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Chanceler diz que Rússia vai criar grupo para combater planos de intervenção militar na Venezuela

Lavrov apontou que espera apoio da ONU. UE pede solução pacífica e decidida pelo país sul-americano para a crise

Luiz Padilha por Luiz Padilha
02/05/2019 - 17:21
em Geopolítica
6
ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov

ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov

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MOSCOU — O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, informou que a Rússia criará um grupo de países para combater os planos de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo a agência russa de notícias RIA, o chanceler destacou que as posições de Moscou e Washington sobre a crise no país sul-americano são “inconciliáveis”, mas ressaltou que as autoridades russas estão dispostas e prontas ao diálogo.

Espero que o grupo receba apoio sério na Organização das Nações Unidas, porque é uma coisa muito simples. É difícil, de alguma forma, distorcer este tópico, a proteção de normas e princípios fundamentais do direito internacional, como estão escritos na Carta da ONU, argumentou o chanceler russo, sem detalhar a composição do referido grupo, em declarações reproduzidas pela agência.

Lavrov ainda ressaltou serem falsas as afirmações de autoridades norte-americanas de que Moscou impediu Nicolás Maduro de deixar a Venezuela durante a operação da oposição para depô-lo em Caracas. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, havia dito, na terça-feira, que Maduro deixaria a Venezuela diante do levante convocado pelo líder opositor Juan Guaidó, mas teria mudado de ideia devido a uma intervenção russa.

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia negou a informação de Pompeo e disse que Washington “mente como parte de uma guerra de informações”. Maduro, em pronunciamento pela TV, acusou o secretário de Donald Trump de “falta de seriedade”.



Nesta quinta-feira, ainda de acordo com a RIA, Lavrov disse que instou os EUA, durante conversa telefônica com Pompeo na quarta-feira, a não retornarem à Doutrina Monroe, política americana do século XIX na qual Washington afirmava sua hegemonia no hemisfério diante de potências externas (na época, os países colonialistas europeus). A doutrina foi evocada na Guerra Fria contra a União Soviética, e recentemente voltou a ser mencionada pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, no contexto da crise na Venezuela.

Eu respondi a ele, baseado em nossa posição de princípio, que nunca interferimos nos assuntos dos outros e pedimos aos outros que façam o mesmo, destacou o chanceler russo, segundo quem “as intenções declaradas em voz alta” por Washington refletem “desrespeito” ao povo venezuelano e latino-americano como um todo.

No telefonema, Lavrov condenou a “influência destruidora” de Washington sobre o país sul-americano e classificou-a como “uma violação flagrante do Direito Internacional”.

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, na conversa com Lavrov Pompeo “destacou que a intervenção de Rússia e Cuba é desestabilizadora para a Venezuela e para a relação bilateral entre Estados Unidos e Rússia”.

Pompeo também “pediu à Rússia para pôr fim a seu apoio a Nicolás Maduro e se unir às nações, incluindo uma esmagadora maioria dos países ocidentais, que querem um futuro melhor para o povo venezuelano”, completou a porta-voz.

UE pede solução pacífica

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Grupo de Contato Internacional (ICG) reafirmou seu apoio a uma solução política, pacífica, democrática e desenvolvida pela própria Venezuela,conforme a Constituição do país. O ICG convocou reunião ministerial para 6 e 7 de maio em San José, na Costa Rica, para discutir os novos acontecimentos na Venezuela.



Além de países europeus, fazem parte do Grupo de Contato Uruguai, Costa Rica e Equador. A União Europeia criou o grupo em janeiro para lidar com a crise no país sul-americano, propondo eleições livres e democráticas. Na ocasião, Juan Guaidó havia acabado de se autoproclamar presidente interino, em desafio à autoridade de Maduro, que havia tomado posse para o segundo mandato. O grupo frisou que as cenas posteriores ao anúncio da operação opositora, na terça-feira, “confirmaram a necessidade e a urgência de uma solução pacífica”.

“A crise está piorando e agravando a já terrível situação humanitária do povo venezuelano. O Grupo de Contacto Internacional expressa firmemente a sua oposição ao uso da força e apela à máxima contenção por parte dos órgãos de segurança, para que nenhum dano adicional seja infligido ao povo venezuelano”, diz a nota do ICG.

O ICG apontou ainda que os direitos humanos e as liberdades civis de todos os venezuelanos devem ser respeitados, assim como a atuação política de membros da Assembleia Nacional e o trabalho de profissionais da imprensa. O grupo também apelou pela soltura de presos políticos.

FONTE: O Globo



Tags: Juan GuaidóMinistro de Defesa da Rússia General Sergei ShoiguNicolás MaduroRússiaVenezuela
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Comentários 6

  1. eggfilho says:
    7 anos atrás

    para as belas adormecidas socialista eis a revelação, a ditadura do proletariado. peão de tabuleiro de xadrez “sovietico”

    Responder
  2. IBIZ says:
    7 anos atrás

    Entre o leão e o urso todos são dilacerados! Ou o Brasil assumi uma posição de liderança na região e conduz uma solução para a situação Venezuelana ou a America do Sul entra na mira dos “grandes predadores militares” mundiais e termina como o Oriente Médio (afundado em conflitos sem fim!). Não se pode esperar nada desse presidente mas cade a copula militar brasileira que ocupa metade dos cargos do governos? Estão mais focados em aumentar seus já gordos soldos e benefícios ou mais ocupados na briguinha infantil com aquele Rasputim que mora na Virginia/EUA?

    Responder
  3. OSEIAS says:
    7 anos atrás

    Só tenho uma coisa para falar sobre a Rússia. (Ucrânia, Crimeia).

    Responder
  4. Wolfpack says:
    7 anos atrás

    O Brasil poderia deixar de ser um “pussy country” como dizem os americanos as Repúblicas de Bananas e mandar um recado claro a Moscou pra não se meterem no nosso quintal. Que se dane a Rússia, parem de exportar carne pra essa gente. Que importem dos Estados Unidos, da Austrália.

    Responder
    • Andre says:
      7 anos atrás

      Para o Brasil ter esse tipo de postura Wolfpack precisaria ter um poderio equivalente aos russos, algo que os governos recentes sempre tentaram limitar. Como o Brasil se insere em uma estratégia de defesa sempre terá armas para esse fim. Um país que não consegue construir navios patrulha de 500t não terá condições de peitar um país como a Rússia. Uma coisa é dizermos para eles não se meterem no nosso quintal outra é termos condições para isso.

      Responder
  5. Andre says:
    7 anos atrás

    Seria um grupo armado (milicias ou mercenários) disfarçados no texto de “países”? E que “países” seriam esses dispostos a defender a ditadura bolivariana? Apoio da ONU sendo que essa mesma organização prejudica os interesses das nações com sua Nova Ordem Mundial? Belo apoio!
    Quer dizer que a Rússia nunca interfere nos assuntos dos outros países como Afeganistão e Vietnã, então porque toda essa preocupação com a Venezuela? Que hipocrisia! Se a Venezuela tivesse influência norte americana o país seria uma democracia e estaria vendo a Rússia como um incômodo. É cada uma!

    Responder

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