Por Maria Laura Canineu

Em 7 de julho, junto a 121 países, o Brasil adotou um novo tratado sobre a proibição de armas nucleares, que será aberto para assinatura na Assembleia-Geral da ONU em setembro. Em artigo no mesmo mês, o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes comemorou o feito e ressaltou que a comunidade internacional tem “o dever ético e moral” de proteger civis ao redor do mundo dessas armas terríveis, “as únicas capazes de aniquilar a vida no planeta”. Ele tem razão. Avançar o quadro jurídico a fim de proibir as armas de destruição em massa é uma vitória. A participação do Brasil nesse esforço é louvável. Mas, em relação ao uso de outras armas letais, o país não faz jus ao verdadeiro espírito desse compromisso.

Vejamos o caso do Iêmen. Mais de 5 000 civis foram mortos e 8 500 feridos desde 2015, de acordo com a ONU, em ataques aéreos e terrestres promovidos por uma coalizão de países liderada pela Arábia Saudita contra as forças hutis, que tinham tomado o controle de parte do Iêmen, e aliados de seu presidente. Desde então, a coalizão matou civis de forma indiscriminada ou desproporcional, atingindo escolas, casas, hospitais e funerais, inclusive com o uso de armas de fragmentação, as chamadas “munições cluster”.

No fim de 2016, essas munições foram lançadas pela coalizão nas proximidades de duas escolas de Saada, no norte do Iêmen, matando dois civis e ferindo seis, entre eles uma criança. Khaled Rashed, uma testemunha, disse: “Ouvimos dois barulhos de explosão, um mais alto que o outro e, depois disso, mais explosões, menores, vindo do céu como brasas, caíram por toda parte, sobre reservatórios de água, sobre casas”. No início deste ano, foguetes de munição cluster foram utilizados novamente e atingiram uma fazenda no norte do país, ferindo dois meninos.

Aí entra o Brasil. Fotos tiradas após os ataques mostram restos de um foguete fabricado pela empresa Avibras, em São José dos Campos, além de danos de fragmentação característicos de submunições a partir de um ataque com munição cluster.

Essas armas são amplamente proibidas pela comunidade internacional. Por uma boa razão. Contêm múltiplas submunições explosivas menores que se espalham indiscriminadamente por uma vasta área. Muitas não são detonadas de imediato e deixam submunições carregadas, que se tornam verdadeiras minas terrestres, criando uma ameaça a civis por muito tempo após o conflito. Por causa desse perigo, 102 países ratificaram e outros dezessete assinaram a Convenção sobre Munições Cluster de 2008, que proíbe sua produção, transferência, armazenamento e uso. O Brasil não assumiu nenhum desses compromissos.

Como brasileiros, deveríamos estar inconformados com o fato de que munições fabricadas em nosso país são empregadas em ataques ilegais no Iêmen. Deveríamos insistir para que o governo se comprometa a acabar com a produção e a exportação dessas armas de efeitos indiscriminados. O Brasil já participa do tratado que proíbe minas terrestres. Por que não faz o mesmo com seu “tratado-irmão” para cessar o sofrimento humano causado por munições cluster? O “dever ético e moral” do Brasil de proteger os civis também se estende a essas armas.

FONTE: Veja

 

24 Comments

 

  1. 07/08/2017  16:44 by BrasileiroDeVerdade

    E dai que fabricamos armas que outros não gostam? Sei de alguém que daria uma bela resposta.

  2. 07/08/2017  17:12 by Kek

    Em outras palavras, eles querem castrar o brasil mais ainda. Que legal!

  3. 07/08/2017  17:13 by Moraes 123

    Pergunto: não existe armamento semelhante fabricado pelo primeiro mundo?

  4. 07/08/2017  17:20 by Iran P. Moreira Necho

    Bombas convencionais são ineficazes em certas áreas de selva, como ocorre em grande parte do norte. São igualmente ineficazes em áreas com baixa densidade de tropas e terreno irregular. Aliás, é um argumento infantil dizer que deve-se proibir um certo armamento pelo risco de não detonação, pois até uma bala de 38 pode sofrer isso. Basta ver a Europa, em especial na Alemanha, onde até hoje encontram bombas não detonadas enterradas em áreas residenciais, e são bombas imensas, com potencial de grande dano. O problema do "idealismo romântico pacifista" é que, se formos seguir seus preceitos, acabaremos completamente desarmados e à mercê de invasões estrangeiras. Pois querem proibir armas termobaricas, bombas cluster (a da foto acima), bombas incendiárias, e por ai vai. Ou seja, querem nos desarmar, enquanto eles, as grandes potencias (EUA, RUSSIA, Etc) estão repletos de bombas nucleares, cluster, e tudo o mais. Infelizmente, o fato é que existem "outros" interesses financiando tais campanhas, bem como pagando matérias jornalísticas pelo mundo todo. E nenhum deles é o nacional.

