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Home Naval

Classe Wave na Marinha do Brasil? Ainda não!

Luiz Padilha por Luiz Padilha
13/06/2023 - 15:09
em Naval
35
RFA Wave Knight. Image by  Dave Jenkins

RFA Wave Knight. Image by Dave Jenkins

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Por Luiz Padilha

Recentemente, foi publicado em um site inglês que a Royal Navy (RN) estaria disponibilizando os dois navios tanque da classe Wave, os Royal Fleet Auxiliary, RFA Wave Ruler e RFA Wave Knight, com possibilidades de serem adquiridos pela Marinha do Brasil e pela Marinha do Chile.

Passadas 24 horas, o mesmo site informa que a RN não disponibilizou os navios para venda e os manterá em sua reserva.

AO-53 Araucano – Foto Marinha do Chile

Cabe aqui uma pergunta interessante. A Marinha do Chile possui dois Navios Tanque, o AO-53 Araucano, de 23.600 toneladas, e o AO-52 Almirante Montt, com 42.000 toneladas, sendo que este último não consegue atracar em sua Base Naval em Valparaíso, sendo obrigado a ficar fundeado ao largo da Base.

Não sabemos de onde o site inglês deduziu que a Marinha do Chile poderia vir a adquirir um dos dois classe Wave, já que o AO-53 Araucano foi comissionado em 2013, ou seja, não se trata de um navio obsoleto. Concluo que a instituição está muito bem servida de navios tanque.

AO-52 Almirante Montt

A Marinha do Brasil precisa de um Navio de Apoio Logístico?

Na minha opinião, sim! Atualmente, a MB possui o navio tanque Gastão Motta (G 23), que se encontra em fase de revitalização, devendo retornar tão logo sejam finalizados os serviços a atuar junto à Esquadra.

NT Gastão Motta

Um classe Wave na MB seria uma bela aquisição, elevando a capacidade logística da Esquadra pois, diferente do Gastão Motta, a classe Wave possui casco duplo, condição fundamental para que o navio possa atracar em portos internacionais; possuem a capacidade de fornecer combustível, comida, água potável, munição e outros suprimentos para os navios, além de possuir um convoo com hangar, característica esta que permitiria a Marinha do Brasil realizar operações aéreas com suas aeronaves a bordo, caso um dos dois navios seja adquirido.

Porém, há que se analisar após a declaração do Almirante de Esquadra Olsen, atual Comandante da Marinha, durante audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que precisará desativar até 40% da frota atual, pelo fato do orçamento atual da Marinha não ser suficiente para custear todas as suas despesas.

O submarino Timbira já foi descomissionado, seus irmãos Tamoio (S 31) e Tapajó (S 33) serão sem breve, como também o NDCC Mattoso Maia (G 28). Outros meios estão na lista mas ainda não foram confirmados. A Marinha está priorizando colocar verbas em meios que realmente possam operar e cumprir suas funções.

RFA Wave Ruler em faina de TOM com o USS Donald Cook (DDG 75) – Foto: Vincent J. Street

Por essa razão, não vejo como, nesse ano e no próximo, existam condições para se adquirir e manter um navio com deslocamento de 31.500 toneladas e 120 tripulantes, como o classe Wave. Não se sabe ao certo qual dos dois Waves se encontra em melhor estado. Sabe-se apenas que o preço de venda, caso ocorra, deverá ser inferior ao seu custo de aquisição pela RN, que foi de £ 100 milhões (R$ 613 milhões, na cotação atual).

RFA Wave Ruler – Foto Wikipedia

Os navios da classe Wave são maiores do que o nosso NAM Atlântico (21.500 toneladas), e é bom lembrar que a RN sempre afirmava que o ex-HMS Ocean não havia sido oferecido para Marinhas interessadas, e, no final, o navio acabou sendo vendido para a Marinha do Brasil.

Caso ocorra uma mudança no cenário atual, e a Royal Navy resolva efetivamente vender um dos classe Wave, espero que seja oferecido para a Marinha do Brasil e que a mesma encontre uma forma de adquiri-lo, pois essa classe de navio irá agregar muito valor operacional à nossa Esquadra.

