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Home Análise

Argentina e China em busca de maior presença na Antártica

Luiz Padilha por Luiz Padilha
14/09/2023 - 16:00
em Análise
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Por Gabriele Hernandez

Em agosto de 2023, as eleições primárias argentinas deram vitória ao candidato Javier Milei, que prometeu congelar as relações com a China, importante parceiro comercial nacional. Além de ser um dos maiores importadores argentinos, Pequim tem interesses muito específicos no sul do país, vendo a Argentina como porta de entrada para suas estações antárticas na região.

No início do século XX, Argentina, Chile e Reino Unido se viram disputando a mesma porção do continente antártico. À época, embora o Reino Unido ainda fosse o império mais poderoso do mundo, as duas Guerras Mundiais, a perda de espaço para os Estados Unidos, a reestruturação de suas colônias e a própria dependência da carne argentina foram fatores que frearam a soberania britânica na região e levaram à assinatura do Tratado da Antártica. Assim, Buenos Aires se consolidou em definitivo como um dos atores com maior presença na Antártica, especialmente graças a sua proximidade geográfica.

Os três Estados dispõem de cidades portuárias antárticas e investem cada vez mais em logística, emprestando a área para parceiros estratégicos que desejam acessar o sexto continente. A China, embora seja o país que mais investiu no local na última década, não dispõe de portões de entrada que garantam apoio ao transporte regional, sendo refém da cooperação internacional. No entanto, a disputa tripartite é a oportunidade perfeita para o aporte chinês no sul argentino mediante as inúmeras crises econômicas que Buenos Aires enfrenta, como foi o caso do acordo entre o governo da Terra do Fogo e uma estatal chinesa para instalação de um porto na cidade de Rio Grande. A implantação garantiria com mais facilidade não só o acesso de Pequim à Antártica, mas também ao Atlântico Sul, e complementaria seu programa de telecomunicações, acusado internacionalmente de ser uma ferramenta de espionagem.

A Antártica ganhou importância para a China no governo do Presidente Xi Jinping como parte da Iniciativa Cinturão e Rota, objetivando a construção de sua quinta estação de pesquisa, o desenvolvimento de sua infraestrutura de telecomunicações e seu programa espacial. Além da localização estratégica, o fato de ser a maior reserva de água doce do mundo e conter vastas reservas de petróleo, gás natural e outros minerais são fatores que fazem do continente uma região relevante para Pequim. Com os investimentos chilenos e britânicos em seus respectivos portos, a China pode ser a chance de a Argentina virar o jogo e disparar à frente como potência antártica. O custo, no entanto, é sua própria autonomia.

FONTE: Boletim GeoCorrente

Tags: AntártidaArgentinaChina
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Comentários 2

  1. Paulo Brics says:
    3 anos atrás

    A julgar pelos candidatos à presidência da Argentina, cabe como uma luva o ditado de que no fundo do poço da Argentina existe um alçapão. Na verdade dois. Pois se o candidato da situação pode ser um mais do mesmo descendente, ou talvez surpreender positivamente, o louco e a inepta, ambos extremistas, são uma clara garantia de catástrofe total.

    A maioria dos eleitores optam por um louco varrido rosnando posturas completamente insanas, tresloucadas, desprovidas de qualquer resquício de racionalidade como candidato preferencial. E a segunda colocada está no mesmo nível, só não é tão histérica quanto.
    Inclusive a postura do Milei sobre as Malvinas é claramente pró uk.

    Brasil e China são os dois maiores destinos das exportações argentinas e o louco repete o que ocorreu no Brasil no governo anterior, quando aquela seita, aquele circo de extremistas insanos atacava a China, nosso maior parceiro comercial, responsável por comprar 2,9 vezes mais do Brasil que os eua (31,28% contra 11%) e o único parceiro que nos deu saldo positivo nos últimos anos, chegando a um pico em 2021 de US$43,4 bilhões de lucro líquido na balança comercial( agora estamos lucrando também com Bangladesh, Índia, Indonésia e Malásia) e salvou a nossa economia durante a pandemia.

    Certamente que, assim como ocorreu por aqui quando por questão de sobrevivência econômica houve um refreamento nas posturas insanas, se algum dos extremistas for eleito por lá, fatalmente vão cair na real e serão obrigados a mudar tom e a postura.
    A ascensão desse Milei é mais uma prova, mais uma repetição que demonstra que o desespero de um povo pode fazer com que grande parcela da população retroceda a um nível de comportamento pré histórico impulsionado basicamente por instintos primitivos.
    Se os argentinos quiserem sustentar alguma pretensão sobre a, Antártida, as Malvinas e sobre sua sobrevivência econômica, vão ter que acordar e evitar os dois alçapões.

    Responder
    • Ander says:
      3 anos atrás

      Muito bom!

      Responder

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