ENTREVISTA – Efraim Inbar,diretor do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat

Efrain

‘Israel não toma partido entre bandidos’ – Para analista israelense, plano russo não atende aos interesses do país, preocupado com programa nuclear do Irã

O plano russo, pelo qual a Síria abre mão de suas armas químicas e evita ser atacada pelos EUA, não atende aos interesses de Israel, contrariamente ao que se afirma no mundo árabe. O arsenal sírio, seja ele de destruição maciça ou convencional, não representa ameaça para Israel. O que realmente preocupa Israel é o programa nuclear iraniano. A queda de Bashar Assad, cujo regime é aliado do iraniano, interessa a Israel porque enfraqueceria o Irã. E bombardeios americanos, que a iniciativa russa pretende evitar, poderiam precipitar a queda de Assad.

É o que explica o especialista israelense em assuntos de defesa e de geopolítica Efraim Inbar, diretor do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat, da Universidade de Bar-Ilan, distrito de Tel-Aviv.

Além de não atender aos interesses de Israel, há no país um ceticismo de que o plano venha a ser cumprido, disse Inbar ao Estado.

O plano russo atende às preocupações israelenses?

– Os israelenses são muito céticos em relação a acordos de controle de armas e inspeções internacionais.

As armas químicas sírias são a principal preocupação de Israel?

– Não.

As armas convencionais sírias, incluindo os mísseis Scud, também representam uma ameaça?

 – São fonte de preocupação e uma ameaça, mas podemos interceptar os mísseis e também contar com a dissuasão. A principal fonte de preocupação é o programa nuclear iraniano.

Qual a probabilidade de a Síria atacar Israel com o objetivo de unir os sírios contra o chamado “inimigo comum”?

 – A probabilidade é muito baixa.

O Hezbollah parece ter aumentado sua força desde a guerra de 2006 (contra Israel), recebendo mísseis mais sofisticados do Irã. Isso preocupa Israel?

 – Sim, mas o Hezbollah está ocupado com a guerra civil na Síria (na qual luta ao lado do regime) e provavelmente aprendeu em 2006 que provocar Israel custa caro.

Do ponto de vista israelense, o envolvimento de grupos radicais islâmicos na guerra civil é razão para o Ocidente não ajudar o Exército Sírio Livre com armas?

 – Israel não toma partido entre bandidos matando bandidos.

O regime de Assad é mais seguro para Israel do que o risco de um novo regime sob a influência de radicais islâmicos?

 – Como Assad é aliado do Irã, que é o principal problema estratégico, quero que ele perca a guerra civil para enfraquecer o Irã. Em qualquer caso, a preferência de Israel não é relevante, já que o resultado
da guerra civil será determinado pelas partes que estão lutando.

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE – O Estado de S.Paulo

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