Por Leonam Guimarães
O anúncio de que o ex-presidente Donald Trump concedeu à Coreia do Sul a aprovação para desenvolver um submarino de propulsão nuclear representa um ponto de inflexão nas dinâmicas estratégicas e tecnológicas da região asiática.
Segundo informações de agências como Reuters, Associated Press, The Guardian e Korea JoongAng Daily, Trump declarou que os Estados Unidos autorizaram a Coreia do Sul a construir um submarino movido a energia nuclear, em substituição aos modelos convencionais a diesel atualmente em operação. Como parte do acordo, Seul comprometeu-se a ampliar investimentos em estaleiros norte-americanos e em importações de energia, num pacote mais amplo de cooperação diplomática e econômica.
O novo submarino deverá ser construído — ou parcialmente montado — no estaleiro Hanwha Philly Shipyard, localizado na Filadélfia e pertencente a uma empresa de defesa sul-coreana. Paralelamente, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung solicitou aos Estados Unidos autorização para o fornecimento de combustível nuclear destinado à propulsão e para o avanço da capacidade nacional de enriquecimento e reprocessamento de urânio.

Atualmente, a Coreia do Sul opera submarinos convencionais modernos, inclusive com propulsão independente de ar, mas não possui a autonomia e o alcance que um sistema nuclear oferece. A decisão americana, portanto, não apenas fortalece o poder naval de Seul, mas também introduz novas complexidades no regime de não proliferação nuclear, especialmente no contexto do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), pois a propulsão nuclear envolve o uso de urânio altamente enriquecido ou de tecnologias sensíveis.
Do ponto de vista militar e tecnológico, a mudança representa um salto qualitativo expressivo. Submarinos nucleares oferecem maior velocidade, autonomia quase ilimitada submersa e menor necessidade de emergir, o que reduz sua detectabilidade. Diante de um ambiente de ameaças que inclui o fortalecimento das forças submarinas e de mísseis da Coreia do Norte e a crescente presença naval chinesa, o movimento é compreensível. Segundo o Korea JoongAng Daily, cada unidade poderá custar mais de 3 trilhões de wons (cerca de US$ 2,1 bilhões), e um programa de quatro a seis embarcações pode ultrapassar os 20 trilhões de wons.
Para o governo dos Estados Unidos, a decisão sinaliza o aprofundamento da aliança com a Coreia do Sul no domínio marítimo. O gesto demonstra disposição em compartilhar tecnologias sensíveis com aliados considerados estratégicos, em resposta à expansão naval chinesa e ao avanço das capacidades militares norte-coreanas. Já para Seul, a aprovação representa uma conquista diplomática significativa, ampliando sua autonomia defensiva e reduzindo a dependência operacional de Washington.
Contudo, o acordo desperta preocupações em torno da não proliferação. A tecnologia de propulsão nuclear tem caráter dual — pode ser usada tanto para fins militares quanto civis. Ainda que os submarinos não sejam projetados para carregar armas nucleares, o uso de urânio altamente enriquecido e a eventual autorização para atividades de enriquecimento e reprocessamento criam brechas para riscos de proliferação. Especialistas alertam que o programa exigirá um regime de salvaguardas extremamente complexo.
A reação da China foi imediata: Pequim manifestou preocupação e pediu que Estados Unidos e Coreia do Sul respeitem suas obrigações internacionais, evitando a desestabilização regional. Já a Coreia do Norte, que acelera o desenvolvimento de seus próprios programas nuclear e submarino, deve encarar a decisão como justificativa para novas iniciativas bélicas.
No plano industrial, o desafio é monumental. A construção de submarinos nucleares requer domínio simultâneo de engenharia naval, reatores compactos, blindagens de radiação e integração de sistemas de propulsão e armamentos. Embora a Coreia do Sul possua uma base nuclear civil sofisticada, adaptar esse conhecimento para aplicações navais exige novas competências e vultosos investimentos. O JoongAng Daily estima que os primeiros submarinos não estarão operacionais antes de meados da década de 2030.
A decisão americana, por outro lado, também tem implicações econômicas internas. Parte da construção será realizada em território norte-americano, criando empregos e estimulando a indústria naval local — um elemento de forte apelo político.
Há, entretanto, questões ainda em aberto. Permanecem indefinidos o tipo de combustível a ser utilizado (urânio de baixo ou alto enriquecimento), o regime de salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e as adaptações legais que deverão ser feitas tanto nos Estados Unidos quanto na Coreia do Sul. Além disso, a iniciativa pode desencadear novas tensões diplomáticas com potências regionais e suscitar questionamentos sobre a coerência do regime global de não proliferação.
Para o Brasil, o episódio tem relevância direta. O país também conduz um programa de propulsão nuclear para submarinos, dentro de parâmetros estritamente pacíficos e sob supervisão internacional. A experiência sul-coreana reforça a importância da autonomia tecnológica e ilustra como as barreiras de acesso ao conhecimento nuclear permanecem condicionadas por fatores políticos e estratégicos, mais do que técnicos.

Ao mesmo tempo, o caso evidencia a tendência de integração entre o setor nuclear civil e as aplicações de defesa. Países com base industrial nuclear madura, como a Coreia do Sul, enxergam na propulsão naval o próximo passo natural em direção à plena soberania energética e militar. Essa convergência também desperta interesse crescente por pequenos reatores modulares (SMRs), cuja aplicação tanto em terra quanto no mar tende a estreitar ainda mais as fronteiras entre o uso civil e o militar da energia nuclear.
Em síntese, a decisão de Trump redefine as fronteiras da política nuclear global. Sinaliza uma flexibilização nas restrições históricas de compartilhamento tecnológico e inaugura uma nova fase de cooperação estratégica entre os Estados Unidos e seus aliados. Mas também reabre antigos dilemas: como assegurar que o avanço da propulsão nuclear não erosione o regime de não proliferação? Como equilibrar o direito soberano ao desenvolvimento tecnológico com a necessidade de preservar a estabilidade regional?
Essas são questões que, inevitavelmente, ecoarão muito além do Pacífico. Para países emergentes no domínio nuclear, como o Brasil, o episódio é tanto um alerta quanto uma oportunidade: um lembrete de que, na política internacional, a energia nuclear continua sendo menos uma questão de engenharia e mais uma questão de poder.













Os sul coreanos com a expertise que possuem na construção naval não conseguem desenvolver e produzir seu submarino nuclear sem a ajuda de terceiros, agora entendo porque vamos levar pelo menos mais uns 150 anos para concluir esse projeto que teve inicio a mais de 40 anos, tudo dentro do esperado 200 anos ou 2 séculos e talvez terminemos, realmente determinadas coisas não são para qualquer um.
Aja óleo de peroba para lustrar a cara de pau da China com dua “preocupação” sobre “desestabilizar a região”. Eles são os maiores desestabilizadores da região.
Além de terem sua parcela de participação no desenvolvimento do arsenal nuclear da ditadura norte coreana, estão a desestabilizar toda a região com suas pretensões expansionistas imperialistas.
A Coreia do Sul precisa de seu próprio arsenal nuclear para poder dissuadir de verdade o nhonho louco do norte.
Óleo de peLoba…rsrsrsrs