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Home Indústria de Defesa

Brasil assina na Alemanha “Carta de Intenções” para mais 4 Fragatas Classe Tamandaré

Luiz Padilha por Luiz Padilha
21/04/2026 - 10:49
em Indústria de Defesa
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Por Luiz Padilha

Foi assinada ontem uma Declaração Conjunta entre Brasil Alemanha pelo Presidente da República, e um outro documento, uma Carta de Intenções, pelo MRE em nome do nosso MD, e o MD da Alemanha, Pistorius, tratando do prosseguimento dessas negociações.

Na sexta-feira o Comandante da Marinha deve assinar um Memorando de Entendimento (MoU), na cerimônia de Mostra de Armamento da Fragata Tamandaré (F 200), com os representantes do consórcio.

Vale lembrar que um MoU não é ainda um contrato. O Defesa Aérea e Naval (DAN) torce para que a Marinha consiga fechar essas 4 Fragatas adicionais para compor a nossa Esquadra.

Declaração Conjunta – Hannover, 20 de abril de 2026

Sob a presidência do Chanceler Federal Friedrich Merz e do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os governos da República Federal da Alemanha e da República Federativa do Brasil realizaram hoje, em Hannover, consultas intergovernamentais. Estiveram acompanhados por ministros de ambos os governos. As consultas foram realizadas sob o lema “Juntos por um Crescimento Inclusivo, Emprego, Paz e Segurança”.

2. A Alemanha e o Brasil reafirmaram sua Parceria Estratégica, que se baseia nos valores compartilhados de democracia, liberdade, inclusão social, solidariedade, bem como em um firme compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e o comércio livre e baseado em regras. Ambos os lados compartilham um interesse fundamental em uma ordem política que se apoia em acordos, na qual os países sejam capazes de enfrentar conjuntamente os desafios globais, por meio do diálogo e da cooperação. Os Governos da Alemanha e do Brasil concordaram, assim, em aprofundar sua Parceria Estratégica, fomentando a cooperação econômica e em segurança, impulsionando conjuntamente a transformação em áreas como digitalização, ciência, tecnologia, inovação, ação climática e desenvolvimento sustentável, bem como dando continuidade à sua cooperação em organizações multilaterais, particularmente nas Nações Unidas, e em outros foros, como a OMC, a OMI e o G20.

3. A Alemanha e o Brasil reconhecem que cooperação econômica mais estreita é a fundação para o crescimento inclusivo, a prosperidade e a criação de empregos . Ambos os lados consideram o Acordo MERCOSUL-UE um marco para relações econômicas mais estreitas e acolhem, com satisfação, o início de sua aplicação provisória em 1º de maio de 2026. Ambos os lados congratulam-se particularmente com o fato de o Brasil, como país parceiro da edição deste ano da Feira de Hannover, apresentar suas indústrias e tecnologias inovadoras e sustentáveis. Os dois governos sublinham sua intenção de intensificar as negociações para a conclusão de um acordo sobre dupla tributação que promova o investimento e fortaleça as relações econômicas bilaterais. Ambos os lados reafirmaram sua disposição para discutir futura cooperação em minerais críticos, com base em um compromisso comum de buscar benefícios mútuos e fomentar o crescimento sustentável por meio de cadeias de valor mais sustentáveis, resilientes e estrategicamente integradas.

4. A Alemanha e o Brasil concordam em reforçar sua cooperação em matéria de segurança e defesa. Nesse sentido, os dois países adotaram uma Declaração Conjunta de Intenções sobre a Cooperação em Equipamentos de Defesa e avaliaram meios viáveis para incrementar a cooperação, com vistas a enfrentar as ameaças do crime organizado transnacional, incluindo crimes ambientais e tráfico de drogas.

5. Em vista dos atuais desdobramentos geopolíticos, ambos os parceiros enfatizaram a importância do diálogo, da compreensão mútua e da cooperação para enfrentar os desafios globais. Brasil e Alemanha estão unidos na firme convicção de que as disputas devem ser resolvidas por meios pacíficos e com o concurso da diplomacia, em plena conformidade com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, rejeitando a ameaça ou o uso da força contra a independência política e a integridade territorial de qualquer Estado, assim como outras formas de coerção. Os dois líderes reiteraram sua profunda preocupação com a guerra em curso na Ucrânia e saudaram os esforços para uma paz negociada abrangente, justa e duradoura. Ambos os governos compartilharam profunda preocupação com os conflitos em curso no Oriente Médio, incluindo o impacto sobre a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Brasil e Alemanha encorajaram decididamente o progresso rumo a uma solução negociada substantiva sobre o Irã. Esses conflitos causam imenso sofrimento humano, consequências humanitárias e impactos globais negativos, inclusive por meio da perturbação dos mercados globais de energia. 

6. Ambas as partes reafirmaram seu compromisso multilateral com as Nações Unidas em seus três pilares, paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos, enfatizando a necessidade de reformas ambiciosas e céleres, particularmente no Conselho de Segurança, com vistas a refletir as realidades contemporâneas e aprimorar a representatividade, a legitimidade e a eficácia do Conselho. Ambos os governos também reconhecem a importância de reformar as instituições financeiras internacionais, de modo a melhor refletir as realidades globais e as necessidades dos países em desenvolvimento, incluindo uma representação mais ampla e instrumentos de financiamento efetivos.

7. A Alemanha e o Brasil sublinham a necessidade urgente de combater o aquecimento global e proteger o meio ambiente, e renovam o seu compromisso de fortalecer o regime multilateral do clima. Ambos os governos recordam o lançamento da Declaração de Belém sobre a Industrialização Verde Global, no âmbito da COP30, e estão comprometidos com os seus objetivos, ressaltando a sua cooperação para a proteção da natureza e das florestas, em especial o Mecanismo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), e reconhecendo a liderança e o compromisso financeiro do Brasil, bem como a contribuição financeira de longo prazo da Alemanha. O governo brasileiro saúda o apoio financeiro da Alemanha ao Fundo de Mudanças Climáticas (Fundo Clima). 

