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Home Aviação

James McNerney – “Fizemos nossa Melhor oferta ao Brasil”

Luiz Padilha por Luiz Padilha
27/06/2012 - 14:19
em Aviação
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Para o presidente da Boeing, um dos três concorrentes na venda de caças ao país, a proposta de transferência de tecnologia aos brasileiros “já é muito agressiva”

Por Patrick Cruz

A Americana Boeing concorre com a francesa Dassault e a sueca Saab pelo contrato de venda de 36 caças à Força Aérea Brasileira, um projeto de 10 bilhões de reais que se arrasta desde 2006 e não tem prazo para ser fechado. O Brasil quer ampliar a transferência de tecnologia, mas a Boeing argumenta que há pouco espaço para avançar. “Nossa proposta já é muito agressiva”, diz James McNerney, presidente da empresa.

1) Por que o governo brasileiro está demorando tanto tempo para tomar uma decisão sobre a compra dos caças?

As idas e vindas desse projeto são da natureza do negócio. A escolha leva em conta critérios políticos e técnicos. Mas. de fato, o Brasil tem demorado um pouco mais.

2) É a burocracia que emperra o processo aqui?

Não é o caso. Estamos falando, afinal, de defesa nacional, a decisão mais importante que um país pode tomar. Não diria que o Brasil é mais burocrático que os Estados Unidos numa decisão como essa.

3) Uma das exigências do governo brasileiro é a transferência de tecnologia. Qual é a posição da Boeing sobre isso?

A nossa proposta de transferência de tecnologia já está em um nível bastante elevado. Há algum elemento adicional a ser oferecido no acordo? Talvez. Mas nenhum parceiro nos- so obtém acordo melhor.

4) Nenhum outro país consegue nada melhor do que foi oferecido ao Brasil?

Não. Para os nossos padrões, a transferência de tecnologia já é muito agressiva. Além do mais, nosso equipamento é o melhor – e o governo brasileiro tem consciência disso.

5) Em 2011, a Embraer venceu uma concorrência para a venda de aviões à Força Aérea americana, mas a compra foi cancelada, supostamente, para beneficiar uma empresa local. A Boeing cogitou a hipótese de interceder a favor da Embraer?

Não nos envolvemos em projetos da Embraer, assim como ela não se envolve nos nossos. Há quem encare o cancelamento do contrato da Embraer como uma posição anti-Embraer ou anti-Brasil. Mas metade dos contratos que a Boeing vence é contestada pelos derrotados. Isso acontece o tempo todo, infelizmente.

6) O governo brasileiro pretende prosseguir com a concessão de aeroportos federais para a iniciativa privada. A Boeing tem interesse nessa área?

Não costumamos encarnar o papel de investidor. Em geral, prestamos consultoria a governos para ajudar a gerenciar essas privatizações – propondo padrões para a construção de aeroportos e analisando a malha aérea. Com rotas mais eficientes, podemos ganhar com a economia de combustível, a redução de poluentes e – claro – a venda de mais aviões.

7) No Brasil, duas companhias aéreas têm, somadas, 80% do mercado de aviação. Não seria o caso de o Brasil abrir o mercado às companhias estrangeiras?

O crescimento aqui é muito agressivo. Além do mercado das companhias de aviação, há um grande espaço, por exemplo, para empresas de manutenção e de serviços. Já sabemos que pelo menos três empresas dessas áreas devem chegar ao país em breve.

FONTE: EXAME via Notimp


 

Tags: BoeingFX-2;Super Hornet
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Comentários 4

  1. Afonso says:
    14 anos atrás

    Dassault e SAAB prometem transferência “total”, mesmo se fosse verdade, como disse o Luiz Padilha, não temos condições de absolver.
    A Boeing oferece ToT “necessária”, para mim, se for o que a FAB necessita já será o suficiente, Dilma terá que escolher qual das tres propostas será melhor aproveitado pelos técnicos e indústrias (estas que já estão quase capengando), e creio que a proposta da Boeing/Gov. americano, com pacotes e cooperações que realmente interessam ao país (algumas já assinadas).
    Mesmo porque uma ToT de 100% seria um elefante branco, quando hoje os países que fabricam caças procuram parceiros para diminuir os custos; se desenvolvêssemos um caça 100% nacional, com seu alto custo, quem iria comprar, se mesmo o Brasil (e não a FAB) está demorando mais de uma década e meia para trocar seus caças da época da guerra do Vietnan?

    Responder
    • Afonso says:
      14 anos atrás

      Desculpem, troquem o ‘absolver” pelo absorver…

      Responder
  2. Luiz Padilha says:
    14 anos atrás

    Gilberto o grande problema é:
    – Receberemos MESMO 100% de ToT dos 3 concorrentes? Não creio em 100%.

    – E o pior. Temos CAPACIDADE para receber essas ToTs? Não creio também.

    Portanto, cada um dos 3 concorrentes joga como lhes convém, e a nós cabe esperar e ver se o pacote escolhido, realmente trará algum benefício ao país. 100% de ToT a curto prazo nem com reza brava, por culpa do nosso país que não investe em educação e em projetos de alta tecnologia.
    Triste, mas a nossa dura realidade.

    Responder
  3. Gilberto Rezende-Rio Grande/RS says:
    14 anos atrás

    A oferta já é MUITO agressiva, a oferta já está em um nível bastante elevado e a melhor de todas PARA OS NOSSOS PADRÕES, a transferência de tecnologia já é muito agressiva…

    Em SUMA, transferência de tecnologia completa nem a pau pica-pau….

    Se o governo brasileiro levasse a sério a TOT não deveria nem ter incluído a Boeing no short list e se tomou a decisão pela TOT DEPOIS do short-list deveria ter retirado de imediato a Boeing da DISPUTA por IMPOSSIBILIDADE ABSOLUTA de cumprimento de requisito essencial ao processo de aquisição…

    Mas a gente adora empurrar as coisas com a barriga.

    Responder

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