Por Luiz Padilha

Por ocasião de nossa visita a fábrica da SKB Corporation na cidade de Anahein-CA, entrevistamos o diretor de operações Sr Robert Wilkes.

DAN – O slogan da SKB diz “desde 1977”. Desde então, a empresa usou os mesmos materiais para fabricar seus cases? Caso contrário, o senhor poderia nos dizer como ocorreu a evolução até o material atual?

Robert Wilkes – Dave Sanderson e Steve Kottman introduziram os cases para instrumentos musicais de plástico leve em 1977. O primeiro case foi para um saxofone que ainda temos hoje. Esta era uma inovação real, pois o case era mais leve e mais forte do que o que estava comercialmente disponível na época. A SKB continua sendo uma força inovadora no mercado de cases de proteção, com mais de 20 patentes registradas. Os polímeros que utilizamos no início, principalmente misturas diferentes de estireno, agora evoluíram para co-polímeros híbridos, que a SKB ajudou a refinar e que são até 2,8 vezes mais fortes (resistência à impactos), do que os usados por nossos principais concorrentes. A SKB garante a mais alta qualidade, começando com materiais virgens puros atendendo a requisitos de engenharia muito elevados.

DAN – Como foi a inserção da SKB na área militar?

RW – O empurrão inicial da SKB para o mercado militar ocorreu com cases para proteção de óculos de visão noturna AN / PVS-7, os quais fizemos aos milhares. Atualmente, estamos fazendo cases de proteção para uma grande quantidade de itens militares, desde simuladores, equipamento médico, sistema de computadores C4ISR, cases para mísseis, para Chemical, Biological, Radiological and Nuclear (CBRN) e Personal Protective Equipment (PPE). Literalmente, fazemos cases para diversos itens que vão desde itens simples, como cases para estacas de madeira para Engenheiros do Exército, até itens muito complexos, como um mini-submarino que as forças especiais usam.

DAN – A SKB atua em diferentes segmentos, como música, esportes, recreação, área médica e militar. Existe algum segmento ainda à ser explorado pela SKB?

RW – Nós estamos envolvidos em todos os principais segmentos de mercado, mas semanalmente sempre nos perguntam sobre algo que nunca pensamos. Amigos e conhecidos que não estão na indústria, muitas vezes nos perguntam quem realmente precisa de todos esses cases. Uma vez que você apresente à indústria o seu produto, a resposta fica bastante óbvia, pois todos que têm algo que precise ser protegido.

DAN – A SKB fornece algum tipo de case especial para a NASA, por exemplo?

RW – Tivemos vários cases no espaço, e recentemente na Estação Espacial Internacional. Nosso case moldado por injeção padrão da série I, foi usado recentemente para proteger uma câmera especial na estação espacial. Temos uma história engraçada sobre a NASA. Provavelmente há 15 anos, nós recebemos via UPS um de nossos racks de cases de volta, porque eles tinham nosso logotipo e a NASA não aceitava cases com logotipos. Nele havia um equipamento de informática, e nós tentamos por vários dias identificar de quem era esse equipamento, um computador preto que não tinha absolutamente nenhuma marca. Então, na sexta-feira seguinte, recebemos um telefonema de uma pessoa muito nervosa perguntando se a UPS havia entregue um sistema de computador de volta às nossas instalações, o que confirmamos. Eles nos avisaram que estariam em nossas instalações dentro de 15 minutos e que era para proteger esse case até chegarem. Com certeza, cerca de 10 minutos depois, 3 veículos Suburbans pretos entraram no nosso estacionamento para recuperar o case e, embora não nos tenham dado muita informação, eles disseram apenas que pertencia a NASA e que o computador fazia parte dos sistemas de suporte do ônibus espacial.

DAN – Qual o desafio que a SKB tem ao receber uma solicitação diferente da que existe em seu portfólio?

RW – Muitas vezes recebemos pedidos de cases que atualmente não temos. O maior desafio é analisar o potencial do novo case para ver se teria um retorno de investimento razoável, permitindo-nos avançar com o projeto. Muitas vezes a solicitação é pequena e não justifica os custos associados a engenharia e ferramental, mas como estamos em diversos mercados verticais, muitas vezes podemos ignorar o baixo potencial e encontrar um nicho que nos permita avançar. Uma vez decidido que queremos construir um novo produto e incorporar ao nosso portfólio, nossos engenheiros levam o produto à fase de design. Normalmente sempre temos entre 10 a 15 novos produtos em algum estágio no ciclo de desenvolvimento.

DAN – Poderia nos informar a capacidade de produção atual (dia/mês)?

RW – A SKB atualmente está funcionando com cerca de 75% de sua capacidade, e estamos constantemente fazendo mudanças em nossos procedimentos de fabricação, buscando aumentar nossa eficiência, resultando num aumento de capacidade. A SKB é uma corporação privada, portanto não divulgamos números, mas estamos nos aproximando de um volume anual de aproximadamente um milhão de cases.

DAN – É correto dizer que o Exército dos EUA é o seu maior cliente? Outras forças dos EUA também usam cases de SKB?

RW – O Exército dos EUA é nosso maior cliente de cases, mas também fornecemos para outras forças dos EUA, como a Marinha (Marines), a Força Aérea e a Guarda Costeira. Outras agências governamentais também usam nossos cases, como DoD, CIA, FBI e a NSA.

DAN – Além dos cases para armas menores (pistola e revólver) e rifles, quais outros tipos de cases são fornecidos pela SKB na área militar?

RW – Praticamente tudo e mais um pouco. De UAV (unmanned aerial vehicle) a AUV (Autonomous Underwater Vehicle), sistemas de comando e controle C4ISR, impressoras de campo, kits de hospital de campo, kits forenses, IED (Improvised Explosive Devices) e para radares de aeronaves.

DAN – A SKB fornece cases especiais para a Defesa Química, Radiológica e Nuclear (CBRNe)? Se sim, para quais países foram fornecidos?

RW – Sim nós fazemos. Temos um modelo de case específico que fazemos para os EUA. E tenho certeza de que nossos aliados da OTAN também fazem uso dos cases SKB para este fim.

DAN – A SKB atualmente exporta cases militares para outros países? Em caso afirmativo, quais países utilizam os cases SKB?

RW – Estamos fornecendo cases militares em todo os EUA, toda a América do Norte/Sul, em toda a Europa, Ásia, Oriente Médio e África. Nós atendemos as regiões da América do Norte e do Sul, bem como a maior parte da Ásia através de nossas instalações na Califórnia, atendemos toda a Europa a partir de nossas instalações na Holanda e atendemos o Oriente Médio e a África a partir de nossas instalações em Dubai.

DAN – As Forças Armadas do Brasil usam os cases SKB? Em caso afirmativo, que modelos elas usam?

RW – Criamos cases para muitas Organizações Militares e integradores de sistemas relacionados à Defesa, por isso estou certo de que você encontrará os cases SKB sendo usados ​​por todas as Forças Armadas Brasileiras, bem como pela polícia e os bombeiros.

DAN – Qual a perspectiva da SKB para o mercado brasileiro (civil e militar)?

RW – O diretor para a América Latina da SKB, Sr Fernando Martinez, está trabalhando diligentemente para aumentar a presença da marca na região, participando de exposições e apoiando nossos parceiros em toda a região. Por ocasião da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, enviamos muitos cases ao Brasil para apoiar todos os esforços das empresas que precisavam proteger seus equipamentos de comunicação, áudio e vídeo, e assim nossa exposição aumentou bastante ao longo dos últimos anos.

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