EUA perdem terreno na luta pelo Ártico

FOTO: Ruth Fremson/The New York Times

Ao contrário da Rússia, os Estados Unidos não têm portos de águas profundas no Ártico e a sua frota no Alasca está desatualizada. Para além disso, o Pentágono planeja reduzir a presença militar na região – tudo isso, segundo o The New York Times (NYT), significa a derrota dos EUA no Ártico.

A publicação norte-americana escreveu que a corrida pelos territórios árticos e pelos recursos naturais escondidos sob o gelo, bem como pelas novas vias comerciais, já pode ser comparada com os tempos da Guerra Fria. O NYT nota que a guarda costeira americana no Alasca sofre da falta de navios para simultaneamente controlar a navegação e a pesca no estreito de Bering.

Na segunda-feira (31) o presidente dos EUA, Barack Obama, deve visitar o Alasca e tornar-se o primeiro presidente a visitar um lugar acima do Círculo Polar Ártico durante o seu mandato. A publicação divulgou que Obama espera atrair a atenção ao problema das mudanças climáticas no Ártico.

Ilustração: The New York Times

Mas este passo é insuficiente, opina o NYT, já que a Rússia está construindo no Ártico dez estações de busca e salvamento e está aumentando a presença militar, reconstruindo as bases soviéticas. Enquanto isso, o exército norte-americano considera a possibilidade de reduzir duas brigadas e a Marinha dos EUA admite que não possui experiência bastante para realizar operações no Ártico.

Comentando o assunto da presença no Ártico, o almirante e comandante da Guarda Costeira dos EUA, Paul Zukunft, opinou:

“Na realidade os EUA nem sequer fazem parte do jogo.”

Enquanto a Rússia apresentou na ONU um novo pedido para a ampliação das fronteiras da sua plataforma continental no Ártico, os EUA ainda não ratificaram a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar (UNCLOS na sigla em inglês) que regulariza o controle sobre o território do permafrost (solo permanentemente congelado).

Lembramos que todo o território e águas do Ártico pertencem a cinco países – Rússia, Canadá, Noruega, Dinamarca (pelo seu território autônomo da Groenlândia) e aos EUA (pelo Alasca). Segundo a UNCLOS, as águas internacionais, inclusive o Polo Norte e a região do oceano Atlântico que o rodeia, não pertencem a ninguém.

Os cinco países são limitados pelas zonas econômicas exclusivas (ZEE) ou, seja, por 200 milhas marítimas a partir da costa (370 km). Após ratificação pela UNCLOS, cada país costeiro tinha o período de dez anos para exigir a extensão da sua plataforma continental e, se isso for validado pelas Nações Unidas, terá direitos exclusivos aos recursos acima ou abaixo do fundo marítimo desta parte da plataforma continental.

Segundo as últimas estimativas, o Ártico possui de cerca de 30% de reservas mundiais de gás natural não extraído e 15% de petróleo, estando a maior parte dos quais no fundo do mar.

FONTE: Sputniknews

Link para o NYT

 

Sair da versão mobile