RAF_Wave_Knight_em faina de TOM com a fragata francesa Germinal – Foto: MoD britânico
Tags: HMS Wave KnightHMS Wave RulerMarinha do BrasilRoyal Navy
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Comentários 35

  1. Gilberto Rezende says:
    3 anos atrás

    Como ex-oficial do NT Marajó no final da década de 80 (antes do Gastão Motta) a restrição do casco simples já existia há tempos.
    Construir o Gastão Motta com casco simples já foi um dos ERROS mais lamentáveis da MB.
    Modernizar o Gastão Motta MANTENDO sua condição de casco simples é RETEIRAR UM ERRO ABSURDO EM 2023.

    SE a RFA do Reino Unido vier a efetivamente disponibilizar os WAVE para venda a MB deveria SEM PISCAR fazer a aquisição e aposentar o Gastão Motta.

    Embora seja NO MOMENTO a MB uma Esquadra pequena EU PENSO que NOVAMENTE SE, seja POSSÍVEL, adquirir os dois WAVE a MB DEVERIA FAZÊ-LO como a marcação de uma ponto de virada da MB:

    1) Minha experiência no Marajó indica que era ótimo a MB possuir um grande navio tanque para sua Esquadra, ENTRETANTO ao possuir apenas uma unidade, quando das suas indisponibilidades e manutenções do NT Marajó a Esquadra simplesmente ficava alquebrada OPERACIONALMENTE.

    Neste sentido, minha opinião é que se for POSSÍVEL O INVESTIMENTO e o Reino Unido CONCORDAR com a venda das duas unidades WAVE para o Brasil…

    O Brasil DEVERIA adquirir ambas e OPERAR as duas ALTERNADAMENTE com uma tripulação OPERATIVA e uma Tripulação de MANUTENÇÃO de modo que nos períodos de manutenção programada/inopinada do WAVE em fase operacional a Tripulação OPERATIVA passasse para o outro navio e o serviço estivesse continuamente DISPONÍVEL.

    Outro cenário poderia ser de no caso de necessidade de uma atuação mais demorada do NT em missão ONU/Humanitária interna ou no exterior se poderia ativar o Wave reserva mantendo a Esquadra atendida pelo outro WAVE.

    Ter apenas um Navio Tanque é coisa de Marinha mais para constar (como sempre foi o nosso caso), para atender os novos porta aviões da classe Queen Elisabeth o Reino Unido construiu 4 unidades de navios de apoio OU SEJA dois para cada porta-aviões… De modo a SEMPRE ter este apoio disponível!!!

    Mesmo que a MB deseje adquirir OS DOIS, talvez não seja POSSÍVEL pelo Reino Unido, porém não desejar pelo menos UMA destas unidades NESTE MOMENTO ou não fazer gestão para adquirir OS DOIS WAVE diz mais sobre a falta de AMBIÇÃO e apequenamento da MB e seu Almirantado….

    LAMENTAREI MUITO se a MB não adquirir estas unidade se elas forem postas a venda e LAMENTAREI AINDA MAIS se a MB prosseguir com esta INSANA MODERNIZAÇÃO do Gastão Motta mantendo o casco simples pois pelo pequeno tamanho da unidade (10.000 ton de deslocamento) mesmo que a modernização fosse dotá-la de casco duplo o que não faz qualquer sentido prático econômico ou militar pela redução da sua já pequena capacidade…

    TER os dois grandes Navios de Apoio Logísticos AGORA e depois ir aumentando a Esquadra faz muito mais sentido que manter uma pulga de casco simples como o Gastão Motta para aumentar a Esquadra por um longo tempo para só depois construir Navios Tanque de esquadra daqui a 10 ou 15 anos ficando com perna curta todo este tempo…

    Sem falar que ter os planos dos navios e operar os dois WAVES no futuro se pode planejar e aí sim construir novas unidades daqui a 15/20 anos com base nesta experiência…

    Responder
    • André says:
      3 anos atrás

      Outra opção que a Marinha deveria considerar é transferir o Gastão Motta para a frota fluvial como aconteceu com o Parnaíba, talvez tenha navios de apoio nesses distritos que precisem dar baixa deixando assim toda operação para os dois “novos” navios logístico Wave. Dois porque em caso de necessidade com ajuda humanitária internacional a Marinha ainda teria a sua disposição uma as unidades enquanto o outro acompanha um navio para a ajuda ou ele sozinho cumpre essa missão.

