A BAE Systems foi eliminada na Turquia antes do processo de seleção ser Iniciado.

O diário turco, Hürriyet Daily News, publicou um artigo do Sr. Özgür Ekşi, informando que o Ministério da Defesa turco enviou uma carta informando a seus colegas britânicos, no mês passado, que a Turquia “não estava mais interessada” na oferta da BAE Systems. Assim, as esperanças de BAE para tomar parte no projeto de aquisição naval TF-2000 acabaram.

O TF-2000, é um dos mais importantes projetos navais para Marinha turca e para a indústria de construção naval turca. A Marinha da Turquia usa as fragatas da classe Gabya para missões de defesa aérea de área, pois têm o míssil SM-1 anti-aéreo. Mas ambos os mísseis e os navios estão ficando velhos, embora a Marinha turca invista fortemente na modernização dos navios, com o MK-41 VLS, mísseis ESSM, radar 3D inteligente s e com moderno CIC e software de gerenciamento de combate.

De acordo com os longos planos de aquisição de defesa da Marinha turca, prevê-se que em 2020, a Turquia terá navios de guerra dedicados à defesa aérea que poderão derrotar as ameaças modernas e fornecer cobertura para outros navios, realizando funções de apoio, tais como comando e controle, reconhecimento, alerta aéreo antecipado e guerra eletrônica.

A empresa britânica de defesa BAE Systems, começou a comercialização de sua plataforma Type-26/GCS como um candidato para o programa de TF-2000.  O governo britânico apoiou a  BAE e designou a Turquia como um parceiro estratégico. Em 2010, o Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdoğan e David Cameron assinaram em Ancara, um novo acordo de Parceria Estratégica entre Turquia e o Reino Unido. Durante sua visita ao Reino Unido, o presidente  Abdullah Gül até visitou o HMS Dauntless.

Até então, a  BAE Systems era considerada um dos principais players no programa TF-2000 juntamente com a Navantia como estaleiro e a Lockheed Martin como fornecedora dos sensores de combate e do sistema de gestão. A gigante da indústria de defesa, Lockheed Martin foi deixada como o única concorrente no projeto de US $ 3 bilhões para a fabricação conjunta de seis fragatas para a marinha turca após Ankara ter rejeitado a proposta do candidato remanescente, BAE Systems.

O projeto, no entanto, pode ainda não estar decidido em favor da Lockheed Martin se um acordo não for alcançado sobre os aspectos técnicos da integração de mísseis. Essa eventualidade faria com que o programa fosse arquivado e depois reformulado.

O programa TF-2000 há muito adiado, prevê a fragata como um navio de guerra anti-aérea regional, que iria responder às ameaças aéreas e também fornecer funções de apoio, tais como controle de comando, comunicação, reconhecimento e de alerta precoce. Um navio maior, mais pesado e mais eficiente em termos de capacidade de guerra do que as embarcações que a Marinha tem hoje.

O Ministério da Defesa no mês passado enviou uma carta informando os seus homólogos britânicos que a Turquia “não estava mais interessada” na oferta da BAE Systems “, um funcionário familiarizado com o concurso contou a notícia ao Hürriyet Daily.

A BAE Systems está atualmente trabalhando em um novo tipo de fragata, a Type 26, como é internacionalmente conhecido o Global Combat Ship (GCS). ” A BAE já iniciou o projeto. Era tarde para participar. As nossas necessidades teriam aumentado o custo. Ou teríamos que rever nossas necessidades de acordo com a Marinha britânica, mas as nossas exigências são diferentes. A oferta de parceria teria se tornado um modelo no qual a Turquia iria financiar projeto da BAE, ” disse a fonte ao Daily News.

Mas eu acho que também é cedo para LM para estourar a champagne e começar a festa.

O subsecretário das Industrias de Defesa(SSM)Agência da Turquia para aquisições de defesa,chegou perto de formalizar e fechar com a  Lockheed Martin, mas ele precisa ouvir a decisão da Marinha turca sobre a escolha do sistemas de mísseis, que é a parte mais crítica do projeto. O navio será concebido de acordo com os sistemas de mísseis, devido ao seu deslocamento.

