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Home Indústria de Defesa

Reator Nuclear Multipropósito apoiará medicina e meio ambiente

Projeto inédito capitaneado pela AMAZUL está em fase de conclusão

Luiz Padilha por Luiz Padilha
17/03/2021 - 19:04
em Indústria de Defesa
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Por Charles Magno Medeiros

A Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul), em parceria com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), está concluindo o projeto detalhado do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), primeiro grande passo para o Brasil alcançar a autossuficiência na produção de insumos para a fabricação de radiofármacos destinados ao diagnóstico e tratamento do câncer e outras doenças. O detalhamento do projeto contou, também, com a participação da empresa argentina Invap.

O próximo passo é construção das instalações e do reator de 30 MW de potência no município de Iperó (SP), em área adjacente ao Centro Industrial e Nuclear de Aramar.

O que é o RMB

Empreendimento de alta complexidade, o RMB tem como uma de suas principais finalidades a produção de radioisótopos, que são a base para os radiofármacos utilizados na medicina nuclear. Com isso, o Brasil poderá alcançar a autossuficiência em radioisótopos, que hoje são importados, e ampliar o acesso da população, em todo o território nacional, aos benefícios da medicina nuclear.

Para se ter uma ideia, o número de procedimentos com aplicação de radiofármacos no Brasil, em torno de 2 milhões, é três vezes inferior aos realizados na Argentina e Chile, o que demonstra uma grande demanda reprimida. Atualmente, apenas 6,3% dos procedimentos são realizados no Sistema Único de Saúde, a maior parte
é realizada pela medicina privada, por meio de planos de saúde. Além disso, há um desequilíbrio profundo na oferta desses serviços entre o Sul/Sudeste e outras regiões do País.

A Amazul agrega ao projeto a expertise de seus empregados que há décadas participam do Programa Nuclear da Marinha. “Para nós, o RMB tem um incalculável valor social, já que coloca a tecnologia nuclear a serviço da saúde dos brasileiros, salvando vidas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes”, afirma o Diretor-Presidente da Amazul, Antonio Carlos Soares Guerreiro.

Os radioisótopos também são aplicados na indústria, na agricultura, no meio ambiente, entre outras áreas. O RMB será empregado, por exemplo, em pesquisas, em testes de materiais e combustíveis para as usinas nucleares e na dopagem de silício para produção de semicondutores, a serem aplicados em dispositivos eletrônicos como celulares e notebooks.

Irradiação de alimentos

Outro projeto estratégico que a Amazul desenvolverá em 2021 será voltado à instalação de centros de irradiação no Brasil, que tem por objetivo preservar a qualidade e aumentar a vida útil de alimentos. “O mercado potencial desses centros de irradiação é grande e vai beneficiar o agronegócio, responsável por 21,4% do PIB e 43% do valor total das exportações, em 2019.

Hoje, o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas e exporta apenas cerca de 3% da sua produção”, observa Guerreiro. A mesma tecnologia pode ser usada em outros setores, como os de cosméticos, material médico, acervos históricos, obras de arte etc.

O que é a Amazul

A Amazul foi constituída em 2013 para promover, desenvolver, transferir e manter tecnologias sensíveis às atividades do Programa Nuclear da Marinha (PNM), do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e do Programa Nuclear Brasileiro (PNB).

Dentro do PNM, atua nos projetos para construir, comissionar e operar o primeiro reator nuclear de potência, totalmente nacional, e produzir ultracentrífugas que são instaladas nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), responsáveis pelo enriquecimento do combustível nuclear que é aplicado nas usinas nucleares de Angra. A dualidade dessa tecnologia possibilitará seu emprego tanto para a propulsão naval de submarinos quanto para a geração de energia elétrica.

FONTE: Nomar

Tags: Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa)Centro Industrial e Nuclear de AramarComissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)Reator Multipropósito Brasileiro (RMB)
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Comentários 3

  1. Gustavo says:
    5 anos atrás

    Cheio de planos e apresentações 3D bonitas! Entrega concreta do equipamento/reator? Nada!

    Responder
  2. CRSOV says:
    5 anos atrás

    Ah só falta dar o próximo passo que é a construção das instalações e do reator !! Talvez daqui a 3 reencarnações minhas eu consiga ver esse projeto ficar pronto !!

    Responder
  3. Rafael says:
    5 anos atrás

    Essa história de radiofármacos me dá pavor, medo sincero e real.

    Pelo histórico do Estado brasileiro, ao invés de aumentarmos o acesso da população a essa maravilhosa tecnologia, teremos uma legislação de reserva de mercado e de conteúdo nacional que impedirá importações. É o Brasil, pura e simplesmente. O inócuo impedimento de importações nos alijará do desenvolvimento de novas tecnologias e de parcerias; a pesquisa oncológica será ainda mais prejudica, além do que já é pela Receita Federal e seu moroso desembaraço.

    Os defensores da medida darão os argumentos de sempre e serão defendidos pelos nacionalistas antipatrióticos. Ou alguém acredita que o país que está há quarenta anos construindo um submarino nuclear, há trinta fazendo um usina e falhou na ogiva nuclear, abastecerá milhões de habitantes com esse ‘medicamento’?

    Mas parlamentares, ministros, juízes e procuradores, generais e almirantes, todos terão Europa e EUA para se tratarem.

    Responder

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