IMSC – A coalizão marítima internacional na principal rota Ásia-Europa




Por Ana Luiza Colares

Desde junho de 2019, observou-se a movimentação da sociedade internacional diante dos ataques ocorridos no Golfo Pérsico e as problemáticas relações entre Irã, Estados Unidos e Arábia Saudita. As conflituosas questões envolvem uma das principais rotas comerciais marítimas que ligam a Europa à Ásia, passando pelo Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Mar Mediterrâneo.

Por esta rota, utilizando o Estreito de Ormuz, são escoados aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia, advindos principalmente de países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, demonstrando, desta forma, a importância e sensibilidade da região. Utilizando da narrativa de garantir a segurança regional e assegurar o livre fluxo de comércio, os EUA iniciaram, em julho deste ano, uma coalizão marítima intitulada International Maritime Security Construct (IMSC), conhecida como Sentinel Program, com atuação operacional no Estreito de Ormuz, no Golfo de Omã, no Mar Arábico e no Estreito de Bab-el-Mandeb. Como participantes, além dos EUA, cita-se Reino Unido, Austrália, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, país utilizado como anfitrião das tropas estrangeiras e da 5ª Frota da Marinha dos EUA, estrategicamente localizada nas águas do Golfo Pérsico.

Além destes, Israel proverá assistência de inteligência, porém não enviará, por ora, equipamentos ou tropas militares. O Reino Unido materializa sua presença com a fragata HMS Montrose e o contratorpedeiro HMS Ducan, os quais acompanham os navios de bandeira britânica. Já a Austrália utilizará a aeronave de vigilância marítima P8-A Poseidon até o fim do corrente ano. A Marinha dos EUA enviou contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, de forma a monitorar o espaço marítimo da região. Os demais países ainda não informaram seus métodos de auxílio militar, devido à tardia entrada na coalizão, mas demonstram total apoio às Forças atuantes, por meio de recentes declarações governamentais.

HMS Montrose (F 236)

A presença dos EUA na região pela IMSC traduz o interesse em buscar mais visibilidade internacional para suas ações na região. No entanto, nem todos os países da OTAN se mostraram abertos em participar da coalizão, utilizando como principal argumento a preocupação em manter boas relações com o Irã, como no caso das recusas do Japão, importante aliado estadunidense, Alemanha e França.

FONTE: Boletim Geocorrente

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