Alimentando um Câncer

Por Tomasz Hypki

As perguntas se multiplicam. Mas a resposta correta é apenas uma. O mais importante para a defesa polonesa foi a compra pela aviação militar de 12 aeronaves de transporte Bryza por 635 milhões de złoty. Cerca de duas vezes mais caro. Por quê? Porque seu produtor é a empresa americana dona da PZL Mielec. A mesma que foi salva da liquidação, graças à venda a um investidor estrangeiro.

O Ministério da Defesa está alimentando um câncer que destrói as indústrias aeroespaciais e de defesa polonesas. Por que os funcionários do ministério não extraem conclusões sobre o que aconteceu no Canadá, Turquia, Argentina, República Tcheca ou Grã-Bretanha? Em todos esses lugares, as empresas locais tiveram de ser salvas de falir após um período de estreita cooperação com os EUA, e seus orçamentos tiveram grandes perdas, contados em bilhões de dólares.

COMO FOI A VENDA DA PZL MIELEC

Em conexão com a venda de 48 aeronaves F-16 para a Polônia, os americanos assumiram, entre outras obrigações, a compra de 100 aeronaves M28 e 100 M18 vendidas pela PZL Mielec, ao valor de USD$ 455 milhões. Os americanos também tiveram que participar da modernização do M28 (30 milhões de dólares nominalmente, USD 57 milhões brutos, incluindo os chamados coeficientes de compensação). Graças à implementação desses compromissos, as empresas polonesas poderiam prosperar por muitos anos. No entanto, aconteceu algo muito diferente.

Em vez de procurar novos clientes, os americanos bloquearam as exportações negociadas anteriormente de 10 M28 por USD$75 milhões (dos quais USD$15 milhões foram de comissão) para a Indonésia, publicando informações falsas sobre a venda do mesmo avião para a Malásia por… USD$30 milhões. Eles encomendaram apenas um M28 green (sem equipamentos), coletado em novembro de 2004, ao qual a PZL Mielec contribuiu com várias centenas de milhares de dólares. O comitê de deslocamento pagou a Lockheed Martin tanto quanto USD$50 milhões para obter ajuda na certificação do Skytruck nos EUA, o que na prática era apenas uma formalidade. Por um curto período de tempo, a produção em Mielec dos kits desmontados de sistemas de reconhecimento para os F-16, que vinham de Israel, estava em jogo. Da mesma forma, tantos elementos dos caças poloneses – estruturas metálicas da cauda horizontal, estabilizadores horizontais, lemes, asas, tanques conformais e elementos de equipamentos de bordo.

O final da cooperação entre Polônia e EUA ocorreu em 2007. A PZL Mielec foi então vendido aos americanos, juntamente com os direitos de produzir o M28 (entre outras aeronaves). A Agência de Desenvolvimento Industrial e o Ministério do Tesouro informaram à mídia de que esta era uma transação muito vantajosa, que levaria o lado polonês a lucrar 300 milhões PLZ. Na verdade, a empresa foi vendida por 56,1 milhões de PLZ (com um adicional de 9,9 milhões de PLZ como um depósito a ser liquidado dentro de 3 anos). O novo proprietário deveria pagar uma parte da dívida no ato, ao montante de PLZ$16 milhões, mas esse valor e o restante da dívida (52,5 milhões no total) vieram da venda de aeronaves, incluindo 3 M28 para … o Ministério da Defesa da Polônia (e no contrato de venda havia uma exigência de que o ministério pagasse 74% do preço no próprio dia em que o contrato foi assinado). Além disso, a ADI na prática desistiu do pagamento de um empréstimo no valor de 32 milhões PLZ destinado pelo Tesouro do Estado a aumentar o capital social da empresa.

CRISE DE EMERGÊNCIA?

Por quanto tempo durará esta situação? Além disso, publicamos histórias de vários casos semelhantes aos que ocorrem diante de nossos olhos. Argentinos, checos e turcos, levaram vários anos ou décadas para acabar com as alianças. Era similar na Grã-Bretanha anteriormente. Mas também há casos de liquidação irrecuperável da indústria de aviação doméstica sob o ditame dos Estados Unidos. Isso ocorreu no Canadá.

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Junker

FONTE: Altair