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Home Ministério da Defesa

Sem orçamento, Defesa adia projeto estratégico até 2040

Luiz Padilha por Luiz Padilha
30/04/2019 - 08:05
em Ministério da Defesa
14
KC-390 da Embraer sobrevoando o Chile durante a FIDAE 2018

KC-390 da Embraer sobrevoando o Chile durante a FIDAE 2018

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Por Carla Araújo e Daniel Rittner

Para manter vivos e sem cortes seus projetos estratégicos de modernização, as Forças Armadas têm recorrido a renegociações contratuais que dilatam o prazo de entrega de novos equipamentos. A falta de recursos orçamentários no curto prazo faz com que projetos iniciados na década passada tenham, em algumas situações, cronograma ajustado até para um longínquo ano de 2040.

Um levantamento do Ministério da Defesa sobre o andamento financeiro de 12 programas mostra que já foram desembolsados R$ 38,2 bilhões. Só que faltam ainda mais R$ 93,5 bilhões. Diante da fragilidade fiscal, a repactuação dos prazos foi a saída encontrada pelos militares para honrar os compromissos com parceiros e fornecedores sem reduzir o escopo dos programas.

“Não tem mágica. Só pode fazer duas coisas para cumprir os contratos: ou a gente muda o escopo dele, refaz e diminui o projeto, ou a gente alonga o prazo”, afirmou ao Valor o ministro Fernando Azevedo e Silva. Segundo ele, não são apenas os valores alocados no orçamento da Defesa que importam, mas a previsibilidade dos recursos ao longo do tempo. “Todo ano é uma briga orçamentária, e os projetos acabam sofrendo por causa disso.”

No fim do mês passado, a pasta teve o segundo maior contingenciamento da Esplanada dos Ministérios, ficando atrás somente do da Educação. O bloqueio foi de R$ 5,1 bilhões – 38% do orçamento original para 2019. Azevedo acredita que esse corte temporário possa ser revertido ao longo do ano e aposta em mais recursos a partir de 2020, quando vai ser executado o primeiro Orçamento formulado pelo governo Jair Bolsonaro. “Eu tenho esperança na origem militar do presidente e no discurso dele em relação às Forças Armadas.”

As repactuações contratuais, no entanto, levam frequentemente a um encarecimento dos projetos. Um caso emblemático é o do HX-BR, que envolve o desenvolvimento e a produção de 50 helicópteros – 16 para o Exército, 16 para a Aeronáutica e 16 para a Marinha, além de outros dois para transporte de autoridades. Por falta de dinheiro das Forças Armadas, apenas 30 das 50 unidades foram entregues até o fim de 2017, quando deveria ter sido concluído o projeto. Os últimos ficaram para 2022. A francesa Airbus Helicopters, que produz os equipamentos por meio de sua subsidiária Helibras em Itajubá (MG), já obteve reequilíbrio econômico-financeiro do contrato no valor de € 44 milhões. Agora, pleiteia mais € 33 milhões devido ao atraso, conforme apurou o Valor com fontes militares.

A dilatação mais extensa de cronograma atinge o programa de blindados Guarani. Fruto de uma parceria entre o Exército e a fabricante italiana Iveco, esse veículo anfíbio com capacidade para até 11 tripulantes está sendo produzido no complexo industrial de Sete Lagoas (MG). A ideia original era ter 120 blindados por ano até 2029. No novo cronograma, com 60 unidades anuais, o projeto foi estendido para 2040.

Um fator de incerteza para os programas está no teto de gastos. A emenda constitucional, uma das principais bandeiras do então presidente Michel Temer para o controle das contas do governo, impôs um limite para as despesas públicas. Elas só podem ser corrigidas pelo IPCA durante 20 anos.

O paradoxo, segundo o ministro Azevedo, é que a grande maioria dos projetos estratégicos da Defesa foi contratada antes do teto constitucional. Por isso, muitos têm uma previsão de investimentos crescentes nos próximos anos. Na avaliação de Azevedo, é possível que Bolsonaro ou um governo posterior tenha que rever o limite constitucional. “Acho que este governo ou o seguinte terá que mexer nessas normas.”

Os dois maiores projetos da FAB – a compra de 36 caças de múltiplo emprego Gripen NG e dos cargueiros táticos KC-390 da Embraer – chegam ao pico dos desembolsos praticamente ao mesmo tempo. Eles devem consumir, juntos, pouco acima de R$ 4 bilhões por ano entre 2021 e 2023. Em 2019, sem levar em conta o contingenciamento de março, a previsão era gastar R$ 1,35 bilhão com os Gripen e R$ 750 milhões com os KC-390.

FONTE: Valor Econômico



Tags: EmbraerExército Brasileiro (EB)Força Aérea BrasileiraHelibrasIVECOMarinha do BrasilPROSUBSAAB
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Comentários 14

  1. Welington Silva says:
    7 anos atrás

    É duro ver cortes, dói na alma pois quando se trata de Defesa, o dinheiro não pode ser mexido nenhum tostão. O Brasil foi entregue na lama para o atual Presidente da República e o mais engraçado, é que tem pessoas dizendo que está sendo o pior governo.

