Por Graciliano Campos*

A Novaer acredita que é hora de inverter a espiral divergente dos custos de desenvolvimento, particularmente na área da Defesa, em sintonia com orçamentos mais controlados. Um exemplo cabal disso foi o desenvolvimento da aeronave B-250 para a empresa Calidus LLC, dos Emirados Árabes. O protótipo foi uma das principais atrações da Dubai Air Show, encerrada no último dia 16 em Dubai. Trata-se da única aeronave de ataque leve projetada no século 21, especificamente para realizar missões COIN (combate de insurgência), CAS (apoio aéreo aproximado) e ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento) e de treinamento avançado.

O acordo com a Calidus permitiu que as exportações de serviços e produtos de alta tecnologia fossem incluídas na balança comercial brasileira para os Emirados Árabes Unidos, que até então era dominada por commodities, representando cerca de 5% das exportações totais para esse país. O custo do programa representa menos da metade de qualquer projeto dessa natureza já desenvolvido no mundo. Isso foi possível devido à estrutura lean de Novaer e à filosofia inovadora de gerenciamento de programas. A Novaer se sente honrada por ter merecido a confiança da Calidus nesta parceria.

Vale ressaltar que, mesmo beneficiada com recursos não reembolsáveis da Finep em 2010, a Novaer atingiu um nível de maturidade e faturamento que a permitiu retribuir aos cofres públicos várias vezes os valores recebidos no passado. Isso porque a companhia se destaca com quebra de paradigmas e entrega de soluções inovadoras e completas em tempo recorde, aliando desenvolvimento com a transferência de tecnologia.

Em relação ao B-250, concebemos, projetamos e fabricamos uma aeronave complexa e sofisticada, totalmente em fibra de carbono, e voamos o primeiro protótipo 25 meses após o início dos trabalhos. Algo inédito na história da indústria aeronáutica. Um feito que deve ser creditado também a uma equipe que compreende um mix de profissionais veteranos de “cabeça branca”, originária do cluster aeronáutico brasileiro, centrado em São José dos Campos, com jovens talentos que despontam no mercado.

Acredito que a capacidade de fornecer soluções eficientes e inovadoras para as aeronaves e seus sistemas nos trará novas parcerias além do programa B-250 e gerará novos negócios para ambas as empresas. A Novaer provou ser capaz de realizar desenvolvimentos desafiadores no setor aeronáutico e de defesa. Um diferencial da empresa é oferecer a possibilidade de fabricar ela mesma o produto desenvolvido, ou transferir a tecnologia de fabricação para o cliente, em todos os níveis, desde a montagem final até a total autonomia, incluindo a propriedade intelectual do produto.

Temos orgulho de poder dizer que somos um case de sucesso desse tipo de parceria. Olhando sob este prisma econômico, a Novaer foi um excelente “investimento” do Estado brasileiro. Este contrato permitiu, em que pese a grave crise financeira brasileira, que a Novaer crescesse mais de 10 vezes nos últimos dois anos, gerando aproximadamente 200 empregos altamente especializados e mais de 600 empregos indiretos, uma vez que utilizamos toda a estrutura existente no polo aeronáutico brasileiro.

O cenário brasileiro sempre foi desafiador. A empresa vai completar 20 anos e amadureceu nesse ambiente que exige muita flexibilidade, mas também humildade e perseverança. O importante é acreditar nas possibilidades que existem para além dos desafios. Em tempos de crise, esta é a mensagem que queremos passar: a de que vale a pena investir no empreendedor brasileiro. Bastam apenas ética, boa vontade e determinação, pois competência o brasileiro tem de sobra.

(*): Graciliano Campos é Diretor Presidente da Novaer

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1 Comment

 

  1. 04/12/2017  19:14 by César Pereira Responder

    A Novaer tem que se tornar grande,temos espaço para mais uma indústria aeronáutica em nosso país ! Boa sorte a todos !

  2. 04/12/2017  12:42 by Marcos Henrique Responder

    O desenvolvimento do B250 para os EAU é sem duvida o maior exemplo que esse país não tem jeito....porque uma empresa com profissionais desse nivel, deveria era desenvolver, fabricar e exportar a aeronave, e não exportar expertise para outro país.....isso é fruto do descaso dos nossos governantes para com a industria nacional...

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