A aeronave de treinamento e ataque brasileira A-29 Super Tucano forma os pilotos de caça da FAB.

Por Kaiser Konrad

Criado em 1947 e ativado em 1953, mas transformado em unidade de caça somente em 1983, o Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5 GAv), localizado na Base Aérea de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, Brasil, é o esquadrão responsável por realizar o Curso de Especialização Operacional da Aviação de Caça (CEO-CA). O CEO-CA é o mais exigente e complexo curso de especialização operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). Por isso o Joker, como é chamado o esquadrão, é conhecido como o berço dos pilotos de caça da FAB.

De 1982 a 2004 operou o AT-26 Xavante, onde contabilizou a marca recorde de 260 mil horas de voo, formando mais de 700 pilotos de caça. Em 2005, formou a primeira turma de pilotos com sua nova plataforma A-29 A/B, que já contabiliza mais de 50 mil horas de voo somente na unidade. Um detalhe interessante é que a introdução do Super Tucano na FAB foi feita pelo Esquadrão Joker, cuja responsabilidade também foi a formação dos primeiros pilotos e a doutrina operacional do novo aparelho, o que foi fundamental para a implantação dos A-29 nos três esquadrões do 3º Grupo de Aviação.

Seleção dos estagiários

Segundo o Brigadeiro-do-ar Pedro Luís Farsic, comandante da Ala 10, “durante o quarto ano da Academia da Força Aérea (AFA), os cadetes são avaliados e, conforme o perfil de pilotagem de cada um, são selecionados para o tipo de aviação que irão se especializar. As opções são: caça, asas rotativas, transporte, patrulha e reconhecimento. Esse perfil de pilotagem engloba, dentre outros fatores, a capacidade psicomotora do piloto. Nesse contexto, a AFA estipulou uma nota de voo mínima (ponto de corte) baseada em estatísticas de aproveitamento dos estagiários no curso de caça. Além da média de voo, todos os cadetes passam por uma avaliação antropométrica para verificar se estão dentro do envelope do assento ejetável do A-29. Com todos esses dados em mãos, a Ala 10 e a AFA se reúnem em um conselho para escolher quais cadetes realizarão o curso de caça do ano seguinte. A quantidade de cadetes selecionados varia de acordo com o número de vagas disponibilizadas para o CEO-CA”.

Curso de caça

O CEO-CA tem duração de aproximadamente nove meses, entre os meses de março e dezembro. Ele tem início na primeira quinzena de março com a Instrução Técnica da Aeronave (ITA). Nessa fase do curso, os estagiários têm quatro semanas de aulas teóricas sobre os sistemas da aeronave, procedimentos normais, procedimentos de emergência e, também, sobre as manobras básicas da fase de adaptação diurna. Além das aulas, os estagiários são submetidos a cinco avaliações terrestres (ITA-1, ITA-2, Procedimentos de emergência, Emergências críticas e Fase de adaptação diurna). Após concluírem a instrução terrestre, os estagiários estão aptos para iniciar a atividade aérea, que é dividida entre o módulo básico e o módulo avançado. O simulador de voo é uma ferramenta fundamental nesse processo.

No início de cada fase de voo, o piloto realiza missões que permitem uma melhor adaptação do piloto à aeronave. O módulo básico, como o nome sugere, é composto pelas fases de voo que servirão de base para todas as missões que o estagiário deverá cumprir na aviação de caça. Apenas 15 por cento dos estagiários que iniciam o curso são desligados, o que representa uma taxa de atrito muito baixa em comparação a outros cursos de formação de pilotos de caça.

FASES E OBJETIVOS DO MÓDULO BÁSICO

  • Adaptação diurna: Decolar, pousar e efetuar as manobras básicas com segurança.
  • Adaptação noturna: Decolar, pousar e efetuar as manobras básicas com segurança no período noturno.
  • Instrumento avançado: Pousar com segurança em um aeródromo operando por instrumentos (IMC).
  • Formatura básica: Voar em formação com segurança e executar manobras na ala.
  • Formatura operacional: Treinar as formaturas operacionais utilizadas em missões de combate.
  • Navegação por contato: Navegar em condições visuais, respeitando o cenário tático e seguindo as referências do solo.
  • Navegação rádio: Deslocar entre duas localidades em condições IMC usando o sistema de navegação do A-29.

O módulo avançado é composto pelas fases de voo em que o estagiário empregará a aeronave A-29 como plataforma de armas e treinará as principais ações de força aérea realizadas pela aviação de caça. Nesse módulo, o estagiário é avaliado sobre a sua capacidade de combate contra alvos terrestres e aéreos.

FASES E OBJETIVOS DO MÓDULO AVANÇADO

  • Emprego ar-solo: Realizar o emprego ar-solo da aeronave A-29, nos diversos tipos de armamentos disponíveis na aeronave.
  • Emprego ar-ar: Realizar o emprego ar-ar, contra um alvo aéreo rebocado por outra aeronave.
  • Combate aéreo: Treinar manobras básicas de combate contra outra aeronave, utilizando as diversas táticas de combate aéreo.
  • Interceptação: Executar a interceptação de alvos aéreos em condições visuais, seguindo as orientações do controle radar.
  • Ataque ao solo (manobra operacional): Realizar missões de ataque ao solo, como ala operacional, em um contexto de guerra simulada.
  • Escolta (manobra operacional): Escoltar forças amigas em território inimigo e engajar combate com a defesa aérea oponente em um contexto de guerra simulada.
  • Emprego real (manobra operacional): Empregar armamento real contra alvos táticos no estante de tiro em um contexto de guerra simulada.

Após concluírem o curso, os estagiários são declarados alas operacionais de caça e estão aptos a realizar qualquer missão de guerra, com a aeronave A-29, nas posições de número 2 e número 4 de uma esquadrilha. Depois do curso em Natal, os pilotos são enviados para os esquadrões do 3º Grupo de Aviação, nas Alas aéreas de Boa Vista, Porto Velho e Campo Grande, onde participam de missões operacionais de policiamento do espaço aéreo na região de fronteira e enquanto realizam o curso de líder de esquadrilha.

“Depois de haver concluído o CEO-CA na aeronave A-29 Super Tucano pertencente ao Esquadrão Joker, posso afirmar o excelente nível acadêmico e profissional do esquadrão para cumprir sua missão, que é formar novos pilotos de caça. A conjunção de uma doutrina sem erros com uma máquina de voo nos níveis tecnológicos das primeiras forças aéreas do mundo proporciona aos futuros pilotos de combate o conhecimento, a capacidade e confiança, necessários para enfrentar todos os problemas”, disse o Alférez (Aviador) Pablo Velarde, da Força Aérea do Uruguai, após concluir o curso de caça no Brasil.

FONTE: Diálogo

 

2 Comments

 

  1. 05/06/2017  1:26 by antonio carlos Responder

    +1 exemplo de da falta de equipamento a FAB. o sonho do FX-3 pelo estado brasileiro falido até 2030 pelo PT e atroz. Formar um piloto de caça para o Gripen em turbo-hélice vai ser um incopentente.

  2. 02/06/2017  12:21 by Amilton Ferreira Responder

    Sou testemunha da seleção rigorosa, do esforço e dedicação dos alunos e instrutures na formação dos nossos caçadores.
    Jovens que sentirão em suas asas o peso da responsabilidade da defesa de nossa pátria.
    É como militar, brasileiro e pai que eu expresso meu orgulho e confiança nessa nova geração.

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