  5. 07/08/2017  17:32 by Sapi

    Não deveriam proibir de jeito nenhum, nem as nucleares, diga se de passagem. São armas que mantêm a paz armada principalmente para países sem muita influência.

  6. 07/08/2017  19:06 by Bruno

    Engraçado como são descarados e diretos os ataques a soberania dos países que não possuem armas nucleares, além de reprimirem qualquer programa nuclear (para não terem rivais), ainda atacam mais ainda para que as nações não tenham sequer NENHUM tipo de armamento que possa oferecer risco a uma força de invasão ou decidir uma batalha, é preciso resistir aos ataques contra a soberania nacional e, mais importante, contra atacar em todas as frentes.

  7. 07/08/2017  19:42 by Jonathan

    E fato da OTAN usar munição com ponta de Urânio empobrecido?
    Já varias matérias mencionando o risco de contaminação com essas munições.

  8. 07/08/2017  19:53 by Bardini

    Queria ler o que o autor escreveria quando visse algo como um IFV empregando munição 3P em ambiente urbano...

  9. 07/08/2017  20:45 by Ivaldo

    Governo fraco sem visão estratégica e entreguista que joga contra nossa soberania, ajoelhando perante a comunidade internacional (diga-se USA), se curva como um vira-latas sem qualquer pretensão de ser senhor do próprio destino.
    Uma vergonha COLOSSAL !!!

  10. 07/08/2017  21:53 by william

    Temos mais é que produzir e ter em estoque para garantia de nossa defesa contra invasores...e se outros países se agridem a toa...matam-se indiscriminadamente...não é culpa nossa , mas sim da cultura bélica de países tribais....

  11. 07/08/2017  22:59 by Gilbert

    Daqui a pouco vão querer que usemos só balas de borracha e olha lá, afinal isso não são minas, são bem mais fáceis de achar as que eventualmente não detonem por que ficam na superfície, não são de fosforo branco como umas que andam usando por aí e definitivamente não são armas de destruição em massa.

  12. 07/08/2017  23:29 by Folk

    Estámos em 2017, usando técnologia dos anos 50. Esse tipo de munição burra é usada de forma indiscriminada por países subdesenvolvidos muitas vezes para atacar o próprio povo em guerras internas. A comunidade internacional está ..... pro Brasil até porque a maioria dos países já tem conhecimento e os próprio meios de produção pra produzir coisa muito melhor. O que não querer e deixar esse tipo de munição cair na mão de qualquer retardado mental como o gordinho da Coréia, a girafa da Síria ou bigodudo da Venezuela. Esse tipo de ditador não pensa duas vezes em .... na cabeça do próprio povo pra se manter no poder.

    MODERAÇÃO: Folk, favor evitar o uso destes termos nos próximos comentários. Grato!

  13. 08/08/2017  7:53 by Johan

    Folk, a Coréia já possui armas muito mais poderosas que esta munição cluster não acha? Se formos pensar com esta ótica iremos parar de fabricar até os fuzis, pois os mesmos em mãos erradas fazem um estrago tremendo. A coalizão é liderada pela Arábia Saudita e eles possuem armas muito mais poderosas e que podem oferecer um risco muito maior a civis indefesos como os mísseis de cruzeiro, mas como foi vendido pela a China aí ninguém fala nada.

  14. 08/08/2017  8:30 by M. Silva

    O Ministro das Relações Exteriores deveria cobrar da China, da Rússia, dos EUA, da França, da Inglaterra, da Índia, do Paquistão e de Israel a destruição de seus armamentos nucleares e perguntar por que os outros 70 a 80 países do mundo não querem assinar tal acordo. Seriam idiotas e pilantras entreguistas como nós?

    Então nossos jornalistas querem amordaçar a indústria de defesa nacional e nossas forças armadas enquanto os outros produtores de armas pelo mundo afora produzem coisas muito piores? Que safadeza é essa?

