Marinha dos EUA teve 18 “encontros inseguros” com forças militares chinesas no Pacífico nos últimos dois anos

No caso mais recente, mês passado, um destróier chinês chegou a 45 metros de um destróier da marinha americana forçando-o a manobrar para evitar uma colisão

Incidente entre destroyers americano e chinês – Foto US Navy

Um levantamento feito a pedido da rede televisiva CNN mostrou que as águas do Oceano Pacífico têm sido palco de encontros tensos entre forças militares chinesas e americanas. O caso mais recente ocorreu no mês passado, quando um destróier chinês chegou a 45 metros do navio de guerra americano USS Decatur, forçando-o a manobrar para evitar uma colisão. A marinha americana classifica as ações do navio de guerra chinês como inseguras e pouco profissionais, enquanto Pequim disse que os Estados Unidos estão ameaçando a segurança e a soberania da China.



A freqüência de tais interações levanta a possibilidade de uma colisão ou conflito que poderia desencadear uma crise ou até mesmo um conflito entre as duas grandes potências. Em 2001, uma colisão entre um avião de vigilância dos Estados Unidos e um caça a jato chinês levou a uma grande crise diplomática entre Washington e Pequim.

“Encontramos registros de 19 interações inseguras e / ou não profissionais com a China e a Rússia desde 2016 (18 com a China e uma com a Rússia”, confirmou o comandante Nate Christensen, porta-voz da Frota do Pacífico dos EUA.

Tensão sobre a militarização da região

O destróier americano USS Decatur estava navegando a 12 milhas de distância de duas das Ilhas Spratly -arquipélago desabitado no Mar do Sul da China, como parte do que o governo americano chama de “operação de liberdade de navegação”. A marinha americana realiza anualmente centenas de operações aéreas e marítimas nas regiões do Mar da China Meridional, no Mar da China Oriental, no Mar Amarelo e no Mar do Japão. O governo americano aumentou suas críticas à militarização chinesa em ilhas no Mar do Sul da China, enfatizando que as forças armadas dos EUA continuarão a operar nessa área para contestar o que os EUA vêem como “requerimentos excessivos” de Pequim.

“O que não queremos fazer é recompensar o comportamento agressivo, como você viu com o incidente Decatur, modificando nosso comportamento”, disse Joe Felter, vice-secretário adjunto de Defesa para o Sul e Sudeste Asiático.  “Isso não vai acontecer. Vamos continuar a exercer nossos direitos sob a legislação internacional e incentivar todos os nossos parceiros a fazer o mesmo”.

USS Decatur (DDG 73)

O secretário de Defesa americano, James Mattis, deve se reunir na sexta-feira com o general chinês Wei Fenghe, em Washington. Mattis tem procurado cooperar com Pequim quando possível, enquanto tenta refrear o que os EUA vêem como a militarização da China no Mar do Sul da China.

“Vamos cooperar onde pudermos”, disse Mattis na segunda-feira em um evento no Instituto da Paz dos EUA, acrescentando que os EUA irão confrontá-los onde devemos, por exemplo, a liberdade de navegação em águas internacionais e esse tipo de coisa.

Encontros mais inseguros durante o governo de Trump

O ano de 2017, o primeiro do governo Trump, foi o que teve os encontros mais inseguros e não profissionais com as forças chinesas. Pelo menos três desses incidentes ocorreram em fevereiro, maio e julho daquele ano e envolveram caças chineses fazendo o que os EUA consideraram como interceptações “inseguras”.

Enquanto os 18 incidentes registrados envolveram apenas forças navais dos EUA, a Força Aérea também registrou pelo menos um desses ataques durante esse período.

“Nossa presença contínua na região destaca nosso compromisso com um Indo-Pacífico livre e aberto, e demonstra que a Marinha dos EUA continuará a voar, navegar e operar em qualquer lugar que a lei internacional permitir”, afirmou o comandante Christensen.

Em comparação, há registros de 50 encontros inseguros ou não profissionais com forças militares iranianas no mesmo período de dois anos. Em 2016 foram 36, e 14 no ano passado, nenhum em 2018. As forças navais dos EUA e do Irã tendem a operar em trechos relativamente estreitos de água, como o Estreito de Ormuz, aumentando a freqüência de contato.

FONTE: O Globo via agências internacionais



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