Selecionando o sistema de mísseis Lockheed SM2 simplificaria tudo, pois não é pesado. O sistema SM3 significaria mais negociações sobre muitos aspectos. Ele tem uma gama mais ampla, o que significa que o sistema coincidiria com alguns requisitos de defesa da Força Aérea. A integração de mísseis é um outro assunto a ser resolvido.

A Lockheed usa o AN/SPY1 radar, enquanto a empresa turca Aselsan começou a trabalhar em um sistema menor, chamado projeto Radar Multifuncional Phased Array (CAFRAD). A Lockheed Martin tem um Sistema Integrado de Administração Guerra chamado Aegis, que inclui o radar AN/SPY1, mas a empresa turca Havelsan  já fabricou uma versão menor chamada Gênesis. A Turquia quer CAFRAD para ser inserido no AN/SPY1, o Genesis para substituir Aegis, e esta combinação a ser integrado com o sistema SM3. Se os dois lados não conseguem resolver a questão da integração dos mísseis, em seguida, uma segunda opção será considerada.

A Turquia, construiu com sucesso uma corveta através do projeto Milgem. O Milgem seria re-projetado para a fabricação de uma fragata leve para guerra aérea de defesa e seria nomeado Ac100. “Temos que desenvolver algo baseado no Milgem ou vamos perder todo o nosso know-how”, disse uma fonte da indústria. 

Devo acrescentar o seguinte ponto para maior clareza: O processo de aquisição formal de TF-2000 ainda não começou. De acordo com o site da Subsecretaria de Indústrias de Defesa “Os estudos de viabilidade para o projeto TF-2000 estão concluídas. O modelo do projeto será criado após o exame dos estudos de viabilidade “. O início oficial do projeto TF-2000 levará pelo menos uns 2 anos podendo se estender a uma década, dependendo do orçamento disponibilizado.

Então a Turquia disse: “Thanks, but no thanks” a BAE por causa de razões óbvias, e na minha opinião pessoal, de razões certas. Mas a criação de um novo navio a partir do zero com uma mistura de sensores sofisticados dos EUA e da Turquia, softwares de gestão e de armas, é uma tarefa difícil para cada gerente de projeto.

FONTE: Bosphorus Naval News

NOTA do Editor: A parte do texto que está em negrito, nos faz lembrar de nossa Corveta Barroso. Uma Corveta com projeto 100% nacional, que após receber modificações em seu projeto inicial, foi testada e aprovada com sucesso pela Marinha do Brasil, tendo inclusive já realizado uma viagem até a costa da África. O que a fonte da industria Turca diz, é para parar e pensar. Se não dermos continuidade ao projeto da Barroso, inserindo melhorias no projeto, e  construindo mais unidades, poderemos perder todo o Know-how conseguido com tanta dificuldade até aqui. Know-how esse, caríssimo de se recuperar no futuro.

 

1 Comment

 

  1. 12/05/2014  13:12 by Patriota Responder

    Sempre penso que é e seria importantíssimo, o governo brasileiro, largar essa idéia de sub nuclear e NAe, como aliás já é dito por alguns. Bom senso mesmo, seria dar andamento a reestruturação da indústria de defesa básica do país. Aquilo que temos pernas para construir bem feito, que seja feito tudo por nós, ou o máximo possível por nós. Aquilo que não? Busquemos então parcerias "equilibradas", como ocorreu como a escolha do gripen ng, o mesmo em se tratando das forças da marinha e seus meios e do exército, principalmente, sobre a questão dos sistemas de mísseis e foguetes. Porque se não, o que vai acontecer é justamente o temor do turcos, a lei de murphy, funciona. Vamos perder o pouco know how que possuímos e ainda ficaremos, totalmente dependentes de qualquer nível tecnológico, independente do meio ou peça a ser utilizada, como aliás é hoje em importar fuzis modernos, e até tanques com largatas. Pena o falecido Osório, não ter sido empreendido, hoje, este meio estaria muito mais modernizado e em nossas mãos. Que tenha servido de lição a nossos "dirigentes" da ala da defesa nacional. Se não podemos construir sub atomicos, então que sejam subs convencionais avançados, se não podemos construir destroyers ou fragatas lançadoras de mísseis balísticos, que seja corvetas com mísseis de cruzeiro e por aí vai. Que vergonha, gente! Até patrulha oceanico,precisamos pedir ajuda aos gringos. Será que precisamos mesmo?

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