    Más, espera aí? E os governos anteriores, não conta? E os cortes no orçamento militar feito nos governos anteriores, também não conta? Roubalheira desenfreada? Altos cargos comissionados? Fraudes no assistencialismo barato? Etc…

    E o pior, foram TODOS coniventes com isso!

    Nós, o povo, somos soberano. Nós somos o poder maior. Somos maior que o Presidente e as Forças Armadas. Nós temos essa capacidade de mudarmos o rumo desse país. Basta querer!

    Confesso que não dá pra entender o que está acontecendo na cabeça desse povo. Não sei se é por zoação ou por mediocridade. Prefiro apostar na segunda opção. Levará anos pro Brasil começar a definitivamente subir as escadas. Até lá, teremos diversos problemas pra resolver ainda.

    Responder
  2. fabricio says:
    7 anos atrás

    Boa tarde galera

    Responder
  3. Ciro sousa says:
    7 anos atrás

    Nao consegue manter o que tem e quer mais equipamentos? Veja os cinco submarinos existentes todos parados esperando grana pra remotorizaçao. Dois serão vendidos ao Peru. NOSSOS ALMIRANTES VIVEM NO MUNDO DA FANTASIA QUERENDO SUB NUCLEAR.

    Responder
  4. Marcelo Monteiro says:
    7 anos atrás

    Diminuir os gastos com pessoal, o número de oficiais, etc, ninguém nas FFAA quer, né. Querem deixar tudo como está, exigindo ainda mais sacrifício à sociedade brasileira, como se ela não tivesse outras prioridades – saúde, educação, segurança pública… Tenha a santa paciência!

    Responder
  5. IGOR GRABOIS OLIMPIO says:
    7 anos atrás

    Vc está afirmando que os generais, brigadeiros e almirantes que pilotaram esses projetos querem encher os bolos? Cidadão, mais argumentos na próxima, e menos ofensas.

    Responder
  6. IGOR says:
    7 anos atrás

    Na falta de argumentos ofensas! Cidadão, na próxima use argumentos objetivos.

    Responder
  7. Satyricon says:
    7 anos atrás

    Kkkkkkkkkl
    O SubNuc já gastou 5bi, e ainda vai precisar de outros R$ 20bi para ser concluído.
    R$ 20 BI!
    Não temos grana para manutenir o que temos, e o almirantado continua no mundo da lua.
    Até quando?
    E ainda tem gente que defende isso…

    Responder
  8. Cleber says:
    7 anos atrás

    Entra um e sai outro a ” novela ” se repete ! Cadê o PEC da defesa ? Parou porq ? Cortar gastos , pensões , efetivo etc… de que adianta uma Marinha com 80 mil homens e sem navios ?

    Responder
  9. mauricio matos says:
    7 anos atrás

    Entra e sai governo e continua o dilema do orçamento da defesa a sociedade faz sua parte pagando muitos impostos tinha que fazer uma reforma na carreira militar seguir o exemplo de outros países. Na Inglaterra a previdência de lá é menos generosa do que a daqui para os militares o orçamento quase todo vai para pagar salários e pensões assim não a dinheiro que chegue.

    Responder
  10. Vilela says:
    7 anos atrás

    Puxa… 555 milhões de reais por 1 caça?

    Responder
  11. IGOR GRABOIS OLIMPIO says:
    7 anos atrás

    A política de Guedes, e antes a de Meirelles e de Levy, é contraditória com o desenvolvimento da Defesa Nacional. Deixar o Brasil desarmado é parte do projeto deles. Pedra cantada, aliás.

    Responder
    • Juarez says:
      7 anos atrás

      Cidadão, a única coisa que o delinquentes que tu defende fizeram, foi er aproveitar dos contratos de defesa para pata encher os bolsos.
      Acordaeu filho:
      O cara tá preso….

      Responder
    • Fabiano says:
      7 anos atrás

      Todos nós queremos forças armadas fortes, bem equipadas. Assim como queremos educação, saúde e infraestrutura de qualidade. Mas não teremos nada disto enquanto tivermos militares que “não se aposentam” e juízes e procuradores ganhando 40 mil por mês. Tenha certeza disto…

      Responder
  12. Juarez says:
    7 anos atrás

    O caso do EC 725 e um tapa na cara dos contribuintes Brasileiros. Todos dentro do meio ilitar sabem e conhecem o tamanho dos prejuízos que está Anv vem causando com sucessivas panes, limitações operacionais impostas por técnical orders do fabricante, o custo da reducao dos intervalos de manutencao, tudo isto até agora pago pelo contribuinte Brasileiro e a Airbus tem a cara de pau de pedir readequação do contrato.
    E o ministério da defesa paga isto. Realmente o Brasil e um caso a ser estudado pela psicanálise.

    Responder

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