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Por Luiz Padilha

exclusivoDefesa Aérea & Naval – DAN – visitou a Saab Surveillance em Järfälla e pôde conhecer alguns produtos desenvolvidos nesta unidade, com aproximadamente 1.600 funcionários trabalhando no desenvolvimento e fabricação de vários sistemas. Nesta oportunidade, foi possível conhecer alguns deles, como a alça optrônica EOS 500, o radar diretor de tiro Ceros 200, o sistema de gestão de combate 9LV e os sistemas ESM de auto proteção para aviões e helicópteros.

Alça Optrônica EOS 500

A alça optrônica EOS-500 foi projetada para uso em todo o tipo de meios navais, onde com suas câmeras de TV, IR e Laser Range Finder, possibilitam ao operador uma eficiente observação, identificação de alvo, controle de armas e direção de tiro. A alça EOS-500 possui alta precisão por ser montada em uma plataforma estabilizada por giroscópio com dois sensores eletro-ópticos.

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A EOS-500 é capaz de rastrear todos os tipos de ameaças, incluindo mísseis Sea Skimming. O 3D tracking de alta precisão por vídeo da Saab, utiliza a entrada simultânea da TV e da câmera de IR em um processo de fusão de dados, detectando e acompanhando automaticamente até quatro alvos simultâneos, permitindo ao operador mudar o alvo em frações de segundo. A alça EOS 500 é integrada ao sistema de combate 9LV da Saab.

A Marinha do Brasil utiliza a alça optrônica EOS 400 e 400-10B da Saab em seus escoltas, porém, esta versão se encontra defasada, necessitando de um up grade ou sua troca por uma nova como a EOS 500. A alça EOS 400 tem cumprido seu papel ao longo de mais de 30 anos de uso. Recentemente, teve papel relevante quando do salvamento dos refugiados pela corveta Barroso, quando a mesma se encontrava em deslocamento para substituir a fragata União na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM/Unifil).

A nova geração de corvetas classe Tamandaré, atualmente em fase de definição pela Marinha, receberá mais uma evolução do sistema de combate Siconta, e caso seja adotada, a alça optrônica EOS 500 da Saab, irá aumentar de forma significativa a capacidade do novo navio. As fragatas da classe Niterói deverão receber uma atualização de seus sistemas eletrônicos, e a EOS 500, como no caso da Tamandaré, é uma das opções.

A EOS 500 por suas características, é a opção ideal para navios de maior porte como corvetas, fragatas e destróiers.

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Alça optrônica EOS 400-10B da Saab na corveta Barroso

Radar de Direção de Tiro Ceros 200

O CEROS 200 é um radar de direção de tiro totalmente estabilizado para uso em diversos tipos de navios de guerra e, em conjunto com o sistema de armas do navio, fornece excelente defesa contra qualquer ameaça, incluindo mísseis Sea Skimming e as assimétricas.

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Com detecção automática de trajetória e alta velocidade de aquisição, travamento no alvo e com a capacidade de rastrear com precisão, alvos em qualquer situação meteorológica. O Ceros 200 é utilizado pelas marinhas da Austrália, Canada, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega, Coréia do Sul, Tailândia e Suécia, operando com sucesso em todos os oceanos.

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Uma das vantagens do Ceros 200, é o seu emprego combinado com o sistema de combate 9LV (CMS ou FCS), fornecendo precisão para qualquer canhão naval ou sistema de mísseis SAM. O CEROS 200 incorpora o CHASE, um método patenteado para o processamento do sinal de retorno do radar a partir de um alvo a baixa altitude, como os mísseis sea skimmer, eliminando os efeitos de múltiplos caminhos. Um pré-requisito para o algoritmo de Chase é a grande largura de banda do radar de rastreamento. O algoritmo CHASE do Ceros 200 foi exaustivamente testado em uma ampla gama de estados de mar.

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O projeto do radar incorpora muitas Contra-Medidas Eletrônicas (ECCM), como, lóbulos laterais de baixo da antena, largura de banda alta, um grande número de frequências de emissão, seleção de frequência e bloqueio em camadas.

O Ceros 200 também opera com mísseis, como o SeaCeptor, VLS Mica, Umkhonto e etc, já integrados no CMS.

Sistema de Combate Naval 9LV 

O sistema de combate naval 9LV da Saab é um sistema C4I de comando e controle e gerenciamento de armas para qualquer plataforma naval, indo desde o pequeno navio patrulha, submarinos, escoltas até porta aviões. A versatilidade do sistema é o ponto forte do 9LV, fornecendo às forças navais, capacidades operacionais para todos os tipos de missão, desde águas marrons até águas azuis.

