, também conhecido como “Steve”.

Depois que saiu da Hungria, Steve (que também é engenheiro aeronáutico) comprou um AL-39 por US$ 250 mil e hoje o aluga para passeios turísticos radicais. A montagem do avião ele mesmo realizou e atualmente ele está remontando outro caça que adquiriu da força aérea polonesa.

O briefing dura um total de 3 horas, onde Steve dá uma visão geral do funcionamento do avião e das manobras que serão feitas, além de alguns procedimentos básicos de segurança. Para suportar a força G das manobras, por exemplo, a recomendação era inspirar bastante ar, prender a respiração e contrair a barriga, o que amenizaria os efeitos da tonteira e reduziria a chance de desmaios durante as manobras (resultado da falta de oxigenação no cérebro).

A parte final do briefing são os procedimentos de emergência, como, por exemplo, os procedimentos para abandonar o avião em caso de pane

– “Puxo esta alavanca vermelha e sou ejetado, certo?”

Não… Steve me explica que a ejeção precisaria de dois foguetes instalados no banco, mas que ele não usa nada explosivo por ser muito perigoso. Na verdade, a alavanca vermelha abre o paraquedas do avião para que ele não caia com velocidade total no chão.

– “Depois é só você abrir o cockpit e pular”

Oi??? Abrir o cockpit e pular? Sim… Steve me explica que o caça não tem cinto de segurança. Você veste o paraquedas e este é preso no avião. Uma vez que você quebra a trava do cockpit, o paraquedas será desconectado do avião e você estará solto… aí é só dar um jeito de pular. Bastante animador.

O voo

Após o briefing, o nosso motor soa alto no aeroporto de Chino e todas as cabeças viram-se em nossa direção. Afinal, não é todo dia que se vê um caça pronto para a decolagem em um aeroporto civil. Logo depois da decolagem, seguimos em direção a San Diego, onde existe um espaço aéreo restrito da força aérea americana. Ao chegarmos lá, somos autorizados a realizar manobras e a diversão começa.

O voo é tudo aquilo que se espera de um voo de caça: velocidade, loopings, parafusos, rolagens, rasantes, curvas fechadas e demonstrações de posições e manobras de ataque. Tudo com uma descarga constante de adrenalina durante 45 minutos. A força G durante as manobras é impressionante!! Nas manobras mais agressivas, você literalmente sente o sangue fugindo da cabeça enquanto sua visão periférica começa a ficar escura… e você se esforça para não desmaiar. Cinco segundos após a manobra terminar, o sangue já voltou a fluir e você está pronto para outra!

O ponto alto do voo foi quando Steve me chamou pelo rádio e disse “Bruno, você quer pilotar um pouco?”. Quem responderia “não” a uma pergunta destas? Peguei o manche e fui seguindo as instruções dadas pelo Steve pelo rádio e que já tínhamos ensaiado no solo. Além de fazer algumas curvas, ele me deixou fazer alguns rolamentos sozinho com o Albatros, o que tornou o passeio ainda melhor. Pilotar um caça a jato, vendo seu piloto-instrutor com as mãos para cima batendo palmas durante as manobras é indescritível.

De volta ao solo, confesso que já não sabia exatamente onde estava meu coração, meu pulmão e o restante dos meus órgãos… todos estavam bastante misturados dentro do meu corpo… mas, tudo bem: eu tinha pilotado um caça!!!!!

Quem quiser ver o vídeo do voo, esta no Youtube um abraço e espero que esta historia anime outros a realizarem a mesma aventura!!!

FONTE: Melhores Destinos

FOTOS: Bruno Resende

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