    Jornalismo de aluguel a soldo dos globalistas?

    Porque os globalistas querem este país sem capacidade de defesa para não reagir a uma ocupação chinesa, por exemplo, já que estão comprando tudo por aqui e controlando nossa economia, e estão de olho nos alimentos e na matéria-prima para sustentar um esforço de guerra ou de expansão econômica. Isso além dos olhos dos outros membros fixos do Conselho de Segurança da ONU em cima das nossas jazidas. Isto aqui dará uma guerra mundial.

    Nossa defesa precisa ser pensada em termos de pequenos pelotões de infantaria espalhados pelo território nacional sob comando de sargentos - só a guerra irregular poderia ser uma força de dissuasão nas condições atuais, já que o resto seria facilmente neutralizado com bombardeios aéreos e navais.

    Só que esses pelotões teriam de ter treinamento de forças especiais ou de elite, o que não ocorre. Nossos poucos recrutas são especializados em faxina, canto de hinos, ordem unida, caiação, vacinação, combate à dengue, distribuição de água e de alimentos, etc, mas não em defesa.

    Breve: território nacional ocupado por estrangeiros ou uma filial de Cuba na América do Sul (outra além da Venezuela).

  15. 08/08/2017  8:59 by Leonardo Rodrigues

    Meu ponto de vista:
    O autor refere-se a contradição entre nosso país exigir o fim do armamento de destruição em massa, no caso nuclear, e produzir armamento que é proibido pela comunidade internacional. Quem leu não viu alegação de que devemos parar de produzir, mas a crítica é que olhamos para os rabos dos outros enquanto o nosso está sujo.
    Minha opinião:
    Deveríamos sim ter um arsenal nuclear, isto garantiria nossa soberania como garantem Paquistão,Índia, China, França, Arábia Saudita, Israel e Irã que apesar de não possuir detém a tecnologia. Devemos sim fabricar bombas cluster; Porquê? Porque não atacamos ninguém e se as utilizarmos seriam apenas para defesa territorial e, sendo assim, qualquer coisa é válida. Não haverão nas trincheiras opostas civis e sim inimigos. Em caso de guerra assimétrica deverão nossos oficiais comandantes garantir o discernimento necessário para usa-las .
    PS. Como não controlamos quem vendemos, deveríamos proibir o comercio internacional destas armas. Lembro ainda que as empresas nacionais garantem que este armamento é anterior ao tratado.

  16. 08/08/2017  9:22 by Agnelo

    A munição cluster é a única com efeito dissuasório q nos restou. Armas QBRN abandonamos.
    Um grupo de ASTROS com munição cluster tem o efeito de 82 grupos normais.
    Não compremos o bom mocismo de discursos, pq quem prega isso, tem as armas QBRN e as cluster.

  17. 08/08/2017  12:54 by maxtedy

    Prezados: A estratégia é muito clara, incapacitar totalmente a nossa insuficiente e precária capacidade de defesa. As nossas fronteiras na região amazônica estão expostas e desguarnecidas, todo o esforço que as FA tem feito no sentido de proteção das nossas riquezas naquela região e no nosso mar territorial são hilárias, não pela capacidade e competência dos profissionais envolvidos, mas pelas ações espúrias e pela omissão criminal política acerca do enfrentamento do tema.
    Talvez o recrudescimento das escaramuças que estão ocorrendo na Venezuela e um possível acirramento com o envolvimento da Colõmbia sirvam para eletrizar alguns procedimentos e decisões sobre Segurança&Defesa Nacional que se arrastam nos porões do Congresso Nacional. Não tenho duvidas de que uma diáspora à moda Venezuelana e o apoio do PT com o envolvimento do MSTe outros afins, seriam um prato cheio para um movimento orquestrado de ocupação da Região Amazônica. A possibilidade de um Brasil do Norte e um Brasil do Sul permeia o imaginário dos revoltados da nação. Apoio externo não faltará, riquezas para negociar e garantir esse apoio, também não. Portanto, quanto menos armado o país estiver, melhores serão as condições de subjugação.
    A nossa defesas já está sucateada, não pela falta ou singularidade do nosso armamento, mas pela nossa falta de vontade de lutar, de reconhecer a nossa importância e de reagirmos a tudo isso, antes de nos tornarmos mais uma Venezuela da vida.