8. As Consultas Intergovernamentais de hoje estabelecem um marco significativo para o fortalecimento da Parceria Estratégica e da amizade entre a Alemanha e o Brasil. Os dois governos alcançaram, juntos, uma série de resultados, incluindo os seguintes acordos e anúncios:

  1. Declaração de Intenções relativa à Cooperação na Aquisição de Equipamentos de Defesa e Atividades Conexas
  2. Carta de Intenções relativa à Cooperação Industrial no âmbito do Programa de Fragatas da Classe Tamandaré

  3. Declaração Conjunta de Intenções sobre Cooperação Científica e Tecnológica na Área de Minerais Críticos e Estratégicos
  4. Carta de Intenções sobre Cooperação em Tecnologias Quânticas
  5. Memorando de Entendimento entre o Programa Alemão de Aceleração e a ApexBrasil para fomentar a colaboração bilateral em startups, negócios baseados em conhecimento e talentos
  6. Declaração Conjunta de Intenções sobre Inteligência Artificial – Parceria para Inovação e Confiança
  7. Declaração Conjunta de Intenções relativa à Intensificação da Cooperação em Pesquisa sobre a Geração de Energia Neutra em Carbono
  8. Declaração Conjunta de Intenções sobre a Continuação do Diálogo Estratégico de Alto Nível sobre Ação e Ambição Climáticas
  9. Declaração Conjunta de Intenções relativa à Intensificação da Cooperação em Pesquisa Climática
  10. Declaração Conjunta de Intenções sobre uma Parceria no Domínio da Mobilidade Sustentável
  11. Declaração Conjunta de Intenções sobre o Apoio Financeiro ao Fundo Nacional de Mudanças Climáticas (Fundo Clima)
  12. Declaração Conjunta de Intenções sobre Cooperação em Pesquisa Marinha
  13. Declaração Conjunta de Intenções sobre o Desenvolvimento da Missão Espacial CO2Image
FONTE: Gov.br
Tags: Consórcio Águas AzuisEmbraerEstaleiro ThyssenKrupp Brasil Sul (tkEBS)Fragata TamandaréMarinha do BrasilMinistério da DefesaMinistério das Relações Exteriores (MRE)
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Comentários 9

  1. Johan says:
    2 meses atrás

    Os EUA não estão nem aí para essas fragatas. As FA brasileiras, se é que podem ser chamadas assim, nas fazem frente a nenhuma marinha minimamente digna.
    Essa classe de fragata é muito útil para a MB voltar a ter o mínimo de caráter defensivo e doutrinário à guerra moderna. Somente isso.
    Vocês são muito neuróticos com os EUA, enquanto China e países europeus e o próprio EUA estão comprando tudo que podem na Amazônia. Acham que a invasão ao Brasil será de forma convencional, enquanto a destruição do país já começou faz décadas.

    Responder
  2. SERGIO DE CASTRO says:
    2 meses atrás

    O MOU foi assinado. É preciso transforma-lo em contrato! Se o próximo governo for muito submisso aos EUA, provavelmente o processo será interrompido.

    Responder
  3. Renan says:
    2 meses atrás

    No lançamento da fragata o lula disse aos funcionários não se preocupar vocês não vão ficar sem emprego isso aqui tem que continuar mais navios em breve

    E hoje deu um passo nesta direção

    Responder
  4. Thunder says:
    2 meses atrás

    Se for verdade,duvido muito,que fosse uma de versão estendida (se for possível) e muito mais armada.

    Responder
  5. Gustavo Tavares says:
    2 meses atrás

    Bom, ainda continuo achando esse navio um “tiro no pé”.
    Sub armado, linhas retas de mais, dependência externa de mais, vem de um país que limita e até impede o uso, comercialização do equipamento etc.
    Mas já que fizeram a burrada, melhor continuar nela.
    Deveriam dessa vez, construir esses navios em Itaguái, com maior índice de nacionalização possível e inclusão máxima de sistemas de armas e EW nacional.

    Responder
    • Cleber says:
      2 meses atrás

      Tomara q as próximas vem mais armadas.

      Responder
    • André says:
      2 meses atrás

      Fazendo um trocadilho com tiro no pé Gustavo, esses navios precisam substitir as antigas fragatas em operação o que seria um ponta pé inicial. É importante termos em mente que nossas escoltas são defasadas e estamos muito atrasados em trocá-las. Um lote de navios de 5000t (3 unidades) poderia ser a solução para um arsenal mais dissuasório para o navio.

      Responder
  6. André says:
    2 meses atrás

    Se a Marinha quer dar continidade ao projeto das Tamandaré é porque o navio realmente atende as necessidades da instituição. Um segundo lote poderia vim com um navio mais robusto de 4000t baseado nas F124 e com consequente acréscimo de mais vls. Outra observação interessante seria a adição ao contrato de um navio de apoio logístico e a aquisição de 2 KC390 para dar uma equilibrada na balança: se estamos ajudando sua indústria, ajude também a nossa. Agora á torcer para que essa nova aquisição de fato aconteça.

    Responder
  7. Paulo Sollo says:
    2 meses atrás

    Apesar de ser ainda uma carta de intenções, é sem dúvidas uma notícia excelente. Agora vem a parte mais difícil que é a alocação de recursos. Agora é esperar que este governo cumpra com suas intenções, algo no qual historicamente tem falhado recorrentemente.

    Responder

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