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CIC de uma fragata australiana classe Anzac equipada com o sistema 9LV

Existem três pacotes diferentes do sistema de combate naval 9LV da Saab para atender às necessidades dos operadores.

9LV COMBAT SYSTEM (9LV CS) – Como Lead Systems Integrator (LSI) do sistema de combate completo, a Saab gerenciará o processo de vida útil, reduzindo qualquer risco, conferindo flexibilidade aos clientes para que selecionem os melhores produtos e componentes, independentemente do fornecedor, permitindo total liberdade de escolha.

9LV COMBAT MANAGEMENT SYSTEM – O 9LV CMS é o centro de comando e controle de muitos navios e submarinos modernos. A Saab pode assumir total responsabilidade pela solução CMS e, devido à arquitetura aberta do 9LV, pode fornecer subconjuntos em configurações de parceria. Uma configuração completa de 9LV CMS pode incorporar o Fire Control System (FCS). A Royal Canadian Navy contratou a Saab para atualizar seu antigo sistema CCS-330 da Lockheed Martin. A Saab atualizou o antigo sistema CCS-330 que equipava as fragatas da classe Halifax, com módulos de seu sistema 9LV-MK4, criando o CanACCS-9LV.

9LV FIRE CONTROL SYSTEM – A Saab pode atuar como sub-fornecedor do FCS, incluindo componentes chaves da cadeia de outros sistema embarcado. As configurações do Sistema de Controle de Armas da Saab variam de uma única alça optrônica conectada a uma arma naval, à sistemas de autodefesa AAW e ASuW, seja para uma fragata ou um destróier, com suporte de automação completo (canhões, mísseis e contra-medidas).

Todas as opções se integram como sistemas de comando, fornecendo ao navio uma capacidade C4I completa.

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Uma característica interessante do sistema 9LV é ter a função de simulação integrada para o treinamento da tripulação do navio. O sistema possui funções com jogos flexíveis, suportando uma grande variedade de exercícios de treinamento a serem preparados e executados em um ambiente simulado. Sensores e armas são simulados para fornecer um treinamento realista para toda a cadeia, desde a detecção até o engajamento. A simulação fornece uma experiência quase idêntica às operações reais, mantendo a tripulação adestrada sem colocar a segurança em risco.

O sistema também permite a troca de informações em tempo real com pequenas embarcações posicionadas além da linha de visão, através do uso de rádios de banda baixa, bem como através da retransmissão de informações em banda larga de uma unidade para outra, estendendo assim a cobertura do grupo tarefa.

Além da Marinha Sueca, as Marinhas Australiana, Tailandesa, Finlandesa, Dinamarquesa e Canadense, operam com o sistema 9LV da Saab, que tem a capacidade de integrar sensores e armas de diferentes fabricantes. Muitas vezes as marinhas utilizam equipamentos de diferentes fabricantes e integra-los a um sistema de combate, as vezes é uma dor de cabeça. Com o 9LV isso não acontece e os exemplos são muitos, como pode-se observar na imagem abaixo.

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As capacidades modernas de navio de guerra são em grande parte definidas pelo Sistema de Combate a bordo (CS), isto é, CMS, armas, sensores, contra medidas e equipamento de comunicações, objetivando sempre uma integração positiva dos melhores equipamentos, e assim criando um sistema de combate equilibrado. Outra característica do 9LV é poder combinar os radares de direção de tiro CEROS 200 e as alças EOS 500 à um subsistema de controle de tiro onde os operadores podem direcionar dinamicamente qualquer combinação de arma para as ameaças presentes.

TDFE – Track Data Fusion Engine

Fornece as principais soluções C4I nos teatros aéreo, terrestre e naval com fusão de dados de alto desempenho. Versões adaptadas do TDFE operam em uma variedade de sistemas e em diferentes plataformas. A TDFE foi entregue a clientes em todo o mundo, como Suécia, Reino Unido, EUA, Canadá, Austrália, Finlândia, Bahrain, Croácia, Índia e outros clientes na América Latina, Extremo Oriente e Oriente Médio.

O TDFE é utilizado na vigilância (24 horas, 7 dias na semana) do espaço aéreo do Reino Unido (programa UKADGE, Cerberus), e no programa canadense de modernização para as fragatas da classe Halifax.

Saab Naval ESM (Electronic Support Measures)

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Sensor naval LWS 310

Com o aumento da velocidade dos mísseis, os alarmes passivos proporcionam pouco tempo para o navio reagir. Negligenciar nesta área em tempo de paz, pode significar a morte se um conflito eclodir subitamente. Por esta razão, é preciso acompanhar a evolução dos sensores de Guerra Eletrônica EW – Electronic Warfare, pois as armas estão em constante evolução.