      Responder
  2. Marcelo says:
    3 anos atrás

    Espero que não compre, temos estaleiros no país capazes de desenvolver e produzir esse tipo de embarcação e lembrando que não estamos em guerra, ou seja, temos tempo de esperar o desenvolvimento e produção de um ou mais navios. Está na hora de nossas forças priorizarem conteúdo nacional

    Responder
    • ADM says:
      3 anos atrás

      Era o ideal. Construir um NT maior que G-23, com as especificações e normas modernas para petroleiros.

      Responder
  3. Bueno says:
    3 anos atrás

    Que seja oferecido e que a marinha compre, consiga um financiamento e compre

    Responder
  4. Colombelli says:
    3 anos atrás

    Deixaram o efetivo chegar a 80.000.
    A despeito de varias missões que a MB realiza, e que em outros paises sao de outros orgãos, nao se justifica este efetivo com 75% concentrado no RJ. Ai depois não tem recurso pra embarcações. O motivo é obvio.

    Responder
    • Gilberto Rezende says:
      3 anos atrás

      O efetivo da MB SEMPRE foi concentrado no RJ!!!
      Quando nos governos anteriores do PT foi dada publicidade dos planos de se Formar uma segunda Esquadra Norte sediada em São Marcos no Maranhão a GRITARIA de pessoas com você foi ENORME!!!
      O que vocês sempre quiseram é diminuir a MB, que ela não tenha Porta-aviões e não tenha unidades e que seja uma Guarda Costeira BARATINHA…
      Ter um MARINHA RELEVANTE sempre foi uma das empreitadas mais CARAS da humanidade desde os tempos das grandes frotas Chinesas da Dinastia HAN!!!
      O Brasil com seu imenso litoral Atlântico e recursos econômicos OBRIGA a NAÇÃO a ter um grande aparato NAVAL se quiser ter um futuro SOBERANO neste mundo cada vez mais fragmentado e TENSO…
      Falta de AMBIÇÃO e apequenar os nossos recursos militares NO MAR é um caminho sem volta para ameaçar de MORTE a soberania do BRSIL neste futuro incerto e perigoso…

      Responder
  5. André says:
    3 anos atrás

    As duas últimas fotos do navio são espetaculares! A primeira demonstra o tamanho do navio em relação ao helicóptero embarcado e ao nível da água. A segunda demonstra o tamanho de ponta a ponta do navio destacando também sua silhueta e todo o conjunto de equipamentos de bordo útil ás operações de faina. O navio pode abastecer pelos dois bordos, pela popa e ter o apoio de um helicóptero deslocando materiais como alternativa aos guindastes. Sempre gostei do porte desse navio e, portanto, mais um motivo para apoiar a compra dos dois. Se viessem os dois poderiam ser chamados de Rondônia e Roraima. (fica a dica).

    Responder
  6. Koprowski says:
    3 anos atrás

    Sr. Padilha, uma dúvida: qual o destino destes submarinos após suas desativações ? Poderiam ser utilizados como alvos, em exercícios ?

    Responder
    • Luiz Padilha says:
      3 anos atrás

      Como alvo não. Se não aparecerem interessados, deverão ir para o desmanche.

      Responder
      • Koprowski says:
        3 anos atrás

        Obrigado, sr. Padilha.

        Responder
  7. Antonio says:
    3 anos atrás

    Aí pode estar o pulo do gato para uma Marinha minimamente moderna e capaz! Quando se imagina um Strike Group capitaneado pelo Atlântico, escoltado por 2 a 4 Tamandaré, 2 submarinos classe Riachuelo e apoiado por um Wave, se vislumbra uma Marinha de águas Azuis. Se oferecido, vale a pena o esforço para comprá-lo! Que esse sonho possa se tornar reapidade!! Rsrsrs

    Responder
  8. Inhotep says:
    3 anos atrás

    Quando as Tamandarés começarem a serem construídas de fato seria bom por parte da MB adquirir um navio logístico do porte dos Waves.

    Responder
  9. Fabio says:
    3 anos atrás

    Boa noite amigo Padilha te pergunto não seria melhor investir a grana obtendo mais duas fragatas Tamandaré?

    Obrigado
    Abraço

    Responder
    • André says:
      3 anos atrás

      Então! As fragatas precisam de apoio operacional: de que adianta ter mais frags se elas não podem receber suprimentos tanto para os exercícios quanto para visitas internacionais? Recebendo os dois navios logísticos já eliminaria o velho na ativa – e que diga-se de passagem poderia ser usado como alvo tanto das novas frags como do submarino Riachuelo (míssil, torpedo e MH16).

