Por Geralda Doca
Com a ameaça de uma ação militar americana na Venezuela em curso, o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, disse que a Força monitora a situação, mas não há um planejamento no momento para o reforço de tropas. Segundo ele, o atual momento das relações entre Brasil e Estados Unidos, estremecidas após o tarifaço do governo de Donald Trump e sanções a autoridades, pode trazer “dificuldades, o que não é desejável”.
As relações da Marinha do Brasil com as Forças Armadas dos EUA decorre de um alinhamento estratégico há séculos. Naturalmente, um eventual distanciamento diplomático entre o Brasil e os EUA acarretaria dificuldades e impactos sensíveis para os interesses e o adequado cumprimento das atribuições das Forças, de parte a parte, em diversos campos de atuação, o que não é desejável — afirmou Olsen ao GLOBO.
Oficiais do Exército também disseram que não trabalham com reforço de contingente e armamento na região de fronteira com a Venezuela. Não há nada previsto neste sentido, disse um militar de alta patente da Força.
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump elevou o tom de ameaças ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a quem acusa de envolvimento com o narcotráfico. Navios e tropas americanas foram direcionados às águas próximas ao país.
Apesar da preocupação do governo do presidente Lula em relação ao acirramento da crise com a Venezuela, as Forças Armadas do Brasil querem manter distância do embate. A orientação é a mesma em relação à disputa política e comercial de Trump com o Brasil, como o tarifaço sobre os produtos nacionais e o enquadramento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), na Lei Magnitsky.
Segundo um militar de alta patente, a orientação do Ministério da Defesa é que em caso de acirramento da crise, as autoridades busquem um entendimento no campo diplomático.
O Brasil mantém relações concretas com os Estados Unidos, desde a Segunda Guerra Mundial, destacou um oficial do Exército. E a palavra de ordem é manter esses canais abertos no campo militar. As comissões de compra de equipamentos das Forças são sediadas em Washington e todas têm militares em missão nos Estados Unidos. Só no caso do Exército, são 120 homens.
Militares afirmam que as Forças precisam se concentrar no papel institucional e nesse momento, as atenções estão mais para o julgamento dos envolvidos na trama golpista pelo STF. Serão julgados o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus, inclusive militares, em plenário presencial. A análise está marcada para começar no dia 2 de setembro, pela Primeira Turma da Corte.
FONTE: O GLOBO