  18. 08/08/2017  12:56 by Andre

    Para se contrapor á defasagem das forças armadas essa mídia entreguista não se manifesta. Não é pra menos, são comprados pelas grandes corporações internacionais globalistas e ONU. Agora resolveram mudar de foco: já enjoaram de falar da bomba atômica, agora vamos ver outra arma terrível para impedirmos o uso.
    Isso é lavagem cerebral! Reparam que esses problemas sempre recaem sobre o Brasil? Antes era a lei da imigração que deveria ser "atualizada", a desmilitarização da polícia e agora inventaram uma arma letal que não prejudique espíritos. Quem será o próximo alvo desses vermes? O napalm? Que banalização da soberania nacional É ESSA! A QUE PONTO CHEGAMOS!!!!!!! Essa estratégia de Antônio Gramsci de corroer a cultura ocidental por dentro é mesmo eficaz. Como brasileiro estou é inconformado com essa manifestação anti-patriótica dessa Maria Laura e seus pares. Realmente o dever ético e moral escrito entre aspas te representa.

    É típico a estratégia de usar inocentes atacados como pretexto para iludir a sociedade manipulando a notícia. Quer dizer que o foco do problema é o artefato usado e não os responsáveis por ele? O próprio título, por si só, já desqualifica a matéria antes mesmo de ler o conteúdo. Esse preconceito se justifica porque desde o inicio já se coloca os interesses internacionais como algo superior ao nacional. A própria palavra preconceito sofre preconceito. Que contraste: enquanto muitos que comentam em forum de defesa reclamam de "navios brasileiros desdentados", nossa mídia quer que nosso arsenal sejam verdadeiros banguelas.

  19. 08/08/2017  14:01 by Marcelio fMarias

    Reportagem besta, essa bomba brasileira é menos ofensiva que as bambas de fósforo branco que é usado por Israel contra a população civil de palestino, dentro de seu próprio território que vão aos pucos sendo tomados e seu povo morto.

  20. 08/08/2017  15:31 by Jose luiz esposito

    Ontem fui o segundo a comentar aqui sobre esta Arma , entao percebi meu comentario foi desconsiderado , realmente não entendi o porque? Sera por ter me colocado ao lado do Brasil e contra os que defendem os Interesses Estrangeiros , os mesmos que sempre atacam os que fazem dos Inimigos forjados pelos EUA , os seus inimigos , mesmos que sejam amigos do Brasil e de nossos Interesses !!

  21. 08/08/2017  18:53 by Luiz Padilha

    Seus comentários quando não agregam nenhum valor, serão desconsiderados. Expor sua opinião não é problema, mas expor de uma forma agressiva com chavões que em nada trazem de produtivo ao bom debate, sim passa a ser um problema, pois o DAN não é palanque para tais comentários.

    Faça como fez agora, escrevendo sem capslock e sem chavões infantis, que seus comentários passarão. Existem palavras que o sistema bloqueia automaticamente, jogando as vezes um bom comentário no lixo. Pense nisso se realmente quiser ser lido.

  22. 08/08/2017  19:03 by Jose luiz esposito

    Muitas vezes pode ser , mas ontem fiz um comentario limpo , porque acompanho estas pressões, que todos sabem de onde veem através de paises paus mandados , a uns três anos um conhecido Deputado do Parana entreguista , subiu a Tribuna se dizendo Pacifista , exigindo que assinassemos o tal Acordo Quadro , contra esta Arma , seu nome RUBENS BUENO , para o Governo do Brasil seria nunca assinar nada , e declarar que somente assinaria qualquer coisa desse tipo , caso Rusdia , EUA, CHINA , etc , cumprissem o Acordo de elinaçao de Armas Nucleares , assim as pressões sobre nós cessariam , sempre nossa resposta seria essa !

  23. 09/08/2017  20:16 by Bento Maia

    Além de dar continuidade a fabricação destas bombas deveríamos estar também fabricando bombas atômicas e de hidrogênio, bem como os meios de lançamento delas e armar nosso povo. Que tal duzentos milhões de fuzis na mão do povo?

  24. 10/08/2017  3:26 by Carl

    Mas nem pensar em parar de produzir, e devíamos voltar a produzir as minas terrestres e começar a produzir misseis com carga química.
    Quanto ao ataque venezuelano junto ao MST... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, meu pai eterno, como pode???????kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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