Estudo mostra que a maioria dos alemães não apoiaria uma ação militar do país em defesa de parceiros na aliança atlântica. Na Rússia, aumenta a rejeição ao Ocidente.

German-Bundesweh

clippingA confiança dos alemães na Organização do Tratado do Atlãntico Norte (OTAN/NATO) está em queda. Uma pesquisa realizada pelo instituto americano Pew Research Center, divulgada nesta quarta-feira (10/06), indica que a maioria da população não apoiaria uma ação de seu país em defesa dos parceiros da Otan.

Segundo o estudo, 39% dos alemães consideram a Rússia a principal responsável pelo conflito na Ucrânia. No entanto, se Moscou entrasse em um “grave conflito militar” com algum país aliado da Otan no leste europeu, apenas 38% dos alemães apoiariam o envio de soldados da Bundeswehr, as Forças Armadas do país.

Considerando os habitantes dos oito países-membros da Otan, 48% dos entrevistados concordariam com uma intervenção militar, enquanto outros 42% entendem que esta seria uma atitude equivocada. Também na França e na Itália, os resultados da pesquisa do instituto americano revelaram que a população é, em grande parte, contra o envolvimento da aliança em um conflito dessas proporções.

Os países em que os entrevistados se manifestaram de modo mais favorável a uma ação militar da Otan foram os Estados Unidos (56%) e a Polônia (48%).

Queda na popularidade

Na Alemanha, apenas 55% da população têm uma visão positiva da Otan. Em 2009, essa parcela era de 73%. No leste do país, a rejeição à entidade é ainda maior: apenas 43% têm uma boa impressão da aliança, enquanto 46% a rechaçam.
A pesquisa revelou também que os dois lados do país discordam quanto ao presidente russo, Vladimir Putin. No oeste, apenas 19% têm uma opinião positiva a seu respeito, enquanto no leste, essa fração foi de 40%.

Por outro lado, na Rússia, aumentou a rejeição à Otan e ao Ocidente. Somente 12% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à aliança atlântica, e 31% expressaram opiniões positivas a respeito da União Europeia.

O instituto Pew entrevistou, em maio, mais de 11 mil pessoas nos EUA, Canadá, Alemanha, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Polônia, Ucrânia e Rússia.

FONTE: DW

 

6 Comments

 

  1. 17/06/2015  22:10 by Gilberto Rezende-Rio Grande/RS Responder

    Se 39% da população alemã culpa a Rússia na crise da Ucrânia...

    A quem culpa os restantes 61% dos alemães ????

    Os Europeus tem vários prejuízos sérios pelas pesadas sanções impostas aos russos...

    Mas os EUA continuam a comprar motores foguetes russos para seu programa espacial...

    Talvez alguns europeus estejam se sentido meio-otários nesta conta...

  2. 16/06/2015  15:55 by Bosco Responder

    Deveria ser arguida a população da Alemanha se ela apoiaria a ação dos parceiros da OTAN na defesa da Alemanha.

    • 17/06/2015  7:59 by RomauBR Responder

      Bingo!!

  3. 16/06/2015  10:59 by Ribeiro Responder

    Evidentemente posso estar enganado, mas creio que, de forma geral, a população começa a ver a real finalidade da OTAN...
    Criada na guerra fria, juntamente com o Pacto de Varsóvia, eram o ponto e contraponto da corrida armamentista baseadas nos idealismos capitalista e socialista... Hoje, em um mundo basicamente capitalista, a OTAN para não perder o motivo de sua existência, virou uma tropa multinacional para dar apoio (o mesmo sentido da toneladas de diplomacia) aos interesses econômicos dos países membros, e principalmente, americano... A prova desta mutação com o passar do tempo, é a inclusão de países do leste europeu e asiáticos...
    Talvez, os alemães estejam percebendo, que o forte da sua economia, não é baseada em um possível embate militar com russos (no caso específico da Ucrânia)...
    Abraços...

    • 16/06/2015  13:49 by topol Responder

      Ribeiro, concordo com sua opinião e acrescento mais um fator... a queda ou o desaceleração da economia europeia muito tem a ver com as sanções que os EUA aplicaram contra a Rússia, em que a maior prejudicada além da Rússia é a própria União Europeia, principalmente a Alemanha.... Sanções essas que os membros da OTAN estão sendo praticamente forçados a impor, muitas vezes a contragosto.

      A Siemens por exemplo já perdeu contratos milionários na Rússia, a Volkswagen igualmente está em franca recessão em suas operações que iam muito bem na Rússia... Da mesma forma empresas francesas como Alston e Bunge já anunciaram seus prejuízos devido aos cortes a que foram obrigados a se submeter graças as sanções americanas que os países da OTAN são obrigados a aplicar contra a Rússia

      Veja que até mesmo a DCNS está tentando se justificar com o governo da Rússia, pela decisão da não entrega dos navios Mistral, praticamente expondo publicamente que esses boicotes e sanções são uma decisão de força maior e contrária a vontade das empresas assim como da maior parcela da população da Europa, pois só interessam aos EUA...

    • 16/06/2015  20:27 by Leonardo Responder

      Mesmo com esses "prejuízos" a UE vai crescer esse ano 1,5%. Alemanha = 2%, França = 1,2%, etc. Está ótimo para Europa esses dados, mesmo com prejuizos na Rússia, e saindo de tempos difíceis anos atrás, está de bom tamanho esses indicadores para países desenvolvidos, com alta renda per capita.
      Diferente da Rússia, que é um país de renda per capita pequena igual Brasil, país sub desenvolvido, vai ter recessão de -4%, pior que do Brasil -2%.
      Sds

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