      Responder
  10. Mars says:
    3 anos atrás

    Assim, a menos que um Egito da vida chegue com um caminhão de dinheiro, eu acredito que um deles virá para Marinha do Brasil. O ideal seria os dois mas ai já fica bem mais difícil.
    Acredito que Almirante Olsen não só está organizando as despesas da força como também está abrindo espaço para aquisição de outras embarcações. Chuto que no futuro teremos uma marinha menor mas com embarcações mais nova e capazes.

    Responder
  11. Koprowski says:
    3 anos atrás

    Sr. Padilha, alguma chance de desativação do Esquadrão VF-1 ?

    Responder
    • Luiz Padilha says:
      3 anos atrás

      Não.

      Responder
  12. Dodô says:
    3 anos atrás

    Senhores, não tem mto a ver com o tema, mas estão acompanhando o verdadeiro “massacre” dos leopard 2 ucranianos nas mãos dos russos ? Gente me deixou até preocupado com a eficácia e eficiência dos nossos próprios MBtS em um cenário de guerra moderna intensa

    Responder
    • Mirão says:
      3 anos atrás

      Vale ressaltar que os Leopard 1, assim como o seus homologo francês da época, o AMX-30, foram projetados em um período da indústria dos blindados onde a prevalecia a ideia de que as munições portáteis HEAT tornaram os tanques super blindados obsoletos ou impráticos, por isso eles são terrivelmente frágeis pois, eles sacrificaram a sua resistência por mobilidade… E isso iria se manter assim até a proliferação das blindagens compostas.

      Se você procurar na internet, irá ver simulações mostrando que o Leo1 nem consegue se sustentar contra projéteis de 57mm.

      Responder
  13. Gerson Carvalho says:
    3 anos atrás

    Tranquilo, tranquilo, u classe wave já é nosso!! E em breve 4 ou 6 fragatas chinesas.

    Responder
  14. Ericwolff says:
    3 anos atrás

    “Atualmente, a MB possui o navio tanque Gastão Motta (G 23), que se encontra em fase de revitalização, devendo retornar tão logo sejam finalizados os serviços”*
    ??????????????????????????

    Responder
    • Luiz Padilha says:
      3 anos atrás

      Menino de pouca fé.

      Responder
      • Ericwolff says:
        3 anos atrás

        Queria ter a vossa fé, mas a minha experiência não deixa…

        Responder
  15. Ruberval says:
    3 anos atrás

    Tripulante é que nao falta para MB !!!
    A maior marinha em terra do mundo kkk.

    Responder
  16. Fabio says:
    3 anos atrás

    Boa tarde Padilha então está confirmada s baixa do Mattoso Maia?

    2 Padilha qual seria o navio para substituir o Mattoso Maia?

    Obrigado
    Abs.

    Responder
    • Luiz Padilha says:
      3 anos atrás

      Leia outra vez.

      Responder
  17. João says:
    3 anos atrás

    Triste ver a situação atual da MB. Quando nosso Almirantes vão se tocar que o atual efetivo da força é desnecessário e impraticável? Um corte de 30% no efetivo é mais que suficiente para bancar e modernizar a frota.

    Responder
    • MARCELO ANDRADE says:
      3 anos atrás

      Você sabe que tem que indenizar né? Não se corta assim de uma hora pra outro, tem que haver um planejamento de médio e longo prazo, são todos concursados e vão para a reserva remunerada. Ou seja, o custo será até maior. Essa ladainha já encheu……

      Responder
  18. Demetrius says:
    3 anos atrás

    Olá DAN! Uma dúvida, o Gastão Mota não pode atracar em portos estrangeiros por não possuir casco duplo (SIC) mas e as fragatas classe Niterói de 40 anos de projeto, possuem esta limitação também? Abs a todos.

    Responder
    • Luiz Padilha says:
      3 anos atrás

      A regulamentação é para navios tanque.

      Responder
      • Demeyrius says:
        3 anos atrás

        Obrigado pelo esclarecimento.

        Responder
  19. Filipe M. says:
    3 anos atrás

    Um único navio da classe Gastão Motta operando na marinha, e com deslocamento máximo de 10.000 toneladas ainda… Seria importante demais incrementar capacidade com essa classe maior

    Responder
  20. Oseias says:
    3 anos atrás

    Se Deus quizer, vem sim. Os dois.
    Amém igreja ?

    Responder
    • FERNANDO says:
      3 anos atrás

      Quem sabe.

      Responder

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