As soluções EW incluem uma gama de sistemas navais avançados de de alerta ao laser, capazes de detectar e analisar lasers em águas azuis e em águas marrons, proporcionando uma melhor consciência situacional à equipe de comando em relação às atividades contínuas do laser.

A Saab Grintek Technologies, produz na África do Sul, sensores que compõem sistemas de defesa para navios, submarinos, aeronaves e viaturas, como NLWS Naval ESM/ELINT SystemCIDAS – Compact Integrated Defensive Aids System e o IDAS 3 – Integrated Defensive Aids Suite.

NLWS – NAVAL LASER WARNING SYSTEM/ESM/ELINT System

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Ilustração Saab

Os comandantes de navios de superfície precisam ter alta confiança em sua consciência situacional ante às emissões de radares no mar. Esta consciência se torna absolutamente crucial para o cumprimento da missão e, em última instância, para a sobrevivência do navio.

A Saab Medav Technologies, produz na Alemanha o CRS8000 – Compact Radio Monitoring que compõem os Sistemas CESM/COMINT, detectando, rastreando e identificando emissores, em uma análise rápida determinando o tipo de ameaça, tanto em navios quanto em submarinos.

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Sistema integrado SIGINT para submarinos e meios de superfície

nwlOs sensores SME-50 e SME-150 possuem alto desempenho em ESM, e seus sistemas ELINT são capazes de atender os rigorosos requisitos EW operacionais de hoje.

A capacidade de análise de sinais do sistema é mantida mesmo em ambientes de sinal carregados. O refinamento de parâmetros está disponível no modo de análise fina em que a modulação intra-pulso, padrão de leitura e análise inter-pulso pode ser realizada.

 

As SME usam arquivos de biblioteca para classificar e identificar os sinais interceptados. Há funções de análise ELINT para coleta de informações e análise pós-missão através de gravações de eventos.

Os sistemas de SME estão integrados ao NLWS fornecendo uma interface combinando homem-máquina, além disso, o sistema está integrado ao Decoy Sistem MASS que com um curto tempo de reação, consegue eliminar a ameaça.

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A SME-50 é uma antena RWR indicada para submarinos e pequenos navios patrulha, trabalhando entre as frequências de 2 e 18 GHZ podendo captar mais de 500 sinais simultaneamente. Já a SME-150 é uma antena ESM com funcionalidade ELINT trabalhando entre 2 e 18 GHZ, porém, ela pode opcionalmente trabalhar entre as frequências de 32 e 40 GHZ, aumentando significativamente a faixa de detecção.

Quantidade de sensores

sednsors-laserA quantidade de sensores depende do perfil operacional. As armas guiadas a laser são voltadas para superfícies maiores. Portanto, os sensores normalmente só são instalados na superestrutura do navio. Os sensores precisam do campo de visão desobstruído e as reflexões das estruturas de bordo devem ser bem minimizadas. Preferencialmente igualmente espaçadas, mas não essenciais.

Os navios maiores de 70 metros devem ter 8 ou mais sensores LWS 310, e as instalações devem ser de fácil acesso para a limpeza do sensor.

IDAS 3- Integrated Defensive Aids Suite

O IDAS pode ser configurado para detectar quando estiver sendo iluminado por laser, detectar mísseis e a detecção multi-espectral completa por radar. Totalmente integrado com BOP-L Dispenser, sistema de contra medidas leve da Saab, devido a sua arquitetura modular, o IDAS 3 pode ser configurado para qualquer combinação dos três tipos de sistemas de sensores, LWS-310, RWS-300 e MAW-300, oferecendo um desempenho excepcional em uma forma leve para uma grande variedade de aeronaves.

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Sensores instalados no H225M "Caracal" da FAB

Para uma versão com apenas sensores eletro-ópticos e BOP-L Dispenser, para a proteção de aeronaves contra sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS) e ameaças à base de laser, a Saab oferece o CIDAS. Os telêmetros laser LRF emitem o alerta entre 5-20 segundos, conferindo ao operador, um tempo de reação adequado contra um ataque iminente, lançando contra-medidas para criar uma barreira/parede, de fumaça e assim impedindo a guiagem à laser do míssil contra a aeronave ou o navio.

Aeronaves onde os sistemas/componentes foram instalados incluem: Atlas Oryx, Puma, Puma/Super Puma, Rooivalk, A109, Super Lynx 300, Dhruv, Chinook, Hawk, C-130, Su-30, NH-90, Mi-17, Gripen, Saab 2000 AEW & C Erieye, Dash-8 e Tornado. 

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